Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa | Jornalista
A MERDA NO VENTILADOR
12/02/2026
A MERDA NO VENTILADOR

RÁPIDAS

 

A MERDA NO VENTILADOR

No teatro francês a palavra merde, ( aqui é merda mesmo)  era trocada entre os atores como forma  de desejarem sucesso recíproco. No tempo das carruagens, elas  traziam as pessoas, geralmente aristocráticas, que chegavam para assistirem a peça. Pelo volume de merde que os cavalos deixavam na rua avaliava-se o sucesso do espetáculo.

O senador Alessandro jogou merda no ventilador.  Ao contrário dos atores franceses não desejando sucesso aos atores políticos no mesmo palanque; lambuzou de vez o ambiente, quando, numa mudança súbita, a exemplo de como agem os bipolares, partiu para o ataque grosseiro, ao outro candidato o ex- deputado André Moura.

No dia anterior ele dissera que iria conviver respeitosamente com André, dele discordando, e tendo divergências, mas reconhecia que ele, quando deputado ajudara muito Sergipe, pela sua habilidade em conseguir recursos federais. E era preciso seguir a liderança de Mitidieri e aceitar o modelo que ele escolhera para melhor enfrentar a campanha.

Mais delegado do que político, Alessandro parece andar com a Polícia na cabeça, e deixa longe a indispensável habilidade.

 

MITIDIERI TERÁ DE DESINFETAR

Ao governador Mitidieri caberá a repugnante tarefa de desinfetar o seu palanque. André, que digam dele o que quiserem, tem uma expressiva carga de votos, e serviços prestados. Ele disse claro e em bom som ao radialista Narciso Machado para todos ouvirem, que não ficará onde Alessandro estiver. Não revidou com xingamentos , mas, deixou uma certeza:  não haverá caminho de volta, por respeito à sua família, aos seus apoiadores, ao povo sergipano não permanecerá um  só instante no palanque onde estiver o seu companheiro de chapa que “ ligou o ventilador “.

A desinfecção a ser feita por Mitidieri  terá de afastar do seu cenário um dos dois concorrentes ao Senado Federal.

 

A FESTA EM ITABAIANA

Em Itabaiana onde o prefeito Valmir de Francisquinho ( só pensa naquilo) houve festa enquanto Alessandro falava. Prevendo o rompimento, o grupo francisquista que não é desprezível, fazia os cálculos de quantos votos terá  a chapa ainda incompleta de Valmir, se a ela vier juntar-se André Moura.

ROGÉRIO PERTO DO 2º MANDATO

Rogério Carvalho que aparece em primeiro lugar nas pesquisas, desde meados do ano passado, vê os horizontes alargarem-se para ele , até  por ser um senador atuante e progressista. Poderá ter até o privilégio de escolher alianças.   Depois que Mitidieri declarou antecipadamente o voto em Lula, o  lugar de Rogério no mesmo palanque não estaria descartado.

EDVALDO SOA O SEU BUMBO

Tendo sido um eficiente prefeito e tocado o seu bumbo em todas as festas de São João e São Pedro, Edvaldo, satisfeito com a adesão do grupo progressista a ele, onde se incluiu recentemente o ex-governador Jackson Barreto, enxerga agora uma oportunidade para somar votos no interior, o que lhe faltaria para completar a excelente receptividade em Aracaju. Anima-se muito com a disputa pelo Senado.

UM EX-SENADOR QUE ESCREVE

O  ex-governador Valadares foi um dos melhores senadores que Sergipe mandou para a Câmara Alta.

Aposentado,  afastado agora da política mas não distante dos fatos, é um atento observador do que gira em torno, de Sergipe, do Brasil, do mundo. Leitor assíduo, sem dispensar uma boa música, Valadares preocupa-se hoje com a situação do nosso Velho Chico. Diz que já falaram tanto em revitalização e o rio continua morrendo. Escrevendo esporadicamente crônicas, ele vai agora concentrar-se em um só tema: o São Francisco. E lá para o fim do ano lançar o livro.

 

SEALBA É A NOVA CARA DE  SERGIPE

A presença marcante das microempresas ao lado das grandes, foi o destaque do evento.

 

Sergipe, menor estado brasileiro, quase um pontinho no mapa de estados imensos, sempre revelou alguma cifra, ou algum talento que o colocou em boa posição entre os maiores .

Lá pelos primórdios da colonização   a corte portuguesa escolhia seus nobres pelo sangue ou pela bajulação, e a eles entregaram sesmarias na terra recém descoberta. Foram distribuídas ao longo dos rios, e algumas eram imensas. No espaço que viria  a ser o  futuro Sergipe, algumas poucas dezenas de capitães de terras eram os senhores de tudo.

Ausentes, uma parte, e outra  sem dinheiro para ocupar seus domínios, os capitães fracassaram na tarefa colonizadora. Mas, começaram a vender seus tratos de terra para quem queria formar rebanhos, ou montar engenhos de cana de açúcar. Na virada do século dezoito para o dezenove, havia  mais de 500  engenhos,  o grande negócio, que fez de Sergipe  um dos maiores exportadores de açúcar da colônia.

Em 1859 o Imperador Pedro II desembarcou  do vapor Apa,  no porto de   Aracaju, a nova capital da província  separada da Bahia em 1820.

No  Diário de bordo mal escrito e chato, o monarca sem nenhuma empatia com a terra e as gentes,   descreveu com alguma surpresa as modernas máquinas de descascar arroz, algodão e mamona, industrializando a produção local. Sergipe  ocupava uma boa posição no plantio e beneficiamento desses produtos.

No começo do século vinte Sergipe era presunçosamente chamado de a Bélgica Brasileira. Seria um modelo  comparável ao país mais industrializado da Europa. A produção local de algodão  atendia a demanda de mais de dez fábricas de uma diversidade de panos. Acabou a lavoura do algodão abatida por uma praga, e os engenhos  apagaram seus fogos. Mas surgiram as usinas, hoje, a Pinheiro do empresário Osvaldo Franco dá continuidade ao que o seu pai Augusto Franco fez , e a sucro-alcooleira, alcança uma produtividade comparável às congêneres de São Paulo e Paraná. Existem várias outras.

Ao lado  da cana surgiu o coco. O plantador Melício Machado, tornou-se o primeiro do Brasil, e a revista  O Cruzeiro de maior circulação   o colocou na primeira página com o título: “ O Rei do Côco “.

Por esse tempo, Sergipe ganhava o título de  “Reino do Indu – Brasil”. Era um zebuíno pesadão, importado da Índia, que aqui aclimatou-se e atingiu índices impressionantes de qualidade genética, pelo trabalho de criadores como Horácio Gois, Martinho Almeida, Murilo Dantas , seu Belinho, entre outros.

Agora, os recordes saem de um excelente rebanho de vacas girolanda, quase todas produzindo mais de trinta litros de leite, algumas, chegando a mais de cinquenta.

Ao lado disso surgiu um parque industrial importante, com  laticínios modernos de grande porte, e uma numerosa rede de  unidades pequenas produzindo queijo, manteiga, e transformando o semiárido numa  região, sem fome, sem desemprego. Santa Rosa do Ermírio em Poço Redondo é uma das bacias leiteiras maiores do Brasil. Sergipe vive a “ era do leite “ como já viveu a “ era da laranja”, e é um importante exportador de suco.

Mas, parodiando Camões poderíamos dizer: “Cesse tudo o que a antiga Musa canta, porque um valor mais alto se alevanta”.

Em Sergipe, o “ valor que se alevanta,” é,  o milho.

 

Pelos anos setenta, um jornalista que rodava por estradas vicinais da França, parou num local onde havia uma  vistosa plantação de milho. Não enxergando cerca, ele entrou e colheu uma espiga, foi mostrar à esposa.  Admirados ficaram a manuseá-la, comparando-a   às  mirradas  das humildes roças sergipanas.    Três delas não teriam a quantidade de uma única francesa.

Quarenta anos depois, semana passada visitando a SEALBA, com o genro Antônio Mendonça e o cunhado Sérgio Menezes, ambos engenheiros e produtores rurais, lembrou da espiga francesa, vendo espigas sergipanas, maiores, mais vistosas, os grãos colados em fileiras de uma geometria perfeita.

Ali estava um exemplar da nova era de Sergipe, a do milho.

O agronegócio chegou com força,  e transforma Sergipe e o nordeste, e a SEALBA, reunindo Sergipe, Bahia e Alagoas, é um exemplo do potencial de uma região  onde, faz algum tempo, o campo era uma miséria só, e dele saiam  todos os dias dezenas de caminhões, os “paus-de- arara”, levando os retirantes, buscando ganhar a vida nos campos do sul.

A SEALBA ,o  grande mostruário do  sucesso enorme do nosso agronegócio, não esqueceu de reservar espaço para a agricultura familiar, que é importantíssima. Disso,  cuidou a advogada Priscila Chagas Felizola, a dirigente do SEBRAE, no espaço onde se viam o sucesso das micro empresas, cada vez mais sustentáculo da economia brasileira. Os que visitavam o espaço SEBRAE constatavam o dinamismo e a aproximação daquela engrenagem  do vitorioso sistema S, com os prefeitos, para que cada município passe a cuidar do que é essencial: plantar, colher, vender, incorporar tecnologia, e fixar as novas gerações ao campo, dando-lhes orgulho por nele viver , e nisso, os  convênios com a Universidade foram fundamentais.

Dois servidores públicos, que escaparam da madorrenta vida de burocratas e se fizeram dínamos capazes de criar, articular e gerir. Gustavo Dias e Ivan Sobral , entre outros são os responsáveis pelo sucesso de uma mostra que chega ao quarto ano exibindo uma cifra de negócios  se aproximando dos quinhentos milhões de reais, e viu passar pelos seus corredores, mais de sessenta mil visitantes.

Isso, sem fazer shows que são custosos, e de certa forma fogem aos objetivos do evento.

Juntaram-se para o sucesso a iniciativa privada, os governos estadual e federal e a Prefeitura de Itabaiana.

Que venham o quinto e uma sucessão deles.

O Brasil, ( o nordeste em particular )revela sinais de mudança  econômica e social em quatro períodos distintos.

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