Blog Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências.
Além desse blog, escreve duas páginas dominicais no Jornal do Dia.
As duas Repúblicas desde Deodoro a Marun-Temer
13/01/2018
As duas Repúblicas desde Deodoro a Marun-Temer

(Marechal Deodoro: A república austera)

(Temer-Marun: A república libertina)

O primeiro decreto emitido pelo governo provisório após a deposição do imperador Pedro II, estabelecia, no seu artigo inicial: “Fica proclamada”, “provisoriamente”, a República Federativa, como nova forma de governo do Brasil. Assim, a República surgia sob um clima de ambiguidade que bem traduzia as divergências entre as diversas correntes de pensamento que a fizeram.

O governo provisório do marechal Deodoro, começava, já esfacelado pelas divergências. Eram homens notáveis aqueles, os protagonistas do tenso embate de ideias. Homens da estirpe de um Rui Barbosa, Quintino Bocaiúva, Campos Sales, Epitácio Pessoa, os de casaca. Entre os fardados, Floriano Peixoto, Benjamin Constant, e os almirantes, que cavalheirescamente se antagonizavam, Saldanha da Gama, Custódio de Melo, Wandenkolk.

A Marinha era monarquista, apenas aceitara a República como fato consumado. Em meio às tensões e crises, o primeiro governo republicano provisório teve uma ação legisferante que modernizou o país. Saímos da pasmaceira do 2º Império, envelhecido com o imperador que reinara desde menino, e já era um velho.

Deodoro, impaciente, sem revelar disposição para lidar com o Congresso que a ele radicalmente se opunha, resolve recorrer a um ato parlamentarista, isso, em um governo presidencial, e “dissolveu” o Congresso. Começa uma efêmera ditadura. Sobreviveu 13 dias, até que um petardo disparado do cruzador Aquidabã, um dos vistosos vasos de guerra da Marinha, então poderosa, cruza os céus do Rio de Janeiro, e vai explodir numa das torres da igreja da Candelária. Saldanha, legalista, perdera. Custódio, que arvorou a bandeira da revolta no navio capitânea Riachuelo, era o vitorioso.

Hoje, a capital, Brasília, fica tão longe do mar, e a Catedral modernista de Niemayer não tem torres. O agora paciente e que abusa da paciência dos brasileiros pode assim dormir sono sossegado, na quietude bucólica do Jaburú. Com certeza a consciência também leniente não lhe será pesada.

O marechal presidente, doente e cansado desiste, e no ato de renúncia que escreve, diz que passaria o poder ao ¨funcionário a quem incumbe substituir-me¨. O funcionário era o seu vice, Floriano Peixoto. Diria depois Euclides da Cunha que, Floriano na presidência da república seria o homem do destino, o Marechal de Ferro.

Haveria corrupção nessa estreante República? Sem duvidas, a corrupção existiu, existe, existirá, porque há uma coisa que se chama natureza humana. Mas os homens que depuseram um imperador, indo embora sem fortuna depois de longo reinado, não eram complacentes com ladrões, muito menos líderes de quadrilhas. Contrabalançando as naturais fraquezas da condição humana, havia o respeito a valores cultivados, e que eram aparatos essenciais na formação do homem público. Nenhum desses homens, mesmo diante das piores chantagens, desmoralizara os cargos mais elevados da república, para eles nomeando cafajestes.

Três dias depois de proclamada a República, Aristides Lobo, um dos seus principais artífices, escrevia um artigo num jornal paulistano analisando a apatia da sociedade em face do novo regime: ¨O povo assistiu aquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava¨.

O povo brasileiro agora inerte, quieto, amedrontado ou indiferente, se deixa estuprar compassivamente pela república de Temer-Marun. Até parece a carta do diplomata francês que virou anedota, descrevendo ao Quai-Dorsay o suplicio do empalamento de um condenado.

Temer, ao assumir, quando ainda não chegara Marun, o substituto de Geddel, prometeu, solenemente, embora aquela dança descompassada das mãos estivesse a desmenti-lo, que seguiria uma rígida política de contenção de gastos, de enxugamento da máquina pública, de absoluta austeridade fiscal. Faria uma gestão enquadrada com a mais rigorosa ortodoxia. Para isso chamou o Doutor Meireles, agora candidato à presidência. Ele é neoliberal como banqueiro em e Nova York e aqui um fisiocrata nos sertões goianos, por onde pastam as suas boiadas. Mas a ortodoxia financeira foi substituída pela completa e desregrada heterodoxia moral, e tome dinheiro pra todo lado.

A economia que só anda um pouco por causa do trabalhador, do empresário, que não perdem a esperança nem abandonam o batente, e das centenas de milhares de desempregados, agora vendendo quinquilharia nas ruas, começa a dar dá sinais fortes de desalento, com o rombo nos cofres que ameaça levar a pique até o BNDES. Tentaram dar status de virtuose financeira à pedalada, desde que feita em escala gigantesca. Nada daquela pedaladinha incompetente e pífia da inepta Dilma. Reforma da previdência vai por água abaixo, privatização não sai. Era mesmo impossível fazê-las num governo sem credibilidade, alvo da fúria popular, que dia a dia mais se desmoraliza, e com Marun, fazendo aquele papel de coveiro solene, o mesmo que desempenhou quando foi o último dos cangaceiros de Eduardo Cunha.

Ai vem a Standard & Poors e reduz a nota de crédito do Brasil, quase nos coloca ao lado da Venezuela. Então, o que falta para que Temer autodissolva o seu governo, a república Temer-Marun, repetindo na carta de renuncia o que fez com tanta dignidade o marechal Deodoro, convocando o ¨funcionário a quem incumbe substituir-me¨.

E ponto final nesta agônica República de trapaceiros.

DILÚVIO DA CHESF E A PÍFIA EXPLICAÇÃO

(Barragem de Xingó)

Depois da súbita enchente que provocou, numa madrugada neste inicio de ano, a CHESF permaneceu quieta e muda por dois dias, até que resolveu soltar uma nota para explicar o que acontecera, mas, sem sequer fazer uma tímida referencia aos prejuízos que causou nos municípios de Piranhas, em Alagoas, e Canindé do São Francisco e Poço Redondo, em Sergipe.

A coisa aconteceu de repente, sem que os ribeirinhos do baixo São Francisco tivessem o direito de receber previamente um simples aviso. O exaurido ¨Velho Chico¨ encontra, na barragem da hidrelétrica de Xingó, o seu último obstáculo para acumular água antes de percorrer o caminho final até a foz. A vazão na barragem está agora limitada a 570 metros cúbicos por segundo. Há quase 30 anos, quando a hidrelétrica foi inaugurada, a vazão ficava em torno de 2.200 m³/ s e cinco turbinas operavam. Hoje, a água é suficiente para mover apenas uma turbina, que consome em torno de 470 m³/ s. O resto desce por uma comporta, o que inicialmente causou a equivocada impressão de que o rio enchera.

A nota da CHESF é um acúmulo de inverdades, um retrato lamentável da periclitante gestão da empresa. Onde já se viu excesso de demanda de energia numa madrugada?

E qual a contribuição que a Xingó teria dado para ampliar a oferta, sem acionar nenhuma turbina, porque o volume enorme de água desceu todo pelos vertedouros?

Num determinado momento saia água por todos os vertedouros. A onda enorme, espremida na estreiteza do rio entre margens altas, afundou, carregou barcos, invadiu bares, quiosques, destruiu equipamentos no Eco-Parque da Grota do Angico. Os prejuízos ainda não foram avaliados, mas os prejudicados já deveriam organizar-se num grupo para acionar a CHESF, pelos prejuízos diretos, lucros cessantes, danos morais.

A CHESF sempre desconheceu o que se passa às margens do rio, desde que a água lhe chegue na quantidade necessária para movimentar suas turbinas. Agora, por conta de tantas omissões que não são apenas da CHESF, a água tornou-se escassa, o rio parece viver um tempo terminal. Mas dessa vez a CHESF atentou contra a vida e a propriedade dos que ficam confiantemente abaixo da sua derradeira barragem antes da foz, e jamais poderiam supor que a geradora de energia provocasse, voluntariamente, uma gigantesca onda sem antes ter o simples cuidado de avisar quem estava inadvertidamente à jusante da corrente.
Quanta inaptidão junta para administrar, quanto desprezo pela verdade na bisonha explicação.

A NOTA DA CHESF

ONDE "NASCERAM" MALUF E O DELEGADO SÉRGIO FLEURY

(O delegado Fleury: Matou na repressão e ela o matou)

Paulo Salim Maluf, governador de São Paulo, repetia, incitando sua Polícia à matar: ¨Bandido bom é bandido morto¨. Sérgio Paranhos Fleury, delegado da polícia paulista, que concordava plenamente com Maluf quanto aos bandidos, a eles juntou os que recebiam a classificação de subversivos.

A polícia de Maluf exterminou centenas de bandidos.

Sérgio Fleury, matou, ele mesmo, ou comandou a execução e a tortura de algumas dezenas daqueles por ele identificados com um só apelido. Eram todos bandidos.

Mas afinal o que vem mesmo a ser um subversivo? Nesses tempos de liberdade, embora numa calamitosa democracia, todos nós brasileiros que fazemos abertamente criticas ao governo, sem que até agora ninguém nos ameace, seríamos, numa ditadura, uma massa humana gigantesca de subversivos, algo em torno de duzentos milhões de brasileiros. Não haveria Fleury, por mais ¨eficiente¨ que fosse, capaz de conter essa horda desatinada de contrários ao regime.

Sérgio Paranhos Fleury e o seu inspirador Paulo Maluf, nasceram sob o mesmo manto protetor para que fizessem as iniquidades que os celebrizaram. Maluf, aos 86 anos vive uma curta temporada numa das celas da penitenciária da Papuda, em Brasília, onde estão tantas figuras antes preeminentes da fedorenta vida publica brasileira. Já o Paranhos Fleury, jaz, desde 1979 numa cova onde o colocaram depois de que misteriosamente caiu ao mar, derrapando sobre a coberta do seu iate no cais de Ilhabela.

Tanto Maluf como Fleury são filhos diletos da ditadura civil-militar. É mais apropriado assim classificar o regime que durou de 1964 a 1985. Seria injusto classificar todo o período da mesma forma, porque o grau do autoritarismo variava conforme a circunstancia, ou o ocupante do poder. A ditadura perdeu o seu último vestígio quando Geisel passou o poder a Figueiredo com o país livre dos atos de exceção. Fleury subiu no conceito do aparelho repressivo exatamente pela sua capacidade de cometer atrocidades, e terminou sendo vitima do próprio aparato. Sua queda no mar não foi acidental.

(Paulo Maluf: Malufou e teve votos)

Já Paulo Maluf revelou-se um meliante de alta categoria, desde que aproveitou-se da ascendência que sua mãe tinha sobre o general Costa e Silva, um viciado no jogo indo sempre muito do seu soldo modesto, e ficava devendo nas bancas. Então era a senhora Maluf que cobria as suas dívidas. Quando Costa e Silva tornou-se presidente, a mãezinha de Maluf foi pedir-lhe uma sinecura federal para o filho demonstrar suas ¨qualidades¨. Da Caixa Econômica à Prefeitura de São Paulo, ao Governo do estado, e quase à presidência, Maluf percorreu essa trajetória ascendente acompanhado pelo novo verbo: ¨Malufar¨, sinônimo de roubar.

Colecionou sucessos na democracia, foi até reverenciado pelo seu acérrimo critico Lula da Silva quando o procurou na sua suntuosa mansão buscando apoio para a candidatura de Fernando Hadad, que Maluf não hesitou em garantir, e assim, vingou-se dos ex-adversários, que a ele finalmente se rendiam, e se igualavam. Mas, justamente agora, quando mais intensamente se conjuga desde as ruas aos palácios o verbo malufar, o homem que a ele deu origem está preso, condenado por tanto que malufou ao longo da extensa vida.

EM MONTE ALEGRE TANTA ÁGUA PERDIDA

(Trovoada em Monte Alegre)

Foi muito forte a trovoada que despencou em Monte Alegre de Sergipe. Chegou exatamente na hora em que os carros pipa já entravam em cena. Previra com exatidão o nosso homem do tempo Overland Amaral, pouco antes da virada do ano, que as chuvas voltariam à região na primeira quinzena de janeiro.

Previu mais ainda que chegariam sob a forma de trovoadas, intensas as vezes, sempre concentradas em áreas restritas. No caso a chuva molhou muito bem quase toda a área de Monte Alegre, principalmente na sede, e chegou a alguns pontos de Nossa Senhora da Glória e Poço Redondo. Em Monte Alegre houve inundação, as ruas da cidade viraram rios, romperam pequenos trechos de estradas e o melhor de tudo, as barragens ficaram cheias, mas o município como de resto todo o sertão sergipano não tem grandes barragens, nada que se aproxime das dimensões dos açudes cearenses, potiguares, paraibanos.

Na concepção do modelo de segurança hídrica do estado, a estratégia que à época era lógica e racional foi a construção de uma rede de adutoras a partir da captação no São Francisco. O rio era portentoso, sobrava água. Interessante observar que no governo Lourival Baptista quando o secretário do Planejamento Juarez Alves Costa projetou a primeira adutora, a SUDENE reagiu, apresentou argumentos contrários. Finalmente Sergipe venceu e foi pioneiro na utilização do Velho Chico como fonte básica de suprimento de água, inclusive para a capital Aracaju, interligada ao rio por uma grande adutora de quase cem quilômetros. Obra em parceria PETROBRAS - Governo de Sergipe. Ideia de José Leite que Augusto Franco começou a concluiu.

As águas da trovoada desceram rápidas e foram bater no São Francisco, encheram de passagem algumas barragens, todas de pequeno porte, são a que temos. Um dia em Canindé chovia forte, Marcelo Déda fora inaugurar uma obra e protegia-se embaixo de um guarda chuva. Alguém aproximou-se dele e disse: ¨veja, toda essa água se perde, não temos barragens. No outro dia Déda fez um inventário das barragens existentes, pediu estudos para definir quais as que poderiam ser ampliadas. Começou pela Vaca Serrada, exatamente em Monte Alegre. Aumentada resistiu à longa estiagem, com essa trovoada encheu agora, quase completamente.

É isso que o sertão semiárido precisa, e continua sendo feito, mas em escala modesta, com escassez de recursos. E aqui, insistimos, a emenda do senador Valadares e seu filho deputado, no total de 400 milhões, se usada para a construção de barragens e perfuração de poços mudaria o cenário sertanejo, aliviaria os que criam, produzem leite, e ficam a depender de carros pipa. O São Francisco não fica perto, e está encolhendo. O Canal de Xingó, para aonde irá a dinheirama, se for mesmo iniciado, levará no mínimo uns dez anos, arrastando-se como todas as obras públicas neste país. As barragens ficariam prontas em pouco tempo, os poços, com as modernas máquinas que agora tem o estado, operadas pela COHIDRO, cavam um por dia.

TROCADILHO FESTEJADO: CINGAPURA - SERGIPURA

Diz, com entusiasmo, o Secretário do Desenvolvimento José Augusto Pereira de Carvalho, ter ouvido de um empresário catarinense um trocadilho que o deixou, de inicio, um tanto surpreso. Falou o empresário: ¨Então, o senhor é de Sergipura¨? José Augusto é engenheiro, um homem de formação cartesiana, trata de coisas que se encadeiam pela lógica dos fatos ou dos números, e ficou um tanto confuso até que o empresário esclareceu: ¨Juntei Sergipe com Cingapura, você bem conhece o seu estado, Sergipe, e sabe exatamente o que aconteceu em Cingapura¨.

Cingapura, explicamos, é aproximadamente do tamanho do município de Lagarto, mas fica na esquina entre dois mundos, e é onde se encontram os oceanos Indico e Pacífico. Na ponta da península malaia teria continuado como um arraial de pescadores, se lá os ingleses colonizadores não houvessem criado um entreposto comercial voltado para as especiarias. Independente em 1965, Cingapura inventou um governo parlamentarista que tem um Primeiro Ministro repleto de autoridades. A renda per capita de Cingapura está entre as cinco maiores do mundo. Um entreposto comercial, uma indústria altamente tecnificada e voltada para a exportação, além do portentoso mercado financeiro, garantem um processo continuado de desenvolvimento.

Qual o motivo então de Sergipe ser o Sergipura? Tudo começa com o porto, e um porto que tem retroporto, ou seja, aquela área extensa para acomodar milhares de containers. Estamos no centro geográfico entre dois grandes mercados nordestinos, o pernambucano e o baiano, e estradas relativamente boas nos interligam. Além da perspectiva de nos tornarmos o entreposto nordestino, o porto hub da região, com profundidade que poderá ser facilmente ampliada até os onze metros. O grande consórcio recentemente formado a multinacional Hamburg Sud e a dinamarquesa Maersk, tem olhos postos em Sergipe. Aqui, lembra Jose Augusto, poderiam aportar as grandes barcaças que transportam até 4 mil veículos, vindos do exterior, ou do centro –sul-sudeste para as concessionárias nordestinas. Já imaginaram o que significaria em termos de receita todos esses veículos aqui alfandegados, e pagando impostos?

Tem mais:

Existe ainda no meio de tudo isso a termoelétrica na Barra dos Coqueiros. Lembra o atento secretário José Augusto, que não iremos apenas gerar energia, haverá excesso de gás, transportados nos enormes navios tanque, vindos do Quatar onde é produzido a baixíssimo custo. O gás liquefeito reduz 600 vezes o seu volume, ampliando a capacidade de transporte. Do navio aqui fundeado, o gás poderá, de inicio, viabilizar uma planta de amônia e ureia de proporções gigantes, algo dez vezes maior do que a FAFEN, instalada em Laranjeiras , além de uma variada cadeia de produtos, como vidro plano, porcelanatos, cerâmicos. Há uma possibilidade imensa que terá de ser bem avaliada. Sergipe terá então a vender a vantagem locacional para plantas industriais que usam o gás como insumo de baixo custo, e essencial. No caso dos fertilizantes, ainda quase completando o mix básico, dispomos aqui do potássio, da amônia-ureia e calcário.

Tem mais ainda: Efetuou-se a compra por dois e meio bilhões de dólares da Vale Fertilizantes, pela multinacional Mosaic, que abrange a mina de potássio Taquarí-Vassouras e o Projeto Carnalita, incluindo-se nisso o direito às jazidas. Assim, muda consideravelmente o cenário de um problema que se arrasta há alguns anos. A Vale perdeu o interesse no potássio sergipano e até anunciou o fechamento breve da mina. Mas o mercado para fertilizantes é imenso e se alarga com uma média de crescimento superior a 5 % ao ano.

Os dirigentes da Mosaic estiveram com o governador Jackson Barreto e traçaram o panorama que a empresa desenha para a sua presença em Sergipe. Dentro de dez meses oferecerão a definição sobre o projeto Carnalita. Eles possuem minas em três países que extraem a carnalita do subsolo, exatamente como o previsto no projeto sergipano. O detalhe que mais ainda nos favorece, é que a carnalita chega ao solo misturada com água. Deve ser secada e para isso é preciso haver a energia barata fornecida pelo gás. A Mosaic, vai ampliar as atividades de mineração em Taquarí-Vassouras, e hoje a perspectiva de produção cresce e aproxima-se de mais dez anos em atividade.

Ou seja, Sergipe não perdeu as perspectivas de futuro, não está falido e sem esperanças. O que se precisa é trocar a mediocridade do debate político, travado entre pessoas e suas vaidades, entre políticos e suas ambições, e buscarmos pavimentar, agora, o caminho para o futuro.

UM LATICÍNIO QUE VOLTA A FUNCIONAR

Em Capim Grosso, povoado de Canindé do São Francisco, há vinte anos foi instalado um laticínio que tinha tudo para dar certo. Era moderno, havia suprimento garantido de leite nas proximidades, e mão de obra disponível, além de acesso fácil. Faltou porém o essencial: gerenciamento. De equivoco em equivoco, de aventura em aventura, a empresa foi afundando. Depois, fraudes calamitosas levaram seus dirigentes à cadeia, e logo era decretada a falência da empresa. Os equipamentos constantes da massa falida foram, todavia, bem conservados e não houve o sucateamento. Agora, a empresária Jania Dantas comprou na Justiça o laticínio. Jania é inovadora, competente, e conhece melhor do que ninguém o negócio do leite. Ela fez de um miúdo local onde produzia queijo e manteiga, surgir um complexo de industrialização do leite situado em Nossa Senhora da Gloria, o Grupo Natvile. Jania quer recolocar em operação o laticínio de Capim Grosso, o mais rápido possível, coisa de uns dois a três meses.

O semiárido sergipano vem se transformando numa vistosa bacia leiteira. Segundo os alagoanos, já supera largamente a referencial área produtora de Batalha, que foi perdendo importância, encolhendo, na medida em que uma geração que criou a pujança, trocou o comando, transferindo-o a filhos e netos que, indo frequentar universidades, tornaram-se citadinos, e perderam o interesse no negócio lá pelos sertões. Em Sergipe está acontecendo exatamente o contrário, um povoado em Poço Redondo, Santa Rosa do Ermírio, se transforma em exemplo de polo leiteiro, surgindo no semiárido, nas condições mais adversas de uma região sem maiores disponibilidades de água.

Em Canindé o projeto Califórnia organiza-se para ser também um polo de produção leiteira. Sem mudar o foco principal na produção agrícola, no projeto irrigado será montado um modelo idêntico ao Balde Cheio, que funciona no perímetro Jabeberí em Tobias Barreto. Na quinta-feira dia dez, os produtores estiveram reunidos com técnicos do Banco do Nordeste, que foram mostrar as linhas de credito disponíveis, e as sugestões para os projetos. A ideia é formar pequenos rebanhos em cada lote, mantendo uma central de inseminação, e adotar o sistema Voisin, de rotatividade de pastos, complementando-se a ração com descartes dos produtos agrícolas, adotando-se uma irrigação com baixo consumo de água. O superintendente do BNB em Sergipe, Antônio Cezar, considera a pecuária leiteira a atividade econômica mais viável no semiárido, e lembra que já temos um complexo de indústrias que justificam plenamente o investimento na produção do leite.

O SENADOR AMORIM PEDE JUIZO AOS SEUS ALIADOS

(O senador Eduardo Amorim)

Falando naquele tom salvacionista que tem utilizado nos últimos meses, o senador Eduardo Amorim fez uma espécie de apelo-advertência aos seus principais aliados, a saber: o deputado federal André Moura, o senador Valadares e o deputado federal Valadares Filho. O problema no grupo que se intitula de oposição ao governo do estado, é que o ego de cada um se estende maior do que os outros três somados. André descarta Valadares, que descarta André, e por ai vai. Sem uma perspectiva de sair uma decisão de consenso, o senador Valadares sai em busca de alianças que viabilizem sua pretensão de chegar ao quarto mandato, o que seria um recorde em Sergipe. Já o seu filho coloca o nome à disposição para tornar-se candidato ao governo, a mesma pretensão já anunciada pelo deputado André Moura, que chega com a credencial de ser candidato da dupla Temer-Marun, o que lhe garantirá, pelo menos é o que se supõe, o respaldo de grupos econômicos, e a força da máquina federal, que se fará mais azeitada se a dupla Marun-Temer conseguir transferir do FGTS, recursos que sairiam do trabalhador e iriam para a Caixa Econômica.

Assim, o Minha Casa Minha Vida ganharia novo alento, e também as candidaturas governistas, que não desconhecem o amedrontador índice de rejeição que irão enfrentar. Os dois Valadares afastaram-se do governo, perderam posições federais que aqui controlavam, e garantem que com Temer, para eles não tem mais acordo. Já o senador Amorim, que age mais discretamente, e evitando atritos, entenderia que, por ter perdido, aliás, por uma enorme margem de votos, a eleição que disputou contra Jackson em 2014, a oportunidade de uma nova tentativa lhe deveria ser assegurada. Mas ele se consideraria satisfeito se disputasse o Senado, na condição de candidato único. Ou seja, não aceitaria ter Valadares, que lidera as pesquisas, ou André que viria bem recheado, compondo a chapa, porque, sendo realista, não vê chances de a oposição eleger dois senadores. Há ainda a questão maior. Quem for candidato ao Senado não terá a garantia de que o candidato ao governo vote fechado com ele. E a recíproca é verdadeira. Aí, como se diz na gíria, é que a porca torce o rabo.

DO TAJ MAHAL PARA A PRATICIDADE APROVADA

(Visita as instalações do Centro Administrativo da Saúde)

A mostra das novas instalações que irão abrigar todo o complexo da Secretaria da Saúde, foi a oportunidade que teve o Secretário Almeida Lima para demonstrar que não houve a suntuosidade alardeada e, de fato, prevaleceu a praticidade, a economia, a racionalidade em termos de logística. Uma área daquele porte alugada por cento e cinquenta mil reais ao mês, não chega nem de longe a justificar todo o alarido feito em torno do contrato.

O governador Jackson Barreto repetiu esse argumento várias vezes, em entrevistas que fez nas emissoras de rádio e televisão. O prédio que abrigará o setor administrativo é amplo, aberto, sem divisórias, e da mesma forma ficará o espaço onde estará trabalhando o secretario. É um novo conceito que, segundo Almeida, estaria associado a paradigmas ergonômicos no trabalho, e também a um sentido de transparência. Impressiona, sobretudo, o almoxarifado, local onde se guardam as volumosas partidas de remédios diversos, todos com os prazos de validade bem visíveis. A desembargadora aposentada e Procuradora Geral do Estado, Aparecida Gama, destacou o fato de que, percorrendo todas as instalações, pisou na mesma qualidade de piso, segundo ela, bem simples.

Ao ato de revelação de que não se montou uma réplica do Taj Mahal em Aracaju, houve uma presença maciça de autoridades, jornalistas e profissionais da saúde. Presentes, entre outros, o Presidente da Assembleia Luciano Bispo, o presidente do Poder Judiciário desembargador Cesário Siqueira, o Procurador Federal Ramiro Rochenbach, o promotor de justiça Fábio Viegas, os deputados Zezinho Guimarães e Jairo de Glória, entre outros. Detalhe: a visita começou exatamente às sete e trinta.

A CUMBUCA DE AMARAL E AS BURRAS DO ESTADO

(Revista Cumbuca)

Já circulando a nossa preciosa publicação sergipana, a revista Cumbuca. Cada numero é uma vitória pessoal do seu editor, o jornalista-poeta Amaral Cavalcanti. Essa revista tem no seu rastro de sucesso, a presença estimuladora de várias pessoas, tais como Marcelo Déda, Jackson Barreto, Belivaldo Chagas, João Augusto Gama, Jorge Carvalho, Milton Alves, Benedito Figueiredo, Ricardo Roriz. Todos esses, e mais alguns não citados, deram, em determinado período, e no exercício de atividades diversas, o apoio indispensável para que a luminosa ideia da revista cultural fosse concretizada e mantida.

Esse novo número revela porque Sergipe ainda não perdeu de vez o antigo epíteto aparentemente exagerado, de ser um ¨ninho de águias¨. Águias do pensamento naturalmente. O historiador José de Almeida Bispo vai às origens da sergipanidade, do nativismo, enfocando a revolução dos curraleiros, um tumulto cívico contra a extorsão dos impostos. Isso em 1656. Imaginem se hoje houvesse a mesma coragem de protestar e lutar por direitos.

Rangel Alves da Costa, advogado que vai deixando a profissão pelo ímpeto de escrever, sobretudo sobre o sertão, do qual seu pai Alcino Alves Costa, foi historiador, poeta, romancista, cantador e letrista. Na Cumbuca, Rangel escreve sobre culturas, tradições e resistências no sertão sergipano.

Albano Franco, aposentando-se da política, dando ritmo menos afanoso às atividades empresariais, resolveu, passando os setenta, dar mais tempo para a leitura, a escrita, e tem sido assíduo às sessões da Academia de Letras, levando ideias, estimulando o debate, produzido livros, principalmente sobre suas atividades, suas ideias no campo da economia. Frequenta agora as páginas da Cumbuca, para falar sobre seu pai o político e empresário Augusto Franco. O advogado e jornalista Paulo Dantas Brandão, escreve sobre o seu avô, o jornalista, político e usineiro Orlando Dantas, uma presença forte, uma referencia permanente no debate sobre o desenvolvimento de Sergipe, e as questões sociais no século passado.

Sandra Natividade comenta o ultimo livro da médica, escritora, rebelde criativa e ativista constante, Ilma Fontes. Trata-se de uma biografia do pintor Álvaro Santos, um dos grandes mestres da mágica que se faz com as tintas e o pincel.

Sobre Magnólia. Quem foi Magnolia? As pessoas menos jovens nem sabem de quem se trata e os mais velhos tiveram a boa surpresa de que ele continua vivo. O texto corajoso e o ensaio fotográfico é de Tiago Oliveira. Magnolia foi o gay mais explicito de Sergipe nos tensos e densos anos setenta. Vendia meias masculinas nas ruas, sendol figura requisitada em todos os eventos não convencionais, dos quais a caretice era banida. Talvez o protesto mudo, apenas alegórico, dos que queriam, mas não podiam falar, então, avançavam pela dedetização dos mofados costumes.

Sim, nós temos uma Sinfônica, aliás, coisa da melhor qualidade, fruto dos músicos e do maestro Manis, que os rege e inspira. Mas, alto lá, temos também a Sinfônica enraizadamente nordestina, a Sanfônica de Aracaju. E é sobre ela que Lucas Campelo escreve.

Adelvan ¨Kenobi¨, o nome é assim mesmo, aspeado, escreve sobre fanzines um tipo de publicação, sobre as quais ele demonstra maestria e tão bem as explicita, enumera, e descreve.

A Arte Universal de Véio é titulo da matéria escrita por Ribeiro Filho. Oportuno, indispensável mesmo, lembrar do nosso escultor que faz milagres com um pedaço qualquer dessas madeiras maleáveis que se encontram na caatinga, a umburana, o mulungú. A palavra milagre parece inadequada no caso, mas, basta que se veja uma corrente esculpida por Véio, para que se suspeite de que existe algo que vai além da arte.

Finalmente, chegamos a Rian Santos. Ele é um critico literário e musical que mereceria louvores de um Otto Maria Carpeaux, um austríaco que se veio refugiar no Brasil, e figurava, inigualável, nas páginas inovadoras da Ultima Hora, o marco modernista na imprensa brasileira.

Não diria que Rian estaria ¨se perdendo em Sergipe¨ como na forma da viralatice complexada se costuma dizer, mas ele terá de ir além das nossas fronteiras , até sem daqui arredar o pé. Graciliano teria sido o mesmo Graciliano, se nunca houvesse saído de Palmeira dos Índios. Um dia desses o escrevinhador conheceu Rian, embora como ele frequente as páginas do Jornal do Dia, há mais de dez anos. O escrevinhador comparou Rian, a um tão jovem como ele, critico de arte, critico de comidas e bebidas, e cronista, José Carlos Oliveira. Ele escrevia no Jornal do Brasil, fazendo crônicas diárias, e superava aquilo que poderia ser apenas a platitude de textos sobre pratos e restaurantes.

Era genial, misturava Rimbaud, Sartre, Flaubert, Balzac, Jack Kerouak, e as vezes fazia uma salada poético glutonica. Botava a madame Bovary a namorar com Câreme, e conferia estrelas às casas de pasto onde se aboletava. Assim, fazia a crônica, a fantasia, o poético, a delicia da leitura. Bebedor inveterado, Carlinhos Oliveira, que por isso cedo morreu, reincidentemente aquietava-se mofino, na ressaca, e então tinha a substituí-lo a prestimosidade de uma amiga, a escritora, pianista, poliglota, produtora de patês e terrines, Irene Rodrigo Octávio Moutinho, uma carioca com ascendentes estancianos, que se tornaram heróis sergipanos na guerra do Paraguai, e mais ainda na nobiliarquia do café paulista, com as burras esvaziadas pela crise de 29. Irene substituía Carlinhos Oliveira e ninguém notava mudança no texto, coisa de gente arteira no manejar das palavras. Substituir Rian, certamente exigiria engenho e arte, mais do que facultam as musas tão esquivas. Detalhe: ele não bebe.

Por falar em burras vazias, veio à mente do escrevinhador um acontecido palaciano em anos idos em Aracaju. O governador acabara de nomear um Secretário da Fazenda, e terminado o ato, lhe disse: ¨Fulano, cuide bem das burras do estado¨. O fulano despediu-se, pensou muito, depois retornou ao Palácio, foi encontrar-se com o governador e perguntou-lhe: ¨Doutor o senhor me pediu para cuidar das burras, não seria melhor chamar um veterinário? ¨E o governador respondeu-lhe: ¨Não, não, eu me enganei, falei em burras, mas eu queria dizer burros, aqueles que pagam impostos. É preciso cuidar bem deles¨. Uma semana depois demitiu o efêmero secretário e explicou o ato a alguns amigos: ¨Um burro não pode cuidar das burras, muito menos agora, quando elas estão quase vazias¨.

Pois é, a Cumbuca também induz a isso, causa esses derramamentos de inúteis memórias, e assim, ajuda à Historia, ou estimula a ficção.

AS FÉRIAS E O LIVRO SOBRE O BARÃO

(O conselheiro do TCE, Carlos Pinna)

O conselheiro Carlos Pinna de Assis, estava em férias lá no Saco, de onde se avista do outro lado o Mangue Seco. Dizem, turistas que enxergam além das paisagens, que por ali vagueia nas noites de lua, o fantasma de Tieta do Agreste.

Sem saber, fazem uma dupla ficção. Mas, pelos arredores dos manguezais, pelos apicuns, pelas dunas, pelas matas ainda resilientemente insistindo em sobrevidas, se avistam, isso, sim, fantasmas de marinheiros alemães, que por ali andavam, até quando uns daqueles que formavam a tripulação do U-504, resolveram torpedear os pachorrentos barcos brasileiros , desencadeando a guerra e a vigilância maior sobre as nossas praias antes desertas, onde os corsários submarinos alemães se abasteciam, e refrescavam-se as tripulações ao sol dos trópicos.

Mas não é sobre isso que iríamos falar, e sim sobre o livro que foi projetado nas férias e continuará sendo escrito de agora em diante por Carlos Pinna. Será a primeira biografia do Barão de Maruim.

É personagem sergipano que sem dúvidas merece ser biografado, e o biografo tem as qualidades para elaborar um belo trabalho de pesquisa e contextualização do tempo em que viveu o nobre, de um Império sem muitos rigores nas nobrezas que concedia.

OS PAÍSES DE MERDA E OS VÔMITOS DE TRUMP

(Donald Trump)

No decorrer de uma só semana o aloucado presidente do mais rico e poderoso país do mundo, bateu o seu recorde pessoal de vomitar besteiras, agressões, insultos e sandices. Disse que em vez de virem imigrantes para os Estados Unidos provenientes desses “países de merda” deveríamos apenas receber emigrantes vindos, por exemplo, da Noruega.

E qual o norueguês que vivendo num país supercivilizado, onde não existem pobres nem injustiças sociais, muito menos chefes de estado vivendo na idade da pedra, iriam deixar as delicias do seu país para viverem nos Estados Unidos, onde a violência, a corrupção, a intolerância, até do racismo, são incentivados por um presidente de merda, Donald Trump?

QUAIS OS PROJETOS DAS ESQUERDAS PARA O BRASIL?

(*Texto de Antônio Samarone)

Entre os aspectos da crise brasileira, a falta de propostas para o futuro é pouco discutida. Como sairemos desse buraco? Os debates giram entre dois caminhos inviáveis: o grupo no poder acredita no projeto neoliberal, no estado mínimo em sua forma mais extrema, com supressão de direitos trabalhistas e previdenciários, redução de políticas sociais, privatizações, inclusão pelo mercado e na redução de impostos e concessão de subsídios às empresas. É a crença na mão invisível do mercado. Eles acreditam que criado esse ambiente favorável aos lucros, o capital internacional destinaria os seus investimentos para o Brasil. Seria a nossa redenção econômica. Sem entrar na discussão de doutrinas econômicas, se a concentração de renda e o aumento da desigualdade é um caminho para o desenvolvimento, não creio que a maioria da população esteja disposta a esperar o bolo crescer. Depois a divisão nunca acontece. Esse projeto exige um longo período de privações, que inviabiliza a sua sanção nas urnas.

Uma segunda força política, liderada por Lula, acena com a repetição da democratização do consumo, através da melhoria da renda e facilidades do crédito, o chamado nacional consumismo. Um modelo de desenvolvimento que amplia o consumo dos excluídos, sem cuidar da produção, um tipo de populismo econômico. A ascensão social através do consumo, propiciou o surgimento da famosa Classe C. Um ciclo de riquezas fáceis, que no Brasil foi sustentado pelas commodities: a agricultura, a pecuária e a mineração. Esse período de riqueza acabou, mas deixou boas lembranças nas massas. Uma conjuntura onde todos ganharam, em especial os mais ricos. Uma composição sustentada por um grande consenso político, onde poucos ficaram de fora. A tese é que o aumento do consumo criaria um mercado nacional e induziria a produção. O fim desse projeto de nacional consumismo se deu no Governo Dilma, com a alteração da conjuntura econômica, desvalorização das commodities, agravamento de crise fiscal, fim do consenso político e o golpe jurídico parlamentar. A crise tem se aprofundado, sobretudo pela extensão dos envolvidos com a corrupção, recessão econômica e protagonismo político do judiciário. Não existem inocentes nesse jogo.

A novidade fica por conta do surgimento de uma terceira alternativa de desenvolvimento, proposta e detalhada por Mangabeira Unger, em entrevista a Caetano Veloso, na Mídia Ninja. ( https://www.youtube.com/watch?v=Mfv-4zQ9_Q0 ). O que propõe Mangabeira? A democratização da economia pelo lado da produção, da oferta e das capacitações. Segundo ele existe uma imensa vitalidade no povo brasileiro, sufocada pelas elites dirigentes. Seria necessário então, resgatar da informalidade e da precarização a maioria da nossa força de trabalho e transformar a relação do sistema financeiro com a produção, gerando um produtivísmo includente. A segunda esfera de mudanças seria na educação, a transformação do enciclopedismo raso e dogmático atual num ensino analítico, capacitador e dialético.

Continua Mangabeira: o equilíbrio fiscal do estado brasileiro será necessário, não para ganhar a confiança do mercado financeiro, mas para não depender dele. O estado brasileiro precisa de autonomia para liderar esse projeto de desenvolvimento. O sacrifício só será legitimado dentro de um projeto de democratização das oportunidades e das capacitações. A reforma da política seria a consequência de um projeto forte do estado brasileiro. A base social desse projeto seria formada pelos emergentes, a classe média empreendedora, e a massa pobre que quer seguir esses emergentes; o segundo aliado seria formado pela associação do capital produtivo com o trabalho, contra o rentísmo do capital financeiro; o terceiro aliado seria constituídos pelas regiões, o Brasil profundo, que está à espera de uma solução. “O Brasil é um caldeirão que fervilha de energia humana desperdiçada”, afirma Mangabeira Unger. O povo está disponível, falta quem aponte um rumo certo. Esse projeto está sendo defendido politicamente por Ciro Gomes, uma herança do trabalhismo brizolista.

Claro, não abordei outros projetos por desconhecimento. O que pensam os outros Partidos de esquerda sobre as saídas para o Brasil? Não sei!

 

 

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