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1) A VACA CUBANA E UMA OUTRA EM POÇO REDONDO SERGIPE
2) A POLÍTICA NÃO PERDOA A FALTA DE BOM SENSO
A VACA CUBANA E UMA OUTRA EM POÇO REDONDO SERGIPE
A vaca ismênia, que produz mais de 100 litros dia, e seu proprietario, Bruno Alves, que conseguiu alcançar o recorde.
O mês era dezembro. Dezembro de 1989. O local Havana, Cuba. Um mês antes, dez de novembro, caíra o Muro de Berlim. Os alemães do leste, passavam por cima dos escombros, e encontravam-se com amigos e parentes dos quais estavam separados há quase trinta anos. Juntos, agora festejavam.
O mundo comunista começara a ruir. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, fervia de insatisfação. Impotente para conter a revolta popular que se alastrara pelos seus satélites, seria extinta dois anos depois, voltando a ser simplesmente Rússia. Mas, continua sendo o colosso de mais de 16 milhões de quilômetros quadrados.
O segundo episódio mais importante do século 20 estava acontecendo, era acompanhado nos noticiários de emissoras de rádio, de televisão, e sendo manchete na primeira página de todos os jornais do planeta.
Naquele dezembro, em Cuba, pouco ou quase nada se sabia sobre derreter do bloco soviético, do qual a própria ilha fazia parte , e, em breve, iria sofrer as consequências.
Naquele ambiente de desalento, de frustração e cansaço com um regime que deteriorava o país, entra em cena uma vaca. Não era daquelas, magricelas, que passeiam descuidadamente pelas populosas cidades da Índia, e, diante de uma, tranquilamente deitada no meio da rua os hinduístas, que são centenas de milhões, se curvam reverentes. Entre eles, a vaca é animal sagrado, uma deusa a merecer respeito e veneração.
No ano seguinte Cuba iria hospedar os Jogos Pan-Americanos, uma oportunidade para desfilar os números surpreendentes dos seus atletas, que acumulavam medalhas de ouro, prata e bronze.
Enquanto os ansiados jogos não chegavam, uma vaca cubana, alcançando recordes de produção leiteira, seria um motivo a mais para celebrar êxitos alcançados pelo governo de Fidel Castro.
Na edição do dia 20 de dezembro de 1989 o jornal Granma, do Partido Comunista, sempre esquecido nas poucas bancas de revistas, todas estatais, estampava a manchete ufanista ocupando toda a primeira página: “Úbere Blanco produce 60 litros de leche.”
Sob a foto da vaca ocupando metade da página, um texto enfadonho exaltando a proeza de um regime concentrado em ideologia, e espalhando a revolução, mas, carecendo de fatos concretos, ou seja, de coisas reais, que levassem benefícios aos cubanos, e mostrassem ao mundo um exemplo.
Úbere Blanco era “funcionária pública”, uma coisa, ou objeto do Estado, como de resto tudo o que havia na ilha, que, no começo dos anos sessenta, após a revolução castrista, entrara em choque com os Estados Unidos.
Não seguir as ordens que emanavam de Washington era atitude perigosa. Disso, bem sabiam os países bananeiros da América Central, ou tantos outros como o México, “ sofrendo o castigo geográfico de ter um vizinho poderoso”.
Sem ter eira nem beira onde amparar-se, Cuba, pela voz de Fidel Castro declarou-se marxista-leninista, o que correspondia a ser mais um satélite da URSS, e cometeu o erro de seguir a cartilha de expropriar terras, usinas açucareiras, até escola e igrejas, e reduziu todos os cubanos à condição de serviçais do Estado.
Então, o surgimento de Úbere Blanco produzindo 60 litros diários no país onde mais de oitenta por cento do leite era importado, se tornava quase um milagre. A vaca, eficiente “servidora pública “, seria a prova viva, leitosa e “ mugente”, de que a engrenagem do Estado poderia funcionar.
Tudo aquilo não passava de uma farsa. Úbere Blanco fazia parte de um selecionado rebanho de holandesas sangue puro, adquiridas no Canadá, que driblou as restrições de Washington. As vacas e os touros reprodutores foram acomodados num galpão refrigerado, recebendo ração especial, mas, como Estado não sabe cuidar de vacas nem tirar leite, e não havia mais a União Soviética, que, apesar de tudo, soube incorporar tecnologia de ponta e ter sucesso em diversas áreas, e poderia ter ajudado no aperfeiçoamento constante das holandesas. Isso não acontecendo, o úbere volumoso da vaca de sessenta litros, em pouco tempo estava murcho.
Depois de todo esse arrodeio vacum-lácteo-geopolítico , chegamos, finalmente, à vaca fantástica. Ela é uma girolanda, resulta de um excepcional avanço genético, com os cruzamentos sucessivos dos troncos gir ( zebuíno indiano- brasileiro) e ( holandês - europeu). Chama-se Ismênia Five King Royal. No último torneio leiteiro produziu 103 litros, ou quilos de leite.
Onde ocorre esse “milagre”, ou prova real de competência e uso da mais avançada tecnologia genética ?
Em Santa Rosa do Ermírio, distrito de Poço Redondo, Sergipe.
O dono da vaca, autor da façanha ?
Ele nasceu em Santa Rosa do Ermírio, cresceu alí . e aprendeu muito com os iniciadores de tudo: os irmãos Zé do Poço e Pafú.
Aos 38 anos, o poçoredondense Bruno Alves, assim chama-se o dono, ou tutor de Ismênia, passa a figurar entre os mais destacados criadores de vacas leiteiras do mundo. Ismênia é vice campeã mundial. A outra, a campeã, por mínima diferença é também brasileira.
Bruno Alves, torna-se, assim, um exemplo de como um brasileiro, simples, pobre, morador das caatingas no semiárido sergipano pôde
vencer adversidades, aprender, acumular conhecimento e experiencia, trabalhar duro, e realizar uma proeza gerencial, comparável ao que de mais avançado se consegue no mundo.
Onde existem os maiores avanços na produção leiteira o Estado chegou junto, levando tecnologia, know-how em áreas diversas, protecionismo , e mesmo subsídios.
Em Santa Rosa , até hoje o poder público limitou-se à estrada asfaltada construída por Marcelo Deda, ao Parque de Exposições iniciado por Belivaldo Chagas, e agora .sendo concluído por Fábio Mitidieri, que faz também o que é agora mais urgente e essencial: a Adutora do Leite, que vai levar água ( não tratada) especialmente, para dessedentar, vacas, como a Ismênia, que deve consumir algo próximo aos 150 litros diários.
E há sempre a presença dos bancos, os estatais basicamente, BNB, Banco do Brasil, Banese.
Para concluir, imaginemos se neste nosso imenso, gigantesco e tão tumultuado país, as pessoas pensassem menos em gerar confusão, em fazer badernas, em radicalização ideológica, cuidassem de desempenhar bem suas capacidades, nas áreas mais diversas, e nos locais mais recônditos; os senhores parlamentares direcionassem as vultosas emendas para projetos estratégicos, como é o caso da cadeia produtiva do leite em Sergipe; enfim, se imitassem Bruno Alves, o Brasil poderia ser a terceira potência econômica do mundo, ao lado da China e dos Estados Unidos.
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A POLÍTICA NÃO PERDOA A FALTA DE BOM SENSO
Kaka, o inconformado.
Transportemos aqui para o texto o seu título: A Política não perdoa a falta de bom senso. Estão aí os exemplos a confirmar a assertiva. Mas, quando além da ausência de bom senso acrescenta-se a arrogância em conluio com a burrice, como é o caso do trânsfuga Eduardo Bolsonaro, então , ao lado do enorme prejuízo que em último caso recai sobre o povo, tudo o que poderia aparentar sucesso e transito seguro pela vida pública se transforma em desastre. Hoje presos, Bolsonaro e a Zambeli, devem estar meditando muito sobre o que fizeram.
Mas, aqui vamos tratar de coisa bem menor, de evento sem maior relevância e envolvendo personagem igualmente inexpressivo.
Trata-se de um insistente candidato, que, derrotado, não se conforma com o resultado das urnas
Na primeira, logo bateu às portas da Justiça, e na rádio Xingó-FM, contratou um horário quase exclusivamente para bater pesado no candidato que o derrotara. Depois, lá pelo meio do mandato do prefeito, a ele juntou-se com o compromisso de dele receber apoio, enquanto assumia de fato o controle da Prefeitura. Desmandou-se, fez da Prefeitura um comitê eleitoral, exagerou em contratações, piorou a situação de um município castigado pelo desmando.
Perdeu a eleição por uma margem dilatada de votos, repetindo o mesmo erro, entendeu que poderia vencer no tapetão dos tribunais e alcançar o posto que o povo se recusara a lhe conceder. O povo sempre julga com alguma coerência e identifica a ausência de sensatez, o desequilíbrio emocional, a ausência de humildade e excesso de arrogância. Por isso, Kaká Andrade perdeu e continuará nas urnas sendo rejeitado. Ele sabe disso, mas imagina reverter resultados contando com a benevolência da Justiça. Já amargou sucessivas derrotas nos tribunais. Mas prefere ser um litigante abusivo, e vai outra vez recorrer, agora ,com uma AGIA, ou seja Ação de Investigação Judicial Eleitoral.
Essa forma de agir com absoluto desprezo ao povo do município, o empresário, o trabalhador, o cidadão que acorda as quatro da manhã para tirar seu leite, e espera que exista sossego, tranquilidade, o que chamamos de “ segurança jurídica , como base inseparável para o andar da economia. Afinal, sempre os menos informados ficam a imaginar que haverá mudança na Prefeitura, que obras e ações venham a ser interrompidas, e isso gera desânimo. Por outro lado, já existe uma comparação entre a administração iniciada este ano, com a maioria das anteriores, e o prefeito Machadinho passa a ser visto como aquele que, de fato, começou a mudar o ritmo desolador da administração municipal.
E o povo diante dessa atitude egoísta do candidato derrotado, identifica três fatores: insensatez, arrogância e burrice.
Se Kaká Andrade tivesse a sabedoria de pedir algum conselho ao seu tio, o conselheiro do Tribunal de Contas Ulices Andrade, uma inteligência e experiencia hoje em recesso, mas, que a um sobrinho muito poderia ajudar; com certeza agiria com mais equilíbrio . Se a mesma solicitação ele fizesse ao primo, Jeferson Andrade, mais novo do que ele, mas, já exercendo a importante posição de presidente da Assembleia Legislativa, talvez escutasse: “ cuidado você pode terminar sendo ridículo.”
Se dependesse somente de Kaká, em Canindé haveria um vácuo de liderança, a prejudicar possíveis projetos de Jeferson, que prefere somar do que manter uma disputa, inconsequente e improdutiva.