Blog Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências.
Além desse blog, escreve duas páginas dominicais no Jornal do Dia.
"30 ovo a dez real" ou o que Fidel não enxergou
03/03/2018

“30 OVO A DEZ REAL” OU O QUE FIDEL NÃO ENXERGOU

         Nas ruas de cidades brasileiras começaram a aparecer os carros, quase sucatas, com um rústico alto falante em cima anunciando: “É trinta ovo a dez real, trinta ovo a dez real”. Neles, uma só pessoa sendo motorista, locutor e vendedor, tendo que ouvir as perguntas chistosas e nada gentís: “É de urubu? Tá podre?”.

         O preço do ovo, imaginava-se e, nisso carregando a nossa inseparável memoria inflacionária, logo subiria.  Transcorreram meses e o ovo continua a 30 por dez reais. Mas o que haveria de extraordinário na venda de ovos a baixo custo?

         Em primeiro lugar, trata-se de uma lição de eficiência pontual, oferecida, como exemplo virtuoso, a um país contaminado por uma carga letal de ineficiências. A causa está em diversos fatores, entre eles, os mais visíveis no aparato público, onde se incluem um sistema tributário calamitoso, uma burocracia paquidérmica, a corrupção, que, desde o topo se torna um devastador vírus, e o corporativismo, que é a ferrugem das instituições.

         Junte-se a isso tudo um capitalismo vicioso, que se construiu ao amparo ou, até, a custa do Estado e que nunca perdeu a ânsia dos favores públicos, ainda que ilícitos. Aliás, não há licitude onde prosperam favores.

        Tudo isso compõe a imagem apodrecida do Estado e da sociedade brasileira. Num clima assim, não se imagina que possa funcionar uma economia sustentável e eficiente.

         Veja-se apenas um micro exemplo, que evidentemente ganha repercussão, pelo menos nas mídias sociais, dada a projeção dos seus dois protagonistas. Não faz muito tempo, já no auge da crise econômica, quando o plantador de coentro ali de Itabaiana, o queijeiro de Frei Paulo, terra natal que Ancelmo Gois tanto nacionalmente projeta, sonhavam com a possibilidade de um crédito de 5 ou 10 mil reais a juros decentes, em qualquer banco público ou privado, para ter um respiro e não o conseguiam. Enquanto produtores pelo país inteiro, precisando de crédito, batiam, sem sucesso, às portas dos bancos, dois sujeitos muito ricos, João Dória, o prefeito de São Paulo, e Luciano Hulk, o quase candidato à Presidência, tomaram no BNDES, cada um deles, algo aproximado a 30 milhões de reais. Juros de mãe pra filho, inferiores a 3% ao ano, prazo generoso de carência e a influência para ser largamente traficada no decorrer do longo prazo de pagamento.

        O financiamento é exclusivo para empresas que desejem modernizar seus parques industriais. O que Dória e Hulk adquiriram? Dois jatinhos executivos fabricados pela Embraer. Em escala enormemente maior, coisas assim acontecem todo o dia, agora, com maior frequência, dado o clima de devassidão ética   instalado na nossa opilada República.

         Cuba, como se sabe, é um país que se declarou comunista em 1961. Fidel expropriou empresas estrangeiras, estatizou até os galinheiros e as bancas de jornal e coletivizou a agricultura. Até hoje tentam organizar produtivamente a economia, depois de constatarem que era preciso, progressivamente, voltar ao regime da liberdade de iniciativa e acabar o absurdo da criminalização do lucro. A economia totalmente movida pelo Estado nunca deixou de ser pachorrenta. Os sucessos extraordinários na educação, na saúde, no esporte, começaram a não dar respostas, porque havia engenheiros, médicos, cientistas, agrônomos, de braços cruzados, por falta absoluta de oportunidades. À mesa dos cubanos o alimento ainda chega escasso, racionalmente compartido. Os campos quase nada produzem além da cana.

         Nas granjas estatais as galinhas botam poucos ovos, os frangos não engordam. Fidel Castro não sabia, óbvio, que o patriarca da família Pina, que era funcionário do Banco Econômico, começara nos anos 50 o seu bem sucedido negócio no ramo de aves e ovos, criando frangos no quintal, para vendê-los assados na “televisão de cachorro”, nas proximidades da “zona”, onde concentravam-se boêmios notívagos e prostitutas cansadas e passavam os madrugadores indo ao Mercado Municipal. Imaginemos, por absurdo, que Fidel, nos primórdios da sua revolução, convidasse o jovem Joseval Pina Moura para ir instalar em Cuba a granja que já projetava em Sergipe. Abriria, então, o jovem revolucionário já se tornando ditador, um espaço econômico nos moldes da livre iniciativa, para que Joseval desenvolvesse o seu negócio, lhe ofereceria incentivos e permissão para que fosse criada uma cadeia produtiva no mesmo modelo. Logo, na ração paupérrima oferecida pelo governo aos cubanos, não faltaria proteínas. Fidel, se não fosse ortodoxamente marxsista-leninista, como se proclamava, descobriria logo que era preciso liberar muito mais do que granjas.  O governo andaria melhor e ele poderia gritar: “Cuba Sí, Yankees No”, mas com a economia andando.

JOSEVAL PINA

Foto: Infonet

         “30 ovo a dez real” é a maior prova de que, no Brasil, o que falta é a junção, sem favores e virtuosa, da capacidade indutiva do Estado com o entusiasmo do empreendedorismo dos que desafiam crises, inovam, inventam padrões novos de produção e produtividade e levam à mesa do povo comida boa e a baixo preço, como fazem esses produtores de ovos.

         Recessão, crise econômica no Brasil, é apenas o resultado de gigantesca incompetência no setor público, e “30 ovo a dez real” é a demonstração de que o setor produtivo reage, mesmo diante de governos desastrosos, irresponsáveis ou calamitosamente corruptos.

         Todavia, quando sucessos acontecem não se exalta o povo, o trabalhador, o pequeno, o médio empreendedor, aquele sem favores, sem jatinhos presenteados pelo BNDES, que corre riscos e acredita e insiste. Mas, equivocadamente, tanto se fala na competência de ministros da fazenda, na capacidade de presidentes e, assim, corre-se o risco de ver o fenômeno dos “30 ovo a dez real” transformar-se em  marketing  calhorda, para encher o saco eleitoral de políticos mais calhordas ainda.  

A FICHA LIMPA EM SERGIPE MUDA CENARIO ELEITORAL

         A decisão (ou seria indecisão?) do Supremo Tribunal Federal a respeito da validade da lei da Ficha Limpa, já agora, nas eleições deste ano, vai fulminar muitas candidaturas e, em Sergipe, o impacto poderá ser pesado. A grande maioria dos eleitores nem lamenta, pelo contrário, até festeja esse impedimento dos chamados políticos fichas sujas. Se o nome que traduz ausência de higiene na vida pública, poderá ser adjetivação demasiadamente pesada ou mesmo um anátema que percorrerá a vida dos atingidos e, na prática, os afastará de forma irreversível da vida pública, isso, os aplicadores da Justiça devem ter muito bem avaliado e sopesado ao proferirem as sentenças.

STF

         Em Sergipe, políticos, como é o caso do deputado André Moura, poderão ter a carreira interrompida. A queda, se vier a ocorrer, será maior no caso de André, porque ele está, hoje, nas culminâncias do poder na República, que aliás desrepublicanizou-se, quando conferiu excesso de influência a alguns, para que manejassem vultosas verbas, e de forma discricionária, como se fossem Mandarins, que tudo podem, inclusive atropelar os ritos institucionais e os cuidados éticos.

         Há outras destacadas figuras igualmente equilibrando-se no fio da navalha, entre elas o ex-deputado federal Rogério Carvalho e o atual deputado federal João Daniel, que representaria uma perda enorme para os movimentos sociais, especialmente para o MST. Há ainda uma provável onda a atingir deputados estaduais e uma conselheira do Tribunal de Contas, a ex-presidente da Assembleia Angélica Guimarães.

         No caso do deputado André Moura, as esperanças dos seus advogados residem num pedido de revogação pelo Tribunal de Justiça sergipano, da sentença anterior de condenação. Nas regras do Supremo, a revogação de sentença proferida só pode ocorrer com maioria de metade mais três. Lá, cinco votaram a favor da manutenção e seis contra, como não se atingiu a cota que seria de oito, a presidente Carmen Lúcia manteve a decisão anterior. Resta saber se o TJ de Sergipe colocará em pauta apressadamente, antes do prazo de registro das candidaturas, o julgamento do pedido de anulação da sentença anterior, isso, numa época em que os olhos da opinião pública se voltam, atentos, sobre as decisões do Judiciário, um poder hoje, infelizmente, avaliado de uma forma nada condescendente.

         O Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luiz Fux, declarou, durante a votação da Lei da Ficha Limpa, que os políticos exercendo mandatos à custa de liminares para que pudessem concorrer nas últimas eleições, serão inapelavelmente alcançados e impedidos de candidatar-se.

O BANESE UM BANQUINHO FIRME QUE PRODUZ LUCRO

         Só restam hoje cinco bancos estaduais no Brasil. O BANESE é um deles. Os bancos estaduais que eram muitos, acabaram-se quase todos quando houve no governo FHC a reformulação do sistema bancário, o fim decretado de muitos deles, inclusive de grandes corporações, como o Nacional, o Econômico, outros incorporados aos enormes que restaram e agora absolutos, o Bradesco e Itaú, seguidos de perto pelo espanhol Santander, que chegou disposto a competir e crescer. Os grandes bancos americanos desistiram do Brasil, também um inglês, o poderoso HSBC, envolvido em tramoias graves, como agente de lavagem de dinheiro.

         A vida do miudinho Banese não foi fácil, mas no tempo das facilidades suicidas, quando se ganhava dinheiro nas operações de overnight e ninguém investia, só especulava, se tivesse nas mãos o dinheiro que derretia, naquele tempo, o Banese teve agências em Salvador, no Rio, em São Paulo. A sensatez determinou que o banco fizesse uma retirada estratégica e se concentrasse apenas em Sergipe. Nesses altos e baixos que atravessou o Banese, sempre nos piores momentos, chegava Fernando Motta, reunia uma equipe competente, planejava, racionalizava e o Banese ia superando tudo, inclusive graves problemas. O Banese, hoje, é uma fonte de lucros contínuos. Ano passado, com a distribuição de dividendos aos acionistas, o Estado que é o maior deles, recebeu mais de cinquenta milhões de reais. Com o Instituto Banese, o banco desempenha um papel importante no apoio a diversas áreas, a cultural principalmente, mas também complementando ações do governo em projetos de desenvolvimento, como, agora, a melhoria genética do rebanho leiteiro através da inseminação artificial.  O Instituto Banese mantem o Museu da Gente Sergipana.

         No momento em que o sistema bancário se torna, em grande parte, virtual e tende a suprimir completamente o atendimento físico, as agências se reduzem e o desemprego é ameaça constante. Fernando Mota e sua equipe de direção levaram o Banese ao encontro da modernidade, mas as agências espalhadas por todos os municípios continuam funcionando e atendendo a um público numeroso, que ainda não perdeu o hábito de ir ao banco na agência, pagar, receber e transferir recursos. O cartão Banese usado intensamente pelos sergipanos, começa a atravessar os limites de Sergipe e, breve, incorporando-se a uma bandeira internacional, terá aceitação no país e no mundo. O balanço do Banese do ano passado com certeza trará notícias que os acionistas mais gostam de ouvir.

AGÊNCIA DE ATENDIMENTO FÍSICO DO BANESE

FEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR EM CANINDÉ

         Quarta feira, dia 7, o Secretário da Inclusão Social, Zezinho Sobral, vai, com sua equipe e dirigentes da COHIDRO, e o prefeito Ednaldo, instalar as vinte barracas e equipamentos, para que nelas vendam seus produtos, os irrigantes do Projeto Califórnia. Será mais uma feira da agricultura familiar com a característica de que terá, também, produtos orgânicos e ficará à margem da Rota do Sertão, por onde passam os turistas indo e voltando do Cânion de Xingó, do Carrancas, de Piranhas e do Eco-Parque, em Poço Redondo, na Grota do Angico, onde acabou-se o bando de Lampião. É uma oportunidade para que se gere renda num município e numa região duramente afetada pela crise e a quase paralização da Usina de Xingó.

OS LABIRINTOS DAS INCERTEZAS POR ONDE SE METE O BRASILEIRO

         Para um povo que resiste, sempre mantendo ao seu lado aquela entusiasmante senhora chamada esperança, qualquer sinal de que a chuva chegou, se for nordestino, a inundação terminou, se for amazônico, é sempre um alento forte. Os demais brasileiros do oeste, do sudeste, os paulistas, que representam os variados Brasís concentrados, todos esses, se movem para trabalhar, criar, inventar, produzir. O brasileiro é cheio de qualidades, talvez o povo que mais as possua no mundo. E, dizer isso, não é ufanismo bobo ou patriotada idiota. Dizem assim, com muita convicção, todos os que percorrem a longa, e sempre atrativa, jornada em direção à alma do nosso povo. Escritores, sociólogos, antropólogos, pesquisadores, acadêmicos, inclusive estrangeiros, não poucos, que passaram do muro teórico dos campi para a seara, cheia do que se chama gente, e fazem, repetidamente, essas constatações. Mas esse povo esperançoso se deixa facilmente contaminar pelas ilusões, pelos modelos fajutos, pelas falas cínicas, pelos comportamentos pré-fabricados.

         Os políticos, aqueles que fazem a má, a desastrosa, a enganosa, falsa e criminosa política, sabem muito bem explorar esse lado de “creduli homine”, a expressão latina quase a definir o cidadão ingênuo. Por isso tantos ingênuos acreditam na capacidade de um Bolsonaro, para conduzir o Brasil, dando gritos, coices e liberando rifles para todos. Acreditam, ainda, que Lula, envolvido em todos os problemas nos quais se enrola e repetindo sandices, até elogiando Temer na recente e desastrosa entrevista que deu à Folha de S. Paulo, possa ele, Lula, ser o nome ideal para nos retirar dessa enrascada.


CHARGE SOLDA (CARTUNISTASOLDA.COM.BR)

         Começam, alguns, a acreditar que Temer, agora de novo sendo investigado, a quarta vez em um ano e meio de mandato, possa até ser uma opção nessas eleições tão próximas, para permanecer no Planalto ao lado de Moreira Franco, Padilha e outros também investigados como ele.

         Agora, com a mídia bem “domesticada”, estariam os brasileiros acreditando na ressureição econômica do Brasil a curtíssimo prazo. O PIB chegou a 1 ponto percentual, a inflação contida, as atividades econômicas retornando? Tudo isso acontece, porque nenhum país, ainda mais com a potencialidade do Brasil, passa mais de quatro anos mergulhado em recessão. Na verdade o que teremos a fazer é um enorme, quase mastodôntico, trabalho político-gerencial e não se faz isso com promessas sem conteúdo, com um discurso enganoso e com a corrupção instalada no poder. Teremos de buscar, dessa vez pelo menos, sem cobranças de posição ideológica, em primeiro lugar, apenas uma biografia limpa, uma experiência bem sucedida e sem manchas através de cargos públicos, segurança, firmeza para decidir; caráter, para não capitular ou trair os interesses da Nação. Se é que um político assim existe, mesmo que não gostemos dele, mesmo que a ele façamos restrições ideológicas, mesmo que nele não enxerguemos carisma ou teatralidade, mandam as circunstâncias que comecemos a avaliar a possibilidade de votar nele. Quando nada, só pela certeza de que não estaríamos assistindo a mais um filme com happy-end incerto.

JOSUÉ, O PROPEDEUTA QUE AGORA COBRA TRIBUTOS

         Josué Passos Subrinho é, essencialmente, o professor, ou digamos, o propedeuta, para, passeando assim pela origem grega do termo, melhor caracterizar o mestre, o homem de saber, que se esmera em transmiti-los. Tem Josué uma carreira acadêmica que o habilitou plenamente a exercer, com sucesso, mandatos de reitor, tanto da Universidade Federal de Sergipe, como de uma outra Universidade, também federal, em Foz do Iguaçu, Paraná. Em língua inglesa ele seria o scholar, o homem arraigado à academia, ao estudo, ao saber.

JOSUÉ MODESTO DOS PASSOS SUBRINHO

Foto: Infonet

         Quando assumiu a Secretaria da Fazenda, atendendo a uma espécie de convocação que lhe fez o governador Jackson Barreto, Josué a conhecia, digamos assim, a “vol d`oiseau”, na expressão francesa significando do alto, como os pássaros. Mas Josué é doutor em economia, tem vários trabalhos publicados sobre o tema que melhor domina. Não lhe foi difícil absorver rápido o funcionamento da engrenagem tributária e, com uma equipe técnica de alto nível que montou, toda integrada por funcionários da própria Secretaria, logo fez um diagnóstico da situação e definiu os remédios que deveriam ser prescritos para o presente e aqueles que facilitariam a vida no futuro. Josué é um cartesiano, uma qualidade que não excluiu o pragmatismo, apenas, o torna mais realista e preciso.

         Sobre uma recuperação financeira de Sergipe a curto, ou mesmo médio prazo, Josué se cerca de cuidados para dizer que isso não será possível inteiramente, enquanto durar o atual modelo federativo. Explica que Sergipe é impedido de planejar suas finanças, porque fica a depender das variações do FPE, o fundo de participação dos estados, que sofre variações, até quedas abruptas e sem aviso prévio. Cuidar de despesas e receitas torna-se, então, um sacrificado ofício, sob o peso da imprevisibilidade. Mas Josué não revela desânimo, nem considera incontornável a situação. As perdas registradas no auge da recessão, agravadas pelas desonerações tributárias feitas pela ex-presidente Dilma, refletiram-se pesadamente nas receitas de Sergipe e isso expõe, até de forma perversamente didática, destaca Josué, o tamanho da injustiça embutida nas relações federativas, clamorosamente desiguais. Aí está o cerne da questão e nenhum dos estados brasileiros pobres se libertará dessa situação subalterna, enquanto não se romperem os paradigmas que sustentam a nossa anacrônica modelagem federativa.

         Há novos investimentos chegando a Sergipe, lembra Josué, mas todos aqui aportam com isenções tributárias, se assim não fosse, os perderíamos para outros estados e estaríamos renunciando a empregos, a maior circulação de riqueza, ainda que, em termos tributários, os efeitos não sejam os desejados. Para que se evidencie claramente a nossa injustiça tributária, Josué faz a imagem do arroz consumido no restaurante do estado para carentes, o Padre Pedro, com o arroz consumido no restaurante Fasano, frequentado pelos ricos. O arroz certamente é diferente, mas a incidência da alíquota do imposto é a mesma. Ou seja, quem sustenta a arrecadação nesse modelo é, exatamente, a massa enorme dos pobres, da classe média, esta, ainda afetada duramente pelo Imposto de Renda. Josué exemplifica: o IPVA recolhido é superior a soma do IPTU ou, isto é, a propriedade é fracamente tributada, os mais ricos, sempre encontram formas de isenção. Ele esclarece que longe dele qualquer ideia de punir os ricos, estabelecer impostos sobre o sucesso empresarial, mas o andar de cima da pirâmide social teria de contribuir numa escala compatível com a situação que desfruta. Isso se faz em todas as grandes democracias sociais, mas aí há, também, a obrigação que o estado não cumpre, a de devolver corretamente, em prestação de serviços, os impostos que arrecada.

         A mais grave discrepância que existe a impedir o equilíbrio financeiro tanto em Sergipe, como na área federal e em todos os estados, situa-se, exatamente, na previdência social, mas, ao fazer essa afirmação, Josué enumera restrições ao modelo do projeto elaborado pelo governo federal e a forma como ele foi apresentado, pronto e acabado à sociedade e ao Congresso. Daí o fracasso, que era previsto. Em Sergipe, ressalta Josué, o problema da previdência é gravíssimo, mas estado não pode fazer previdência nova, terá de aguardar pelo governo federal e, este ano, isso não será mais possível. Sem depender do governo federal poderiam ser feitos alguns ajustes pontuais, a redução de algumas disparidades, mas isso envolve problemas de ordem política, que não podem ser superados pelo Executivo e Legislativo em ano eleitoral e de fim de mandatos.

         Josué alinha ideias para o futuro, vê no incremento da produção de óleo e gás, na cadeia produtiva que se formará a partir do complexo termoelétrico sendo iniciado na Barra dos Coqueiros, uma boa perspectiva. Mas as suas esperanças residem, principalmente, na superação desse clima de acirramento e odiosidades políticas, para, em um novo governo federal legitimado pelo voto, se encontrar a porta de saída definitiva da crise, com a aprovação das reformas, não só a previdenciária, mas a tributária, principalmente. Josué entende que Sergipe, a partir de então, poderá elaborar seu plano consistente de desenvolvimento, para funcionar como diretriz, a ser cumprida independente da sucessão dos governantes. É dificílimo, reconhece, mas deve ser tentado.

A NOVA PONTE UMA RÉPLICA DA QUE CAIU

         A nova ponte de Pedra Branca, numa escala menor, mas com o mesmo formato, mantidos os arcos que a diferenciavam tanto, já está pronta para ser inaugurada. Não mais servirá para o tráfego, aliás, a antiga que caiu já não tinha essa finalidade. Por ela passava, apenas, a volumosa adutora Propriá-Aracaju. Quando houve o desabamento, a DESO fez um quase milagre de eficiência, improvisando, em pouco tempo, uma nova estrutura, para suportar a extensão da adutora que desabou junto com a ponte. O racionamento de água em Aracaju nem chegou a ser sentido.

         Quando a Pedra Branca desabou, correu a explicação de que ela era demasiadamente velha. Velha por que? Tinha pouco mais de setenta anos e pontes são feitas para durarem, diríamos, quase eternamente.

PONTE JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA

Foto: Acervo Adailton dos Santos Andrade

Reproduzida do blog: fontesdahistoriadesergipe.blogspot

         Na Europa, na China, há pontes com mais de mil anos. Bem perto da Pedra Branca, que ficou obsoleta com menos de oitenta anos, temos algumas pontes de pedra, pequenas é verdade, mas que se aproximam dos dois séculos ou já teriam ultrapassado essa idade. Com a palavra o sapiente transeunte pelo nosso passado, pela datação e manutenção dos nossos monumentos históricos, o devotado pesquisador Luiz Fernando Ribeiro Soutello.

UMA ESCOLA MODELO, O EXEMPLO EM GERÚ

         Iniciando o programa Mais Educação, os professores da escola estadual Dom José Fernando Távora, em Tomar do Gerú, convidaram o Vice Governador Belivaldo Chagas para ir à festa, que era feita com a participação dos pais de alunos e da comunidade. Belivaldo foi a Gerú e chegou antes da hora marcada. Teve uma surpresa inicial. Não havia ninguém na porta e, no interior, todas as portas das salas estavam fechadas e o silencio era completo. Já estava admirado com a limpeza que existia, não se via um só pedaço de papel no chão. Resolveu então empurrar a porta de uma sala e, então, a surpresa maior: havia aula, o professor estava diante dos alunos que o ouviam contritos, como se assistissem a uma missa. Belivaldo fechou a porta e saiu abrindo as outras, ao verificar que todas as instalações da escola tinha ar condicionado e nelas havia o mesmo respeitoso clima de atenção aos professores. Reuniu-se então com o diretor, professor Franz Russenberg, e dele ouviu uma discrição entusiasmante sobre os êxitos alcançados. A essa altura já começavam a chegar as famílias dos alunos e as aulas terminavam. Chegaram os estudantes com suas fardas limpinhas, educados, a organização era impressionante. Belivaldo emocionou-se, abraçou alunos, professores, em seguida telefonou para o Secretário da Educação, Jorge Carvalho, e o parabenizou. Disse-lhe que aquele era o modelo perfeito da nova escola que estava sendo implantado em Sergipe.

ENTRADA DA CIDADE DE TOMAR DO GERÚ

“QUEM TEM  BOCA VAI A ROMA” OU  A RISADINHA DE SEGÓVIA

         O Segóvia ria, ria sempre, e o que significaria aquele riso? Quem sabe. E também falava, falava muito. E o que significavam as suas falas? A defesa que ele combinara fazer do presidente e seus ministros, começando por desqualificar a própria polícia dizendo: “Uma mala só não prova nada”. Depois veio o desastre que causou indignação na Procuradora Geral Raquel Dodge e colocou em alerta a PF. Falou Segóvia: As investigações contra o presidente deverão ser arquivadas.

         Segovia mostrou-se submisso quando indo ao Palácio do Planalto para ser empossado pelo presidente e foi servil ao ir, quase escondido, ao Planalto encontrar-se com o presidente e seus advogados, que estavam ocupados em responder às dezenas de perguntas formuladas ao Chefe da Nação, vergonhosamente sendo investigado pela PF, que Segóvia comandava.

         O novo delegado chefe já empossado, Rogério Gaelo, falou firme e não fez acenos de agrados a quem quer que seja. A imagem da PF, que quase foi levada ao chão, escapou inteira.

         Mas o Segóvia de tanto falar, dá consistência ao antigo ditado: “Quem tem boca vai a Roma”. Ele chega a Roma compensado pelo presidente, a quem serviu com tanta impudica coragem. Vai ser adido na Embaixada Brasileira em Roma. Presente que recebeu de Temer e foi por ele mesmo anunciado. Irá, vez por outra, percorrer as belas instalações setecentistas do suntuoso Palácio Dória Pamphili e, como a Via Veneto, fascinante, fica logo em frente, Segóvia, mais sorridente ainda, (estará ganhando em Euros) transitará por cafés, bares, restaurantes e lojas de grife, todas famosas.

PALAZZO DORIA PAMPHILJ

Foto: Itamaraty

         Na saída ele citou duas vezes Júlio Cezar, e o fez em latim, mesmo tendo sido vergonhosamente destronado, pela reação da PF, da Procuradora Raquel Dodge e pelo pito que levou do ministro Luiz Roberto Barroso, ousou: “veni vidi vici” (Vim, Vi, Venci). E finalizando apoteótico: “Alea jacta est” (A sorte está lançada). Não restam dúvidas, o homem foi mesmo uma indicação do acadêmico José Sarney.

MANOEL MOACIR E O QUADRO NA PAREDE

         Manoel Moacir, que acaba de deixar a chefia da EMBRAPA - tabuleiros costeiros, com sede em Aracaju, pediu aposentadoria. Trata-se, como diz metaforicamente um dos seus amigos, de um “quadro” demasiadamente valioso para ficar pendurado anônimo em uma parede. De fato, encontrar um quadro humano com as experiências e conhecimentos de Moacir, não é tarefa fácil, mesmo já sendo bem amplo os quadros disponíveis, representados por tantos técnicos detentores de todas as pós-graduações possíveis.

MANOEL MOACIR COSTA MACÊDO

Foto: Assessoria da EMBRAPA

         Manoel Moacir é agrônomo e advogado, professor, doutor em sociologia numa universidade inglesa. Sua vistosa folha de serviços inclui participações em setores diversos da administração pública. Técnico da EMBRAPA, ele fez concurso, como exige aquela exemplar estatal, para habilitar-se a ser gestor e foi escolhido pelos colegas para ocupar a chefia da EMBRAPA, o que vinha fazendo há quatro anos. Os pesquisadores e os servidores da EMBRAPA de um modo geral são servidores que ajudam, todos os dias, a retirar do limbo o conceito desprimoroso que existe em relação às nossas estatais. Nossas?

         O agora aposentado ajudou a fazer pesquisas fundamentais para que fosse reforçado o setor primário da nossa economia. O sucesso na produção do milho, na formula virtuosa do agronegócio em escala ao lado da agricultura familiar. Também no cultivo da soja no agreste nordestino, registraram-se avanços hoje incorporados à prática. Alagoas já está colhendo safras de soja. Manoel, com o respaldo dos técnicos que estavam sob seu comando, aponta uma região entre Frei Paulo e Carira, onde existem solos mais propícios ao plantio da soja do que nas áreas onde o Brasil já alcançou recordes de produtividade.

         Num estado como Sergipe, onde são tão escassos os gestores de alto nível, deixar um “quadro” como Manoel Moacir pendurado numa parede por força da inatividade, é, convenhamos, um danoso desperdício.

A DESO LIVRE DO QUE DESEJAVA MEIRELES

         Logo depois que Meireles assumiu o Ministério da Fazenda, o governador Jackson Barreto pediu-lhe uma audiência. Queria tratar de coisas do interesse de Sergipe. Recebido por ele, o governador fez um relato dos efeitos da recessão sobre as finanças do estado, insistiu na necessidade de uma renegociação da dívida e atendimento a diversos pleitos, que transitavam desde o primeiro mandato da deposta Dilma. Meireles prometeu analisar tudo com muita atenção e boa vontade e seguiu-se, então, a exigência ou imposição: Para ser ajudado, Sergipe precisaria, em primeiro lugar, aderir ao programa de desestatização, verificando tudo o que poderia ser privatizado. Parecia já ter armado o bote e sinalizou: estamos interessados em privatizar todas as empresas de águas e esgotos e Sergipe tem a DESO.

         Combinou-se que haveria um estudo sobre a situação da empresa e as condições existentes para a venda. Esse estudo foi sendo arrastado, porque Sergipe deixou, propositalmente, o tempo correr, enquanto as relações de Jackson com o presidente Temer, seu companheiro de partido, se deterioravam, por Temer nunca ter perdoado Jackson, que se manifestara várias vezes contra o impeachment.

         Temer logo designou, sem precisar assinar decreto, um “interventor federal para Sergipe” e escolheu o deputado André Moura. Jackson nunca fez qualquer reclamação, pelo contrário, para viabilizar pleitos do estado procurou entender-se com André, que sempre se manifestou solícito, mas, coisas fundamentais como um empréstimo do estado na Caixa Econômica de 560 milhões de reais, teve sua concretização  suspensa por interferência direta do Palácio do Planalto, mais ainda, depois que o ministro Marun, com atitudes de bandoleiro, deixou claro que o empréstimo somente  seria liberado com a garantia de votos a favor da reforma da previdência.

MINISTRO DA FAZENDA HENRIQUE MEIRELLES

Foto: Gustavo Raniere

         Jackson resolveu então jogar uma pá de cal definitiva na privatização da DESO, rompendo o cerco para que o Ministério da Fazenda continuasse varejando a situação patrimonial da DESO e quanto a empresa valeria para ser privatizada. JB deve saber que essa atitude poderá representar novas retaliações do governo federal, mas, depois de ouvir tantas vezes o presidente da DESO, engenheiro Carlos Melo, lhe expor o drama vivido por mil e setecentos servidores, decidiu ir à DESO e dizer: “Acabou a possibilidade da privatização. A DESO permanecerá como está, sendo sergipana, e cuidando de um assunto como a água, demasiado sério para ser tratado como coisa que pode gerar lucros e os senhores poderão retornar para as suas casas certos de que os seus empregos não serão ameaçados”.

A FAFEN VAI SER TORRADA NOS COBRES

         Nessa desmobilização ampla de ativos que faz para tapar o imenso rombo, a Petrobrás já se desfez de muita coisa e, agora, vai vender o setor de distribuição de combustíveis e de gás. Para o consumidor, não há sinalizações de melhoria nos preços, cada vez mais escorchantes da gasolina, do diesel, do álcool e do gás, com os botijões aproximando-se dos cem reais. Nada diminui enquanto persistirem os impostos que pesam sobre esses produtos. Na onda de privatizações logo entrará, ou até já teria silenciosamente entrado, a FAFEN, aqui, pelas terras de Laranjeiras.

FAFEN

O TZAR CRESCE E APARECE E O PSICOPATA ENCOLHE

         Vladimir Putin mostrou ao mundo as suas armas, e que armas! O agora “Tzar de todas as Rússias” se compraz em exibir o poderia bélico, quer mostrar ao mundo de que lado está a maior capacidade destrutiva. E vai conquistando terreno, ampliando a suas fronteiras geopolíticas, mostrando a que veio na Síria reconquistada em nome do férreo ditador Bashar El Assad, que tem, efetivamente, apoio da maioria da população e comanda, sem questionamentos, os exércitos e a guerra. Putin constrói alianças, amplia a influencia russa, enxerga o mundo além das suas fronteiras, recoloca o seu país no centro da hegemonia mundial. Tem agora o argumento irresistível de uma arma revolucionária: um míssil de cruzeiro, movido à energia nuclear, o que significa dizer que é capaz de fazer várias voltas em torno do planeta e conduzindo, na ogiva, cargas nucleares, cada uma de 50 megatons. Para  que se tenha uma ideia da coisa, uma só bomba é capaz de arrasar um território do tamanho da Bahia, isso, além das consequências letais da radiação se espalhando por mais longe ainda.

          Se alguém se dedicasse a medir a irracionalidade humana em megatons, qual a cifra que ela iria merecer?

Vladimir Putin, o “Tzar de todas as Rússias”

Foto: Alexander Nemenov/AFP/Getty Images

         Putin, o novo Tzar, expande o império e, é bom lembrar, que o Brasil a ele se associa através dos BRICS, Brasil-Rússia-China-África do Sul. É por aí que transita o futuro. A diplomacia bem concatenada nos governos de Lula, teve a capacidade de enxergar um caminho novo. Precisamos fortalecer parcerias, inclusive no plano militar com a Rússia, a China, isso, sem brigas nem atritos com os Estados Unidos. É jogo complexo que passa muito além dessas cabeças aferradas à concepção obsoleta de que devemos andar a reboque do país de Donald Trump.

         Enquanto a Rússia e a China movem a globalização, e nela se inserem como principais protagonistas, o grande mentecapto Donald Trump se encolhe no seu estúpido grito, que, aliás, fascina boa parte dos americanos: “América First”.

       O russo Putin e o chinês Xi Ji Ping ampliam o comércio, trocam figurinhas com o mundo. A China tem um programa de um trilhão de dólares para levar investimentos ao mundo, para o Brasil seriam mais de cem bilhões, em estradas, ferrovias, projetos industriais, nos oferecem, também, equipamentos de última geração para modernizarmos as nossas forças armadas.

        E Donald Trump taxando o aço e o alumínio que exportamos para os Estados Unidos, que representa um terço do volume total. O mesmo tratamento será adotado ao Canadá, China e Austrália, países também exportadores. Trump é um tipo de psicopata que vendeu a alma para chegar ao poder político, depois de muitas trambicagens feitas para ser bilionário. Ele age em função dos interesses dos seus apoiadores, entre eles, os industriais do aço, a Associação Nacional do Rifle, as petroleiras, as mineradoras de carvão. As aciarias americanas estão sucateadas, não foram atualizadas e não têm condições de concorrer com o aço brasileiro, canadense ou australiano. Vão ser protegidas pela taxação determinada por Trump, mas os preços do aço, do alumínio, irão subir muito e, aí, as indústrias automobilísticas, da construção, bélica, naval, de equipamentos diversos, irão chiar e, mais ainda, os consumidores americanos. O psicopata está armando, contra si, mesmo uma bomba muito mais poderosa em termos de reação da opinião pública, do que a aquela de cinquenta megatons do tzar russo.

O MP E A HOMENAGEM AO EX-PROCURADOR

HOMENAGEADO GILTON GARCIA E A MEDALHA TOBIAS BARRETO

Foto: Portal do MP SE

         Para a entrega da medalha do mérito Tobias Barreto a Gilton Garcia, o Colégio de Procuradores fez concorrida solenidade. Lá estavam amigos, familiares do homenageado, representantes dos poderes, empresários, acadêmicos.

         O procurador Moacyr Motta, que por duas vezes chefiou o MP sergipano, amigo de Gilton, seu secretário da Justiça e Segurança quando ele foi governador do Amapá, descreveu, em síntese, a luta contra o tempo para que o território se transformasse em mais um estado da Federação. Lembrou a trajetória de Gilton como primeiro cassado pelo regime militar que ocupou um cargo público, exatamente a chefia do MP. Fez uma passagem pela família do homenageado, lembrando que o seu pai, Luiz Garcia, dá seu nome ao edifício sede do MP e que três Garcias foram governadores: Luiz Garcia, de Sergipe; o irmão José Garcia do Mato Grosso e o filho Gilton, do Amapá.

         Gilton fez um discurso marcado pelo agradecimento. Um retrospecto da sua vida, da passagem por vários cargos de confiança e também eletivos, recordou os tempos ásperos das perseguições e das vinditas políticas. A cassação do seu mandato, a absolvição pela Justiça, a devolução simbólica do mandato perdido, também a solidariedade dos sergipanos, da família sempre presente e que o fortaleceu. A volta à vida pública, tornada possível pela coragem do governador Augusto Franco, novos cargos exercidos daí em diante. A reparação da injustiça, feita pelos advogados sergipanos, que o fizeram presidente da OAB, e, nessa condição, obteve licença do comando militar para fazer uma visita aos presos políticos, na feroz repressão ocorrida em Sergipe no início do ano de 1976.

 

NAS REDES SOCIAIS:

VISITA DO GOVERNADOR A CAPELA NA PRAIA DO SACO

O governador Jackson Barreto, o conselheiro Carlos Pina, o secretário de Infraestrutura Valmor Barboza, o Secretário do Turismo Fábio Henrique, o presidente da Adema Chico Dantas, o pároco e pessoas que lutam pela salvação da capela do Saco estiveram no local analisando as providências possíveis para conter o avanço das marés.


FONTE: WHATSAPP

 

Manifestação Pública: Somos todos Carlini


Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência SBPC fez este abaixo-assinado pressionando Autoridades competentes, do Estado de São Paulo e do Brasil

 

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) conclama todos os sócios e sociedades científicas associadas, membros da comunidade científica e acadêmica e a toda a sociedade a assinarem a manifestação pública em defesa do cientista e professor emérito da Unifesp, Elisaldo Carlini, e pela liberdade de pesquisa científica no País.

 Aos 87 anos de idade, 62 anos dedicados à pesquisa, e com mais de 12 mil citações de seus trabalhos em artigos científicos de todo o mundo, o professor foi chamado para depor na polícia de São Paulo, na última quarta-feira, 21 de fevereiro, para prestar depoimento sob a alegação de fazer apologia ao uso de drogas. Segundo o manifesto das entidades científicas, esta ação é “uma provocação cruel e vazia contra um cientista que dedicou toda sua vida à fronteira do conhecimento”.

A SBPC ressalta que a participação de todos é fundamental para que a Campanha tenha a força necessária, uma vez que este ato atinge não apenas o grande pesquisador Elisaldo Carlini, mas todos os cientistas brasileiros e ameaça a liberdade de pesquisa e de expressão.

MANIFESTAÇÃO PÚBLICA

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) repudiam veementemente a intimação policial do Dr. Elisaldo Carlini para depor sobre suposta apologia às drogas. Professor emérito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), membro titular da ABC, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), primeiro representante da SBPC no Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), condecorado pela Presidência da República e premiado internacionalmente, aos 88 anos o Dr. Carlini continua sendo o mais respeitado cientista brasileiro com atuação na área de drogas. Já nos anos 1970 ele produziu pesquisas pioneiras que caracterizaram a ação anti-convulsivante da maconha, que apenas nos últimos anos começou a ser amplamente reconhecida no Brasil. As descobertas do Dr. Carlini permitiram a formulação de remédios eficazes para tratar doenças como epilepsia e esclerose múltipla, hoje utilizados em diversos países. Acusar o Dr. Carlini de apologia às drogas equivale a criminalizar a inteligência e o conhecimento técnico-científico. Trata-se de uma provocação cruel e vazia contra um cientista que dedicou toda sua vida à fronteira do conhecimento. Nas palavras de Bertolt Brecht, “há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”. O Dr. Elisaldo Carlini é imprescindível e sua carreira é uma apologia à vida.

 Encabeçam este manifesto os seguintes presidentes de honra da SBPC:

Ennio Candotti

Francisco Mauro Salzano

Helena Bonciani Nader

Marco Antonio Raupp

Otávio Guilherme Cardoso Alves Velho

Sergio Machado Rezende

Sérgio Mascarenhas de Oliveira

FONTE: CHARGE.ORG

LINK: http://chn.ge/2FBRDFe

 

 

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