Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa | Jornalista
A VALE E A JBS
24/01/2026
 A VALE E A JBS

RÁPIDAS

 

TOFOLI, QUE VERGONHA

- O ministro Edson Fachim é um homem honrado. Mas, pode queimar os dedos, se continuar dourando a pílula do colega Tofoli, tentando salvar o nome do STF, sem enquadrar o maior responsável pelo descrédito  em que vai afundando a Corte suprema, e aumentará, enquanto Daniel Varcaro  permanecer fora da cadeia.

- A FALA E A SUPREMA CORTE

Em Maceió, vestindo camisa branca, com chapéu branco na cabeça, (era sexta -feira,) o presidente Lula falou sobre vários assuntos ,e não deixou de abordar a questão, ou o estratosférico escândalo do banco Master,    que tem como principal protagonista um bilionário que se chama Varcaro. Segundo Lula, há gente neste país que não tem vergonha na cara e defende o mega estelionatário.

A fala reverberou na Corte Suprema...

 

-MITIDIERI E AS ESCOLHAS

O governador Mitidieri insinuou-se candidato à reeleição antes mesmo da posse.

Depois, em meados do ano passado fez a escolha do seu vice, confirmando as expectativas. Será o presidente da Assembleia deputado Jeferson Andrade.

Não terminou o ano e ele  postou a foto que parecia improvável,  anunciando os seus candidatos ao Senado.

Em respeitosa distancia ficaram  um em cada lado , os inimigos   pessoais,  senador Alessandro Vieira e o ex- deputado André Moura.

Agora, anuncia que votará em Lula, para desgosto dos bolsonaristas  que tem ao seu lado.

Em política, as escolhas assemelham-se às nuvens que passam.  Quem as faz precisa saber a direção que elas tomam.

 Mitidieri se considera um bom “ meteorologista”.

 

A PROFECIA E O CINISMO

No Rio cumpre-se ,ao que parece, a profecia sinistra: os governadores saem do Palácio para a cadeia. Desta vez não será diferente. Claudio Castro não tem como explicar, um bilhão de reais aplicados no  Master já cambaleante.

Brasília tem quase a mesma tradição.

Ibanes Rocha chega ao cumulo do cinismo. Antes de tentar salvar o Master, com dinheiro do Banco de Brasilia, explica: jantei com Varcaro, estive com ele algumas vezes, meu erro foi acompanhar o dirigente do BRB. Mas, em todas as reuniões entrei calado e saí mudo.

Nem ao menos um boa noite,

um até logo ?

 

- TREMEM AS COLUNAS DE BRASÍLIA

Desde os apartamentos funcionais até os palácios onde se agasalha o poder em Brasília, há um sentimento de pânico. Tremem paredes, balançam colunas, todavia , não há previsão de terremoto.

O  abalo sairá da boca de Varcaro, quando ele resolver, em breve , soltar a língua.

Na delação premiada que fará para livrar-se de uma longa estadia na Papudinha,   contará tudo o que sabe, sobre fatos e pessoas neles envolvidas.

Será o raio-x ou cintilografia completa do escandaloso arcabouço da ladroagem.

 

- A ADUTORA E O ESPINHO NO PÉ

Ressabiado , e ainda sem ter conseguido retirar do pé os espinhos da Deso e da Iguá, o governador Mtidieri nem marcou data de inauguração nem compareceu ao povoado Curralinho, para assistir o acionar das bombas e o funcionamento da adutora . Desta vez não houve falha , e o povo de Poço Redondo vai ter água nas torneiras.

Vale lembrar: no dia 14 deste janeiro, completou um ano desde que caiu uma chuva  volumosa na região.

 

 

A VALE E A JBS

O irmãos Joesley e Wesley, "embaixadores" de Lula e também de Trump, agora chegam a Sergipe.

 

Em dezembro do ano passado, a Mosaic, empresa que produzia  potássio em Sergipe vendeu a mina de Taquari- Vassoura para uma subsidiária do grupo JBS, aquele, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Desde o pequeno açougue no interior goiano, até o colosso multinacional de hoje, o grupo passou por algumas intempéries, por exemplo, num daqueles episódios suspeitíssimos, patrocinados pela dupla togada e essencialmente corrupta, Moro- Dalagnol.

Destruíram a indústria da construção civil brasileira, mas, no caso da JBS, prenderam por algum tempo os irmãos, todavia, não chegaram ao objetivo maior, que era desmontar o grupo, para que fosse vendido na” bacia das almas” a algum empresário sócio dos dois justiceiros.

A empresa é , agora, uma das maiores produtoras de  carnes no mundo. Expandiu-se muito no Brasil, tornou-se enorme no planeta. Os irmãos até se fizeram “ embaixadores” informais. Claudicando no português, mas, fantásticos negociantes, eles se envolveram no complexo jogo geopolítico entre países. Se tornaram “diplomatas”, ou quase “embaixadores plenipotenciários.”

Foram emissários de Lula para  fazerem afagos a Trump; foram emissários de Trump para lidar com Maduro, até o advertindo para a derrocada próxima e inevitável. Na Venezuela, os irmãos têm presença forte no   setor do petróleo.

 Eles  ganham bilhões com galinhas e picanhas,  e querem ganhar agora  trilhões com petróleo, gás e fertilizantes.

A chegada do grupo JBS a Sergipe merece uma comemoração com foguetes ( sem explosão) ou, para os mais requintados com taças de champagne.

Caso tenha sido o governador Mitidieri, que  convenceu o grupo a vir a Sergipe, só por isso ele se faria merecedor  da reeleição.

A mineradora  recém criada pelos irmão Batista, deve cuidar do que resta, do ponto de vista econômico, na mina Taquari- Vassoura,  e dará prioridade absoluta a uma nova forma de produzir fertilizantes. Vai concentrar-se na costa sergipana, por aqui, em frente a  Aracaju e Barra,  onde ficam aquelas enormes estruturas  de ferro, enfiadas no mar , de onde jorravam óleo e gás, agora  paralisadas, e penosamente desmontadas, numa operação que mais se assemelha com a ideia de jogar dinheiro fora.

No leito do oceano, naquelas águas rasas, a mineradora vai extrair  a carnalita, por  sucção, de onde se retiram os cloretos de potássio e magnésio. Ou seja, terão a “joia da coroa” da indústria de fertilizantes.

A história do potássio começa em Sergipe nos anos setenta do século passado. Foi uma luta alongada que atravessou diversos capítulos,  envolveu interesses diversos, e muitos atores  sergipanos em cena, desde políticos, a técnicos, jornalistas e empresários.

O presidente  general Geisel deu início ao projeto, após cancelar a suspeitíssima concessão  do fajuto grupo Lume, e criar a estatal Petromisa.

Então, a  estatal assumiu     a tarefa. Não foi fácil, mas a engenharia brasileira venceu o desafio maior que era cavar dois gigantescos buracos até uma profundidade de 400 metros. No meio do caminho havia um  rio,  era subterrâneo, e  teria de ser atravessado ( mais de 40 metros de largura ) sem causar desmoronamentos.

  Inaugurou-se o projeto no governo do general Figueiredo, e Sergipe tornou-se o único produtor de potássio no hemisfério sul.

Collor venceu uma difícil eleição direta, a primeira   após o fim da ditadura. O alagoano, um jovem bem apessoado,  bem falante,  alardeando acabar os “ marajás” e extinguir empresas estatais, classificadas como inúteis.  Prometeu, solenemente a Valadares, (que foi o primeiro governador  a apoiá-lo) e ao senador Albano Franco, presidente da   então poderosa CNI,   que a mina de Taquari -Vassoura ficaria fora da privatização.

Presidente, um dos seus primeiros atos foi extinguir a  Petromisa . Atendia ao interesse do seu ex-sogro, cujo grupo empresarial  Monteiro Aranha tinha  o monopólio da importação do potássio canadense. Os equipamentos da mina quase foram sucateados,  até que o presidente Itamar Franco , com Albano ao seu ouvido, reativou a mina. Houve uma sucessão de controladores entre a Vale e a Petrobras.  Finalmente, a Taquari- Vassoura  foi vendida à mineradora americana Mosaic, que acaba de negociá-la com o JBS.

Assim, agora, abrem-se  as imensas perspectivas geradas por um grupo que tem todas as condições de dar sequencia  ao projeto de  transformar Sergipe no  grande polo de produção  de fertilizantes, acenando ao agronegócio,  dando-lhe a boa notícia de um degrau alcançado para a redução da nossa perigosa dependência  às importações.

A VALE tem uma dívida  com Sergipe que nunca será paga. Além do passivo ambiental que não é pequeno, arrematou em leilão a   ferrovia Leste Brasileiro, com cerca de 200 quilômetros em Sergipe. Anunciou que iria reativar a via férrea,  que cruza Sergipe de norte a sul, nos ligava com a Bahia, indo até Salvador. E nela corriam trens de carga e passageiros. Nada fez , em muitos trechos  a ferrovia foi invadida, as instalações da ampla Estação em  Aracaju estão em ruinas. A VALE comprou ainda da Petrobras o nosso porto  marítimo na Barra dos Coqueiros. Opera aquele Terminal com eficiência, mas, se recusa a fazer os investimentos para amplia-lo, tornando-o capaz de receber navios com capacidade muito superior ao limite dos 30 mil toneladas atuais.

 

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A EUROPA PERDE O TREM DA HISTÓRIA

Europa perdendo o trem da história.

 

Numa coisa o discurso sempre desconexo de Trump, leva alguma lógica: a Europa é um continente em decadência.

Deixemos de lado a Rússia, para quem os europeus torcem o nariz, por considera-la  mais asiática do que europeia, e veremos  que a hegemonia mundial através dos  séculos esteve sempre na Europa. Bem longe, coisa de milênios  essa hegemonia era de europeus, sobre europeus. Roma chamava de bárbaros os vizinhos que a rodeavam, (   francos, vândalos, suevos...) Da mesma forma comportavam-se os gregos, sofisticados, que até filosofavam.

No fim do feudalismo que coincide com a exaustão da Idade Média, surge o Estado Nação. Tendo território  definido, delimitado, e governos centrais, Portugal e Espanha já dividiam o mundo entre eles.  Quando lideraram as grandes descobertas, Portugal ainda titubeava na consolidação do seu espaço nacional, e a Espanha, rachada, chamava-se Castela. Mesmo assim, colonizaram as Américas;  pelo comércio, e  as vezes com os canhões  controlaram as “ Indias Orientais”.

Depois de dar  por descoberto o Brasil, Cabral prosseguiu sua viagem às Índias. Em lá chegando, querendo comprar cravo, pimenta e canela, diante da desconfiança do Samorim de Calicute, bombardeou com os canhões das suas naves a cidade, até chegarem os emissários anunciando que estava fechado o negócio.

Os europeus se impunham com o poder dos seus canhões.

Os peregrinos, aqueles religiosos fugindo da perseguição na Inglaterra, encheram um navio, o Mayflower,  atravessaram o oceano, antes já percorrido por Américo Vespúcio, e montaram uma colônia, a semente dos Estados Unidos, hoje, a grande potência econômica e principalmente militar, manobrada sem nenhum recato por Donald Trump.

A Europa, durante séculos  foi um campo de batalha onde países se matavam. Mas, mesmo assim, o mundo era, e continuou sendo “europeu.”

A China, o Japão,  ficavam à margem da história, aquela, ensinada em nossas escolas ocidentais.

Inglaterra, França, Países Baixos, Itália, Bélgica, Alemanha,  repartiram  o continente africano, o médio oriente,  chegaram até a China, à Índia enorme, às ilhas grandes e pequenas do Pacífico.

 A descolonização das Américas, sul, centro e norte, começou no século dezoito , quando os ingleses foram expulsos dos Estados Unidos, depois, um por um, os chamados países latinos se foram libertando da Espanha e Portugal. No fim do século dezenove , nas Américas, só restavam na condição de colônias   as guianas, alguns pedaços da América Central e ilhas do Caribe.

Mas, ainda, sobre o Império Britânico o  “ sol nunca desaparecia”.

A Inglaterra, senhora dos mares, exercia uma hegemonia que se imaginava capaz de atravessar os séculos .

 

Tudo mudou após a Segunda Guerra Mundial.

Iniciada a guerra na Europa, em setembro de 39, os Estados Unidos apenas assistiam. Caiu a França, os alemães vitoriosos, tinham pela frente apenas a resistente Inglaterra, sob a liderança excepcional de Winston Churchil.  Então em dezembro de 1941, o Japão ataca Pearl Harbor, nas ilhas do Havai. Foi o golpe  que Roosevelt aproveitou para calar os “isolacionistas,” na verdade extremistas de direita que endeusavam  Hitler, e sonhavam com a nazificação do mundo. Declarou guerra não só ao Japão, mas aos países do Eixo, incluindo a Alemanha e Itália.

Desde junho de 41, os russos já enfrentavam a invasão alemã.

O conflito já era, de fato, a carnificina globalizada.

Com o seu território continental intacto, livre dos bombardeiros, os EUA transformaram rapidamente suas linhas de produção industrial e voltaram tudo para a guerra. Intensificaram suas remessas de armamento para a  Inglaterra e a Rússia e  abriram três frentes de combate: na Europa, na África e nas ilhas do Pacífico.

A capacidade industrial e a modernidade dos seus exércitos, fizeram os Estados Unidos decidirem a guerra. Mas enquanto a Rússia perdia mais de dez milhões de combatentes, o Japão mais de 3 milhões, os Estados Unidos perderam cerca de 400 mil, e todo o seu território estava inteiro, sem nenhuma ferida de guerra.

Além do mais tinha créditos enormes  a receber.

Antes do conflito acabar, na Conferencia de Bretton Woods no verão de 1944, foram traçados os rumos para a recuperação econômica e financeira do mundo sob a batuta do dólar.

Surgiam então os Estados Unidos, que além de tudo tinham o monopólio  do poder atômico, como única e inconteste nação hegemônica  no planeta.

O Plano Marshal aplicou 12 bilhões de dólares para a reconstrução europeia, o Japão também recebeu pesados investimentos americanos. Então, os Estados Unidos   ganhavam quase dois mercados exclusivos, enquanto Europa e Japão se recuperavam.

Com a guerra fria, a Europa,  na linha  de frente de uma possível invasão  da Rússia comunista, acomodou-se na OTAN, criada e liderada pelos Estados Unidos. Apesar da França e Inglaterra, serem também potencias nucleares. O Velho Continente  perdeu suas colônias, e viu assistir a excepcional façanha de crescimento econômico do Japão. Logo depois , a concorrência irresistível dos produtos chineses, e, embora dominando a alta tecnologia, os europeus não conseguiram compatibilizar a economia com a demanda dos seus povos.

A União Europeia não consegue, sequer, chegar a um consenso para formar com o Mercosul, o maior bloco econômico do planeta. Na França  uma agricultura subsidiada pelo governo, teme a concorrência, empareda o  governo de Macron, e dessa forma  faz a opção pela decadência.

Por isso, Trump deita e rola.

 

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O MST DE “BANDIDOS” A EFCIENTES PRODUTORES

O MST expõe em encontro nacional os frutos da terra.

 

O presidente Lula foi recebido festivamente nesse fim de semana no 14º Encontro Nacional do MST em Salvador. Percorreu os locais onde eram expostos os produtos vindos de todas as partes do país, experimentou a culinária, toda ela à base de alimentos livres de agrotóxicos, folheou livros  publicados pela Editora do Movimento, dialogou com militantes, dirigentes, coordenadores, parceiros do MST. Lá estavam também o governador da Bahia Jerônimo Rodrigues, senadores, deputados , ministros.

Depois, falou, e chegou ao ponto que era há muito tempo aguardado: a descoberta de que MST e Agronegócio têm muitos pontos em comum. Lula disse: o Agronegócio é hoje o setor mais estratégico da nossa economia, é exportador, gera divisas. O MST é a agricultura familiar mais voltada para o alimento do dia a dia das nossas mesas. Entre os dois setores importantes não deve haver desentendimentos, nem atritos.

Um Pouco de História:

 

Para despertar da indolência o latifúndio improdutivo, por em pauta a sempre esquecida e retardada questão agrária, surgiu o MST. Criaram o eufemismo de “ocupação” para as invasões que foram realizando. Chegavam com as suas barracas de lona preta, derrubavam cercas e se fixavam dentro, ou à margem  das estradas,  perto das propriedade que escolhiam para os assentamentos.

Na ausência de uma legislação modernizadora, de uma visão atenta ao problema da miséria espalhada pelos campos, valeu  a denuncia disruptiva de leis caducas, e da desatenção dos Poderes.

Tratemos  de como tudo aconteceu em Sergipe:

Nos anos setenta, naqueles tempos insólitos do nefando Ato Institucional nº 5, problema social era, de fato, questão de polícia.

Na região do  baixo São Francisco, nas proximidades da foz, havia as várzeas encharcadas onde se  fazia o plantio do arroz em condições primitivas.  Espalhavam-se as doenças, não existia um só posto de saúde, as casas eram de palha  e o chão de areia. A “ lama do arroz” tinha poucos donos, os remanescentes “ coronéis”. Produtividade mínima, ausência de leis trabalhistas, insalubridade, mosquitos, ratos, tudo misturando-se para tornar a expectativa de vida não ultrapassar os 40 anos. Criança nascendo e sobrevivendo, era exceção à regra.

No povoado Aroeiras nos anos setenta, após uma grande enchente, um jornalista contava os casebres destruídos, via na beira do rio uma canoa chegando com água e mantimentos. Junto, tratando peixe e lavando tudo com a agua barrenta , uma mulher  que aparentava mais de oitenta, e talvez nem quarenta tivesse, não quis que o fotógrafo a retratasse. O jornalista aproximou-se mais e puxou conversa. A mulher começou a desfilar suas desditas: o marido morrera há poucos dias, e ela vivia agora com o único filho, a criança ao seu lado. Era o sobrevivente dos sete que nasceram, “ e não se criaram “.

Mas o drama social do baixo São Francisco era mais extenso.

Havia ainda os indígenas que perderam as terras de onde tiravam o sustento. A luta era difícil e até arriscada. Havia um Juiz especializado em prender pobre inconformado.

Um caldeirão de insatisfações, ou um estopim de revoltas. O regime enxergava no pobre esquecido um potencial agente subversivo. Por ali, o bispo Dom José Brandão, andou falando na necessidade de Justiça, a ele, juntou-se o Frei Enoque, depois,  chegaram  mais padres  e alguns estudantes universitários ;  Marcelo Déda era um deles, ensaiando a oratória  fulgurante, e patrocinando defesas na Justiça adversa.

O governador Augusto Franco, um industrial e proprietário de muitas terras, teve a coragem de desapropriar as terras em disputa, e as  devolveu aos legítimos donos: os Xocós.

Com a posse do general Geisel, chegaram técnicos querendo enxergar  soluções ao invés de reprimir. Surgiu o Projeto Betume, a “lama do arroz” foi repartida, criou-se a CODEVASF, que promoveu avanços até transformar-se em reduto, ou covil, de emendas parlamentares.

Pelo sertão semiárido a questão da terra também era grave . Surgiu, na cena sergipana um ativista, líder, chamado João Daniel Somariva.  Ex - seminarista, aos 18 anos.   Em breve, teria o seu nome ligado inseparavelmente à luta pela terra, se tornaria político, e hoje é deputado federal, defendendo a mesma causa.

Multiplicaram-se as barracas à margem das estradas.

Um dia, o governador João Alves  autorizou a repressão  brutal. Manifestantes foram metralhados pela polícia, dezenas aprisionados. Em Canindé tratores avançaram sobre as barracas destruindo tudo, e uma criança que dormia, por pouco não foi esmagada.

Os Sem Terra que não foram levados nos camburões da Policia,   com os destroços refizeram as barracas, e ficaram no mesmo lugar. A rádio Xingó-FM recém inaugurada fez uma campanha para angariar alimento, e a população atendeu. Uma camionete cheia foi levá-los, tendo antes de parar  numa barreira policial. Um sargento liberou : -deixa passar, eles estão morrendo de fome.                                                                                                                                           

Com Albano o clima arrefeceu, na polícia um coronel, Luiz Fernando, foi designado para dialogar e pacificar. Surgiu, com o apoio do presidente Fernando Henrique o Jacaré- Curituba, primeiro assentamento irrigado para os Sem Terra. João Alves outra vez no governo, mudou de posição , dialogou, a senadora Maria do Carmo começou a visitar assentamentos. A terra foi dividida, os proprietários receberam as indenizações. Hoje, os Sem Terra formam uma classe média rural

Os que antes foram classificados como bandidos, são lembrados , com agradecimento, em locais onde ocorreram desastres, e para eles chegou o socorro em alimentos, vindos dos assentamentos que existem em todo o país. Isso não se limita ao

Brasil. Para os famintos em Gaza chegaram toneladas de cereais.

Uma professora de artes e cantora sergipana, filha de assentados, Val Santos ,ativista, que comanda as ações de alfabetização nos assentamentos de Canindé,  estava  no Encontro. Fez rodas de lazer, as cirandas, com crianças,  bem alimentadas, bem vestidas, frequentando creches, tendo assistência médica. Por isso mesmo, ela pode reafirmar: todas são extremamente inteligentes, educadas e vivazes.

Nos assentamentos o índice de mortalidade infantil está bem abaixo da média nacional.

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