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1) SOBRE TRAIÇÃO E OS TRAIDORES
2) A VACA LOUCA E O LIVRINHO DO FMI (MATERIA REPUBLICADA)
SOBRE TRAIÇÃO E OS TRAIDORES
Dois traidores, Pétain e Quisling na infâmia historica, e o terceiro ,Eduardo Bolsonaro, na lata de lixo da história.
Enquanto rolavam os anos sangrentos da Segunda Guerra Mundial ( 1939- 1945) um nome ganhou o mundo, tornou-se adjetivo, a simbolizar e marcar com a infâmia o ato solerte de traição à pátria. Chamava-se Quisling, Vidkun Quisling, o infame traidor. Era um alto oficial do exército norueguês, que criou o Partido Nacional Fascista, e tinha como exemplos, e ídolos, o nazista Adolf Hitler e o italiano Benito Mussolini. Defendia a colaboração com a Alemanha, e o surgimento de uma religião mundial, dela excluindo os judeus e negros, ou as raças consideradas inferiores. Ou seja ,queria um clubinho restrito de brancos, loiros de olhos azuis a tomar conta do planeta.
Quando, em abril de 1940 as tropas hitleristas invadiam a Noruega, Quisling ocupou as emissoras de rádio pedindo aos noruegueses que colaborassem com os invasores; isso, enquanto os seus seguidores comandavam atos de sabotagem, para facilitar o avanço alemão. Durante a ocupação Quisling, tornou-se um representante dos interesses dos alemães, no seu subjugado país. Deportou judeus para serem executados na Alemanha, fuzilou milhares de compatriotas.
De passagem, é oportuno lembrar que ele foi sumariamente condenado e fuzilado após o fim da guerra com a derrota do nazifascismo.
Há um outro traidor, esse de primeira linha, nome venerado na França, herói de guerra , o Marechal Phillipe Pétain. Quando as tropas alemãs invadiram a França em maio de 1940, logo o derrotismo espalhou-se pelo país. Pétain, que saiu como herói ao comandar os exércitos franceses na Primeira Guerra Mundial ( 1914-1918) . Vinte anos depois, idoso e senil, preferiu render-se aos alemães, sob o argumento de que, se assim não acontecesse o governo da Frente Popular, levaria o país a um desastre maior.
Aconteceu o impensável. Em menos de dois meses a França, apesar de ter o maior exército da Europa, a segunda maior Marinha, uma rede de colônias por todo o mundo, uma população quase igual à da Alemanha, capitulou vergonhosamente. Ao marechal Pétain coube “ governar “ um terço da França, que os alemães não ocuparam e permitiram que existisse, ganhando o nome de República de Vichy, uma pequena cidade onde se foram instalar os covardes e traidores, merecendo dos vencedores o premio do que sobrara da orgulhosa França, derrotada, humilhada. O marechal Pétain ao lado do político sem caráter Laval, do almirante fascista Darlan, formaram o núcleo vergonhoso de servidores da Alemanha hitlerista vencedora. O fim dessa história é bem sabido. O almirante Darlan foi executado pela resistência francesa na Argélia em 1942. Laval , preso, após o avanço das tropas aliadas, foi fuzilado, e o marechal Pétain, levado por Hitler para ser internado na Alemanha, após a rendição nazista voltou à França para ser julgado. Condenado à morte, foi, por uma questão humanitária salvo por De Gaulle, que o mandou para a prisão perpetua na Ilha de Yeu, no Canal da Mancha, onde ficou purgando seus crimes e sua vergonha, até morrer, execrado, em 1951, com mais de noventa anos. De Gaulle, líder da resistência, quando jovem oficial servira sob as ordens de Pétain, tinha por ele muita admiração, mas, enquanto comandava a resistência, o próprio Pétain o condenou a morte, caso ele pisasse no solo francês.
No Brasil temos algo semelhante a esses traidores, um deles, e mais famoso Joaquim Silvério dos Reis, que trai seus companheiros da empreitada arriscada e um tanto romântica da Inconfidência Mineira. O desejo de tornar o Brasil independente da Coroa portuguesa, que era cada vez mais ávida no saque praticado contra a Colônia submissa.
Silvério dos Reis negociou com o governo das Minas Gerais a delação em troca da dispensa das suas dívidas. Ele explorava uma mina de ouro.
Um outro foi Plínio Salgado, criador do Integralismo, o fascismo brasileiro. Após a tentativa fracassada de golpe dos “ galinhas – verdes” em 1938, ele, que era o líder do movimento foi refugiar-se em Lisboa, quando o Brasil já se encaminhava para aliar-se aos estados Unidos na guerra contra o nazifascismo . Tornou-se informante, conspirou com o Embaixador Alemão em Lisboa, pediu, sem sucesso, uma audiência com Hitler. Sonhava regressar ao Brasil como uma espécie de interventor da Alemanha. Não conseguiu, mas, retornando ao Brasil, e livrando-se de ser executado ou preso, ainda conseguiu eleger-se deputado federal algumas vezes.
O que o diferencia hoje, do clã dos Bolsonaros é o fato de Plinio ser um intelectual, um escritor com uma obra literária de alguma consistência.
Ou seja, ao contrário de Eduardo Bolsonaro que é um chucro,( até por herança) transitando entre os chucros que rodeiam Trump, Plínio pensava o Brasil , discutia nossos problemas e, ao seu modo, conseguia apontar soluções.
No caso dos traidores, infames, covardes e ignorantes de agora, existe apenas o interesse pessoal, os objetivos de uma família que não hesita em atraiçoar o Brasil, em levar a desgraça ao país e ao seu povo, desde que voltem a ocupar o poder, ainda que seja como serviçais de Donald Trump.
Deixamos de fora, propositalmente, o Calabar, por um simples motivo: no século dezessete nem existia um sentimento de brasilidade, e ele enxergava nos holandeses, principalmente no príncipe Mauricio de Nassau, executivo da Companhia das Índias Ocidentais, a multinacional dos Países Baixos, um modernizador, contrastando com o atraso que nos impunha a Corte lisboeta.
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MATERIA PUBLICADA EM 19/02/2001
A VACA LOUCA E O LIVRINHO DO FMI
Vez por outra o Brasil sofre desses surtos de nacionalismo epidérmico, que resultam em protestos, manifestações, marchas, discursos exaltados, denuncias, e tudo o mais que compõe o nosso arsenal de justos ressentimentos latinos e terceiromundistas. O episódio da vaca louca e a perfídia canadense, jogando ao lixo a carne brasileira, despertou um desses surtos de nacionalismo, uma palavra aliás que aos poucos foi caindo em desuso, a tal ponto, que, hoje, chega a ser confundida com alguma excentricidade.
Até o fleugmático e maneiroso sociólogo, persistente articulador da submissão brasileira, resolveu fazer coro com os brasileiros indignados e prometeu guerra, guerra de retaliações brasileiras ao frio, super desenvolvido país, recoberto pelos gelos, florestas e tundras do circulo ártico.
A capacidade de retaliação brasileira é hoje muito limitada. Desde que começou a desmontagem do Estado, e atrelamento do país aos interesses do capital internacional, a nossa vulnerabilidade só tem crescido.
O Canadá, antes colônia inglesa, hoje apêndice norte americano, deu apenas um exemplo de como é perigoso para o Brasil insistir na formação de um bloco econômico ao sul do continente, dando as costas para a ALCA, o mercado comum americano, canadense e mexicano que quer abocanhar as américas, com urgência até, pois a Comunidade Européia está quase consolidada, e o euro a partir do próximo ano, passará a ser internacionalmente uma referência monetária quase tão poderosa quanto o dólar.
Hoje no Brasil, nada se faz sem a aquiescência dos banqueiros internacionais e da grande instituição seguradora dos capitais em movimento pelo mundo: o FMI.
Poder-se-ia até dizer sem exageros, que, para o FMI e os países industrializados, FHC é o melhor e mais confiável gerente dos seus interesses.
O patrimônio nacional foi leiloado a preço vil, como ouro vendido a preço de banana. A banqueirada globalizada aqui mantou uma base poderosa, e ainda impõe para gestor do Banco Central, um disciplinado técnico absolutamente daltônico, que enxerga esverdeadas todas as moedas.
Sem surtos epidérmicos ou viscerais de qualquer forma de nacionalismo, as chamadas elites brasileiras sempre aquiescentes a tudo o que não toca de imediato no fundo dos seus bolsos, sequer reagiu, ao contrário, aplaudiu discreta ou até entusiasmadamente.
O Brasil hoje é susceptível a sofrer todos os males oriundos das crises que afetam o capitalismo, até mesmo uma fugaz ameaça ao bife saudável das mesas ricas.
Mas, para todos os efeitos, ficou o irado protesto do presidente defendendo a tempo e hora os nossos espezinhados brios de nação afrontada. Não é FHC o homem providencial para esses instantes?
Não fez ele o real?
Não criou agora, em momento de grande desilusão pela perda de ética e da moralidade na vida pública a salvadora Lei de Responsabilidade Fiscal?
Temos então um presidente que zela pela estabilidade da moeda, que está vigilante quando pisam em nossos calos, que deu resposta eficaz à indignação da sociedade diante de tantos casos de desastrosa e desonesta gestão dos recursos públicos.
Mas a nossa Lei de Reponsabilidade Fiscal é exata cópia de um
Manual de Gestão Financeira elaborado pelo Banco Mundial e hoje seguido com a rigidez inflexível de um livro sagrado, posto a fazer parte da legislação de vários países do terceiro mundo, principalmente daqueles devedores com dificuldades para pagar.
É preciso deter a roubalheira dos administradores públicos, sem dúvidas, mas, acontece que a Lei de Responsabilidade Fiscal, que se aplica a São Paulo e também a Pedra Mole, tem como preocupação maior, assegurar sobra de recursos, mesmo retirados das escolas, dos hospitais, das estradas, para que, estabelecendo-se o chamado equilíbrio financeiro, a dívida externa possa ser religiosamente paga pelo governo brasileiro.
Mais importante do que a moralização, é, sem duvidas, para essa turma de "Chicago's Boys" que manda e desmanda em Brasília, a garantia da pontualidade na amortização da dívida externa. Para garantir isso, eles ocupam todos os cargos, a começar pelo Banco Central, evidentemente.
Em Sergipe, dois estudiosos, juristas e especialistas em contas públicas, o advogado Carlos Britto e o Conselheiro do TC Carlos Pinna, dedicam-se ao estudo da Lei de Responsabilidade Fiscal, e fazem um confronto entre o texto que está até no site do Banco Mundial e a nossa lei, ou melhor, a cópia perfeita e exata do livrinho agora distribuído pelo FMI.
É por isso que um histórico e combatente nacionalista como Seixas Doria, diz, desolado, que tem hoje a tristeza de assistir, aos oitenta e quatro anos, a esse episódio vergonhoso de compra e venda ao atacado e varejo, daquilo que outrora chamou-se soberania nacional.