Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa | Jornalista
MARÉ DE MARÇO AVISA: ARACAJU CORRE PERIGO
27/03/2026
 MARÉ DE MARÇO AVISA: ARACAJU CORRE PERIGO

RÁPIDAS

 

A IGUÁ É UM DESASTRE MESMO

 

O bairro Salgado Filho e outros da redondeza, estão há cinco dias sem água. A "aguadeira" ou "secadeira" apareceu por lá, depois de muito tempo, prometeu em 78 horas estaria tudo restabelecido, passaram as horas, e nada, naqueles bairros existem restaurantes, clinicas, comercio e o mais importante, gente, muita gente, e todos estão revoltados, lembrando que em outubro tem eleição. Mas o prejuizo a Iguá não paga.

 

 

OS CANDIDATOS JÁ DEFINIDOS

Dia dois de Abril, já em plena Semana Santa, o Prefeito de Itabaiana Valmir de Francisquinho renuncia.Com este ato ele torna-se efetivamente candidato ao governo do estado. Como se sabe ele está pendurado numa liminar, mas, mesmo admitindo que a liminar venha a ser derrubada, ele entende que terá o mais definitivo dos argumentos para entrar com o recurso, a pergunta a ser feita: Francisquinho pode ser Prefeito de Itabaiana, para isso é perfeitamente elegível, mas não pode ser candidato ao governo de Sergipe?

Tendo convicção de que não haverá obstáculos na justiça outra vez, ele já escolheu a vice: será Priscila Chagas Felizola. Houve uma pesquisa e o nome dela ficou em primeiro lugar.

 

FÁBIO CHAPA FEITA E ESPERANDO LULA

 

     

O governador Fábio Mtidieri já tem chapa pronta há mais de um ano. O vice será Jeferson Andrade e não haverá mudanças. Especulou-se para uma mais sólida aliança com o PT que Eliane Aquino, a viúva de Déda seria a vice, candidatando-se a um cargo que antes já exerceu, com Belivaldo governador.

Mitidieri espera receber o apoio de Lula, o que poderá acontecer na segunda quinzena de abril.

Receberá a promessa de recursos para iniciar a Adutora do Leite, que fica para um eventual segundo mandato. Mas, quanto aos senadores há indefinições. Seria Rogério para contentar o PT e André Moura no mesmo palanque? E o senador Alessandro Vieira teria sobrado?

Num evento de apoio a André Moura  nesta semana, o pai de Fábio o médico e ex-deputado federal que ocupa há  três meses a Casa Civil , Luiz Mitidieri, numa rápida entrevista a uma emissora de rádio disse que votaria em André Moura e Alessandro Vieira.

 

CONCURSADOS PEDEM NOMEAÇÃO

 

Os aprovados em concurso para vagas na Secretaria de Estado da Saúde, reclamando muito por não terem sido chamados. Entendem que a terceirização dos serviços lhes prejudica, porque são contratados sem burocracias e exigências , apenas por indicação política, enquanto eles que se submeteram a concurso são preteridos.

 

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O ENTREPOSTO DA PESCA PRIVATIZADO

 

 

Aquele prédio ainda desocupado, em frente ao Mercado Municipal ,e colado ao atracadouro da frota pesqueira, serviria para processar o pescado e frigorifica-lo, funcionando sob formato de  cooperativa de pescadores. Terminado o prédio veio o governo de Michel Temer e tudo foi paralisado. Faltavam os equipamentos. Há pouco tempo o governo federal resolveu privatizar o entreposto. Uma empresa já assumiu o controle, está providenciando os equipamentos, mas , os donos de barcos pesqueiros alegam que ficará impossível utilizar os serviços do entreposto, porque as taxas são elevadas. Pensam em organizar um grupo para, na chegada de Lula a Aracaju, pedir-lhe que reverta a privatização.

Não é simples.

 

MARÉ DE MARÇO AVISA: ARACAJU CORRE PERIGO

O alagamento não vem só, ele trás também fedentina.

 

As marés de março, sabem todos os pescadores, navegantes, ou simples curiosos, são aquelas em que o mar sobe mais na linha das praias, alcançando pontos além do limite  das marés consideradas grandes. São normais e previsíveis, com intensidade levemente variável. Em Aracaju, cidade quase ao nível do mar, que nos últimos quarenta anos avançou celeremente sobre mangues , e expandiu-se com aterros, nem é preciso as marés de março para deixarem evidentes as nossas vulnerabilidades. Qualquer maré grande  provoca alagamentos em vários pontos, faz transbordar as redes de esgotos e canais que recortam a cidade.

E acontece  também algo pior:  essas marés ,deixam exposta  a distância  da  qualidade de vida,  meta buscada por vários prefeitos, mas ainda inalcançada, e que só existirá quando tivermos um eficiente sistema de esgotos sanitários.

Quando a maré sobe , canais, riachos, se transformam em correntes de putrefação. A cidade fede , e o mau-cheiro,  alcança quase todos os bairros. Desde os chamados “nobres”, aos que não têm” nobreza” nenhuma.

Aracaju, literalmente apodrece.

O problema não é novo. Se arrasta , insolúvel e desafiante há décadas.  A DESO , por conveniência política sempre negligente,  não mostrou eficiência em tratar da água, muito menos de esgotos. Agora, tornou-se uma espécie de apêndice da  Iguá,  a concessionária dos serviços. Na montagem da privatização   a DESO ficou responsável por fornecer a água a ser distribuída e vendida pela Iguá; que herdou  um sistema de bombeamento de esgotos sucateado, e  reduzido a menos de um terço da capacidade instalada.

Acreditar que a Iguá venha, sozinha, a enfrentar o problema  e encontrar uma solução, é ingenuidade ou desfaçatez.

 A tarefa de por fim à podridão que afeta Aracaju, exige a participação do governo do estado, da prefeitura de Aracaju, e dos Ministérios Públicos estadual e federal. Estes últimos, que precisarão agir, obrigando edifícios, conjuntos residenciais, e empresas  a tratarem dos seus esgotos, antes de lança-los na   rede sanitária, ou, o que é pior : no sistema de águas pluviais. E é por isso que manguezais que dão a Aracaju a característica única de tê-los incorporados à paisagem urbana, estão morrendo, sufocados pela poluição.

A prefeita Emília Correia conseguiu quebrar o conformismo que existia em relação ao transporte público sucateado, e posto a rodar os primeiros ônibus elétricos, poderia, talvez no próximo ano, quando terá desaparecido o clima de campanha eleitoral, voltar suas vistas a um projeto essencial para nos aproximarmos muito mais da qualidade de vida, livrando o aracajuano desse tormento de viver numa cidade que fede.

Emília poderia ir ver de perto um projeto que está dando excelentes resultados em João Pessoa, e resulta de iniciativas da cidadania  agindo ao lado do poder público.

Acolher bons exemplos não é falta de criatividade .

É sabedoria.

 

 

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UM PRESIDENTE NA JANELA DE UM AVIÃO

Na janela, um olhar pela vida.

 

Um jato da Força Aérea voava de Brasília para Gavião Peixoto no interior de São Paulo. Lá , existe a maior pista de pouso do país, são cinco quilômetros.  Em Gavião Peixoto fica a EMBRAER, a empresa brasileira que exporta aviões  para o mundo.

Aproximando -se do pouso juntou-se a ele um jato de combate, linhas elegantes, aquele geometria perfeita para voar,  o perfil aerodinâmico das raras aeronaves que conseguem alcançar o mach-2, ou seja, duas vezes a velocidade do som.

No jato de transporte o comandante, um major da FAB, já havia convidado um passageiro a vir à cabine, e sentar-se à sua direita, na poltrona reservada ao copiloto.

O passageiro era o Presidente da República , Luiz Inácio Lula da Silva. O homem de cabeça branca colou-se ao vidro da janela. O céu era claro. Aos 80 anos, depois de três mandatos e pleiteando um quarto, ele deve ter-se apalpado, e perguntado a si, mesmo: “Será que sou eu aquele metalúrgico, aquele passageiro de Pau- de Arara,  que viajou menino do sertão pernambucano com a mãe e irmãos  ,para tentar a vida em São Paulo.?”

Parecia sonhar, enxergando uma estrada longa, poeirenta, e  segurando o choro, para não preocupar a mãe.

Despertou com a fonia da cabine que o piloto aumentou, e  ouviu a mensagem a ele dirigida pelo primeiro comandante do primeiro jato Grippen  fabricado no Brasil, voando em céus brasileiros.

Senhor Presidente da República................

E o menino do Pau de Arara, nascido em casebre das caatingas, criado em favela do subúrbio paulistano, que engraxou sapatos para levar comida à mãe e aos irmãos, respondeu com o orgulho natural pelo país que lhe permitira a ascensão social, e o tornara por três vezes presidente, comandante supremo das suas Forças Armadas, e responsável direto por aquele salto tecnológico que poucos no mundo conseguem dar.

Falou então na necessidade de manter a Soberania Brasileira. Mas lembrou que viajava num avião da paz, ou seja a metáfora do mundo que ele sonha, sem guerras, mas, impondo-se a necessidade de preparar-se para elas, caso se tornem inevitáveis.

Lembrou, faz tempo... mas a memória registra bem.” Recebi aquele apelo do meu Ministro da Defesa, dos Comandantes das três armas. Mostraram -me que era preciso modernizar nossos meios de defesa. Isso, lembro bem, foi no meu primeiro mandato. Autorizei o projeto modernizador. Na Aeronáutica estavam obsoletos os caças  em Anápolis.  A Marinha precisava de Fragatas, de um submarino atômico, uma projeção de poder, para quem tem ao lado a Amazônia Verde. O Exército  precisava de blindados, obuseiros, helicópteros.

Tentou-se a princípio de adquirir caças nos Estados Unidos, mas, fiz uma exigência: era preciso transferência de tecnologia e fabricação nacional. Os americanos não quiseram fazer a transferência.

Na França, quase fechei negócio para a compra dos caças Rafalle , sempre tivemos excelentes relações , até amizade com os presidentes franceses.

Mas o pessoal da Aeronáutica já encontrara uma alternativa melhor, mais completa, este Grippen,  voando junto, aqui a minha direita.”

No bolso apertava o escapulário que sempre leva, e agradecia a Deus, aos seus santos de devoção, lembrando de passagem: “sempre fui teimoso, acreditei no Grippen, como acreditei  no petróleo em águas profundas, e o Brasil agora é exportador de petróleo.

Ah! Por sinal  a Petrobras anunciou ontem a descoberta de mais um campo gigante na bacia de Campos.”

O  som dos motores foi reduzido, o avião começava o procedimento de pouso. Ele quase acordou de um sonho.

Lá embaixo a solenidade, e uma orquestra incrível, de quase crianças tocaria o Hino Nacional.

Uma sinalização ao nosso futuro.

 

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O RIO DE JANEIRO E UMA SUCESSÃO DE CAFAJESTES

A desehonrada galeria dos governadores fluminenses, todos presos e um esperando o "tok tok" da Federal.

 

Na parcela degenerada, aliás imensa, da “fauna” política brasileira, Cláudio de Castro, o agora ex-governador  do Rio e Janeiro ocupa lugar de destaque, sendo um dos mais perniciosos predadores. Há muito tempo o importantíssimo estado fluminense deixou de conviver com aquilo que se entende sensatamente como “ a política “, aquela, tradicional, do diálogo e o entendimento sempre possível, e também um caminho a  seguir, estabelecendo o único pedágio   a ser cobrado: a necessidade do espírito público. Mas “ a política” degenerou, tornou-se uma espécie de  vale – tudo.   

Refazer a política, mudar a forma de fazê-la, voltar a entender a política como ferramenta de servir e não de locupletar-se, é algo que diz respeito diretamente ao eleitor.

Mas, quando um personagem deformado, agindo numa cena política desconexa tal como Cláudio Castro cresce na aprovação popular por ter exibido uma montanha de cadáveres, é inevitável aquele sentimento de medo, até desespero, diante do  que nos reserva o futuro.

Ele termina o malsinado mandato  diante de uma  estatística assombrosa:  no Rio de Janeiro durante o ano passado somente em onze dias não houve tiroteios entre polícia e bandidos, ou entre as próprias fações de traficantes e milicianos que se enfrentam na disputa por domínio de espaços.

 Mais de noventa por cento desses combates ocorreram  nas favelas, nos morros da capital, ou nas áreas também pobres dos municípios que formam o Grande Rio.

Quem vive no Leblon, em Ipanema, na Barra, na Lagoa, no Cosme Velho, no Leme, em Copacabana, nas áreas centrais, dificilmente já terá  ouvido,  o pipocar dos fuzis e metralhadoras.

 Essa política de segurança que a extrema direita  da qual faz parte ativa o ex-governador, é algo seletivo , voltado para a criminalização  dos pobres.

Com a  sua pretensão de chegar ao Senado Federal desfeita pela Justiça, Claudio de Castro estava exatamente ancorado na certeza de que teria os votos da periferia. Isso espanta ainda mais, e revela a conexão umbilical do poder corrupto com o próprio crime organizado, que vive à sua sombra e faz pelos morros e favelas a “ catequese”  da população sofrida, oprimida, e  sufocada pelo crime.

Esse modelo  trágico de convivência social não se restringe ao Rio de Janeiro, está em São Paulo em tantas outras  grandes cidades brasileiras.

Claudio de Castro, o ex-governador, é daqueles governantes que não hesitam em enfileirar mortos sobre o asfalto ,  desde que isso resulte em votos.

A que nível “ civilizatório “  chegamos.

Necessitando de um mandato para não  ser preso, Cláudio de Castro viu-se de repente sem chão , quando o seu substituto imediato   acabou na cadeia.  Seria o presidente da Assembleia  Legislativa, um “irmão”, no dialeto usual das máfias.

 

No Rio, não acontece exatamente sucessão de governadores,  há um revezamento de quadrilhas, e destas, a mais  devastadora foi exatamente a chefiada por Castro. Vai haver eleição indireta, e tudo já se arranja para que o governador  tampão seja mais um da “irmandade”. Mas, enquanto isso,  às carreiras elegeram presidente da Assembleia  o deputado Douglas Ruas. Seria ele o governador tampão, até  as eleições indiretas no final de abril, para eleger aquele que concluirá o mandato de Castro. Contra o Ruas existem várias acusações de peculato.

Mas não chegou a assumir, a Justiça do Rio  anulou a eleição que já se transformava em festa e triunfo da cafajestada.

Queriam retirar logo do Palácio da Guanabara “ ligeirinho como quem rouba”  o presidente do judiciário desembargador Ricardo Couto, que assumira interinamente. Ele representava um grande perigo: não  faz parte de nenhuma das quadrilhas  que  se revezam no poder, e criando a galeria desonrosa de cinco ex-governadores presos, e dois  com direitos políticos suspensos. Isso no espaço de vinte anos. E por enquanto.

Vale lembrar que nem tudo é desonroso. Uma mulher, preta, favelada, Benedita da Silva , governou o Rio de Janeiro e saiu honrosamente, pela porta da frente. Contra ela não houve uma só denuncia de improbidade.

O Rio de Janeiro tornou-se um caos, mesmo sendo a porta de entrada do Brasil, o preferido pelos turistas, o maior produtor de petróleo e gás, tendo uma base econômica diversificada, serviços, indústria. comércio, agricultura. Tem, mais ainda, um povo que dá lições de vida,  driblando a adversidade com samba, alegria, bom humor, e o Rio é a Cidade Maravilhosa.  E tem carnaval. Segundo o ex-governador Albano Franco, que conhece o mundo todo, até já morou alguns meses em Paris,   a cidade, Rio de Janeiro, é a mais bonita do planeta. Não há porque contesta-lo.

O Rio é um estado rico, mas o fizeram caótico. Apesar dos volumosos  royalties   que recebe do petróleo, tem uma divida gigantesca com a União ,e um rombo de dezenove bilhões de reais, o sistema de segurança em grande parte associou-se ao crime, quase um terço da cidade do Rio é ocupado pelas quadrilhas.

O mega escândalo do banco Master não passou longe  do Rio. Pelo contrário, faz parte vistosa dos embrulhos de Castro, que retirou do Fundo de Pensão dos Servidores Públicos do estado, a “irrelevante” quantia de Cinco Bilhões de Reais, para aplica-los na pirâmide falsária do seu  “irmão” Daniel Vorcaro.

 

Há imensas perspectivas para investimentos, mas, ninguém quer investir numa terra ocupada por bandidos, que tanto habitam nos morros, nas favelas, e mais ainda nos palácios, e nas áreas de alto luxo.

Notícia do Rio de Janeiro: Os panificadores nas áreas imensas controladas pela bandidagem, estão sendo forçados a comprar farinha de trigo por eles fornecida . A  farinha dos fornecedores varia entre 60 e 70 o saco, a “ ofertada” pela bandidagem é de péssima qualidade e custa  30% mais do que os preços de mercado.

Enquanto isso a quadrilha engravatada trata de dividir os resultados da rapina.

 

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COMBATER O FEMINICÍDIO É OFENSA À MASCULINIDADE ?

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A espanhola Noelia Castillo tinha 25 anos, pediu na justiça para recorrer a eutanásia, ou seja a morte assistida, ela foi estuprada por um coletivo de bandidos, depois tentou suicídio e ficaram dores incuráveis, preferiu a morte.

 

Dos Estados Unidos aonde mora há mais de um ano Eduardo Bolsonaro disparou:” Essa questão de feminicídio e direitos das mulheres está se transformando numa agressão à masculinidade. Nós homens estamos ameaçados.” O ex- deputado federal que abandonou o mandato para ir aos Estados Unidos conspirar contra o Brasil,  conseguiu através do influencer Paulo Figueiredo chegar à cozinha de Trump, e convencê-lo a aplicar o tarifaço contra o seu país. Ele é hoje, aliás como toda a família, um “ agente ostensivo” dos interesses  de Donald Trump.

Eduardo Bolsonaro vai mais longe. Juntou-se à seita obscurantista liderada pelo Secretário da Guerra Pete Hagseth , o supremo sacerdote de uma seita que defende a  supremacia masculina , que é, nada mais nada menos, do que a submissão total das mulheres. Alguma coisa semelhante ao que fazem no Irã os aiatolás proprietários das mentes e corpos femininos.

Flávio Bolsonaro não difere muito do irmão, nem do seu pai, que, quando deputado  disse, num dos salões da Câmara Federal, com o dedo em riste  quase tocando o rosto da deputada Maria do Rosário: “ Você nem merece ser estuprada, porque é muito feia “. A Justiça o condenou por isto, mas foi uma pena leve. Teria de ser cassado por ausência de decoro parlamentar.

A direita, registre-se, sempre governou o Brasil. E a vida corria normal, havendo alguns avanços sociais até mesmo durante a última ditadura. O FUNRURAL, o sistema de aposentadoria para os trabalhadores rurais, foi criado em maio de 1972, pelo presidente general Emilio Garrastazú Médici, e beneficiava tanto aos homens como as   mulheres. Era a admissão de que  a mulher não era apenas o objeto de cama e mesa. Tinha presença na economia, trabalhava, produzia.

Getúlio Vargas,   por muito pouco não sucumbiu ao fascismo,  mas, na estreia da República dos Tenentes, em 1932, assinou decreto dando direito de voto às mulheres. Ao proclamar o Estado Novo, réplica do fascismo português,   Getúlio postergou sine die o direito ao voto, tanto para homens como para mulheres. Castrava-se por completo  a democracia, que ,ressuscitada em 1945, ainda   demorou a extinguir absurdos, tais como, um Código Penal que  prescrevia  pena de prisão variando de 6 a 15 meses para o crime de adultério. Mas não existia homem adúltero, adulteras, seriam apenas as mulheres. Detalhe: o cúmplice  da infiel, segundo o artigo 240 do referido Código também estava sujeito à mesma pena.

Só agora, bem perto, em 2005,  o crime de adultério deixou de existir. A tese exdrúxula de legítima defesa da honra, praticamente uma licença para matar mulheres,  prevaleceu até 2023, quando foi declarada inconstitucional pelo STF .

  

 Para que esses avanços acontecessem foi preciso muita luta, muita mobilização, muito protagonismo das mulheres. Na nossa sociedade senhorial-patriarcal,  na cerimonia do casamento católico o sacerdote  definia o papel reservado às mulheres: cuidar bem do lar, gerar e criar os filhos e ser submissa ao marido.

Hoje, em algumas igrejas pentecostais os Pastores recitam a mesma medieval arenga.

Enquanto nos dias atuais tornam-se espantosos os casos de homens matando mulheres, e tenta-se deixar bem claro o significado de feminicídio, endurecendo penas, criando-se sistemas protetivos, ampliando-se a conscientização  da sociedade sobre esta patologia social, vem dos Estados Unidos, da boca de um Bolsonaro a advertência:” É preciso defender a masculinidade. Nós homens corremos perigo”.

As eleições estão chegando, as mulheres têm o direito ao voto que conquistaram através de lutas.

Assim, a elas, hoje maioria no Brasil, cabe a responsabilidade  de manter sem ameaças os direitos que conquistaram.

 

 

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UMA CORREÇÃO QUE SE FAZ NECESSÁRIA

Cicero Dantas. um advogado inconformado com injustiças.

 

Divulgamos, semana passada, um artigo que escrevemos em 2015, sob forma de carta a um Juiz Federal que condenara  a 16 anos de regime fechado o Frei Enoque Salvador de Melo, por  irregularidades que teriam acontecido nas três gestões em que ele esteve  Prefeito de Poço Redondo. Recebemos centenas de manifestações de apoio, pelo que somos gratos. Mas houve uma observação feita pelo advogado Cícero Dantas que aqui cumprimos o dever de registrar, não antes de fazer  uma necessária reverencia, aquele menino pobre de Monte Alegre, que decidiu estudar, e veio, sem recursos para isso, tentar o curso de Direito em Aracaju. Hoje,

 o escritório do Dr. Cicero Dantas é um dos mais referenciados em Sergipe.

Mas ele não é apenas o causídico que se contenta com êxitos nos tribunais. É um cidadão atento aos caminhos e descaminhos da Justiça. E inconformado, quando sente o peso da injustiça recaindo sobre gente, sobre casos que  bem conhece. Assim, ele apresentou-se a Frei Enoque para defende-lo sem custo e sem custas.  Pagava sua  passagem para deslocar-se até a Justiça Federal no Recife. E foi lá que  conseguiu extinguir a pena de 16 anos.

E por fim, fica aqui a correção: Frei Enoque ao morrer não tinha mais sobre ele o peso da condenação.

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