Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa | Jornalista
DEMOCRACIA A “FRUTINHA RARA”
06/02/2026
DEMOCRACIA A “FRUTINHA RARA”

RAPIDAS

 

COLLOR E OS MARAJÁS DE ONTEM

O agora,   enfim, guardado em prisão domiciliar  ex-presidente Fernando Collor, elegeu-se ganhando milhões de votos com a promessa de “acabar os marajás”.  Quem eram eles ? Os servidores públicos que recebiam supersalários, e um alagoano, Procurador de Justiça era o famoso recordista.

Naquele tempo, nem havia o teto limite, e os “ marajás” nem eram tantos, estavam bem longe dos números atuais.

Registro: Collor não abateu um só “ marajá”. Criou outros, que nem servidores públicos eram. Mas, se mostraram ágeis em avançar sobre os cofres da “viúva”.

 

DINO E OS MARAJÁS DE HOJE 

Foi a bomba da semana. O ministro Flávio Dino soltou uma liminar proibindo ou acabando com os supersalários, aqueles, que ultrapassam o teto   de 47 mil reais. Os chamados “ penduricalhos, ” espalhados pelos três poderes , levam alguns  “ marajás” a receberem até mais de cento e cinquenta mil. Há alguns que ultrapassam os duzentos. Passar do teto estabelecido já é coisa comum, ou mesmo naturalizada.

No total, essa farra nos três poderes da República e em todos os estados e municípios, chega próximo dos vinte bilhões. Isso em avaliações preliminares.

Em Sergipe já estão sendo feitos os cálculos, e não é pouca coisa o que já se constatou ultrapassando muitas dezenas de milhões.

Isso, enquanto a maioria dos servidores andam ganhando salários em torno do mínimo.

 

A ADUTORA DE CANOS FROUXOS

A construção da adutora levando água do São Francisco para a cidade de Poço Redondo, continua sendo um espinho no pé do governador. Na inauguração os tubos soltaram-se quando foram acionadas as bombas. O governador Mitidieri deu prazo para que fosse feito o conserto. Tudo certo, foi marcado outro dia para o acionamento das bombas. O dia chegou, o governador, desconfiado,  nem lá compareceu. E fez bem , porque a adutora continua apresentando sucessivos defeitos. Os canos estão se soltando.

Mas a DESO como sempre nada esclarece, é absolutamente indiferente, e a Iguá,  empresa privada com uma boa folha de serviços, parece contaminada pelo mesmo desleixo.

 

FRANCISQUINHO SAI MESMO

Dizem, assessores mais próximos do prefeito de Itabaiana Walmir de Francisquinho, que ele deixa a Prefeitura na data certa para ser candidato ao governo do estado. Isso, mesmo que a liminar ainda não tenha sido submetida ao plenário do Tribunal Eleitoral em Brasília. Seu vice é pessoa na qual ele deposita integral confiança; tem um filho prefeito de Areia Branca, um outro deputado federal; mais outro deputado estadual; e  assim, munição ele não perde. Resta saber se   assumindo uma candidatura duvidosa, os eleitores não teriam duvidas em votar nele.

 

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DEMOCRACIA A “FRUTINHA RARA”

Nem tudo está perdido, o setor civilizado dos Estados Unidos, que é a maioria, reage.

 

Salvo engano teria sido Octávio Mangabeira, um, entre aquela plêiade  de notáveis políticos baianos o autor da frase sutil , ou  preocupante advertência :” A democracia brasileira é uma      plantinha  tenra, que necessita de permanentes e cuidadosas regas”.       

Vivíamos aqueles dias  esperançosos de intensa mobilização política, do reencontro do país com a Democracia, após o alongado período da ditadura getulista. Quinze anos entre o autoritarismo e o Estado totalitário. ( 1930 – 1945).

O suporte militar de Getúlio, que fora o general Dutra, o derrubou, e logo depois, dele recebeu apoio para eleger-se,  numa aperta eleição direta, onde foi vencido o brigadeiro Eduardo Gomes, que repetia com insistência a frase que  não era dele : “ O preço da liberdade é a eterna vigilância”.

A  “vigilância” seria exercida pela UDN, União Democrática Nacional, formada no combate à ditadura, e sempre inconformada, tinha os seus integrantes frequentando  quarteis, acenado com a necessidade de um golpe militar.

Veio Jânio Quadros, um psicopata  que fazia a “ terapia “ do uísque. Renunciou, na impossibilidade de fechar o Congresso e governar por decreto, sonhava em ser ditador. Após uma quase guerra civil assume o vice João Goulart. O resto dessa história é bem sabido.

Nos entrechoques entre o chamado “ mundo livre” liderado pelos Estados Unidos e a “ Cortina de Ferro”, o bloco comunista liderado pela União Soviética, girava a geopolítica global. Os Estados Unidos maior democracia, sustentava ditaduras, principalmente na América Latina, desde  que os ditadores fizessem profissão de fé anti-comunista.

Do outro lado, pela África e Ásia surgiam os países que se intitulavam “ democracias populares”. Seguiam o ditado imposto por Moscou, gritavam “ abaixo o imperialismo Yankee”, mas eram essencialmente corruptos e pendiam para onde lhes viesse o “ouro”, fosse de Moscou ou da Wall Street.

Nunca houve um real apreço à democracia, mas as  liberdades civis, a rotatividade do poder, eram intocados valores na Europa ocidental e nos Estados Unidos, a “ maior democracia” do planeta.

Ou seja a “ plantinha tenra”, maltratada aqui no Brasil, era fingida, ou totalmente desconhecida na maior parte do planeta.

Hoje, se divulga com espanto que mais de setenta por cento dos povos do mundo vivem sob ditaturas integrais, ou autocracias. Nesses países a “ plantinha “ secou. Ou nunca existiu.

        A democracia é sempre frágil, porque, ao menor sinal de insatisfação das massas, a liberdade de expressão, de reunião, e de navegar à vontade pela Internet, espalha o vírus da simpatia por regimes fortes, que acabariam a “ bagunça”, poriam “ ordem no quartel”, e todos viveriam em paz.

Um fatal engano que nos levou aos “impérios” sangrentos de Hitler, Stalin, Mussolini, Francisco Franco, Oliveira Salazar, Pinochet. Aqui, em escala bem menor, ao destempero  do feroz Ato Institucional Nº 5.

Quatrocentos anos antes de Cristo, pessoas, entre elas a nova categoria dos filósofos, homens que pensavam, reuniram-se em Atenas, numa praça, a Ágora.

Surgia a demo   cracia   ( povo – governo), e o que se passava na pólis, a cidade, começou a ser discutido, normas , ideias, comportamentos,  valores, eram discutidos.

A Ágora era restrita, havia vedações, a escravos por exemplo.                     

Depois, pelos séculos  dezessete, dezoito, nas revoluções inglesa, americana, francesa, os conceitos  de direitos individuais, liberdade de expressão e reunião, imprensa livre,  representação popular, ou voto livre, divisão dos poderes, igualdade,  foram sendo consolidados, passaram a fazer parte da vida civilizada. Foram os pilares da Democracia.

Todavia, nada do que é humano é perfeito, e o ser humano é um animal instável, voluntarioso, egoísta, ambicioso, desonesto, cruel. E quando esses péssimos comportamentos em algum momento da história  se juntam,  a eles as democracias não conseguem resistir.

Sem que o ser humano se torne de fato civilizado, abraçando uma coisa subjetiva chamada razão, a “plantinha tenra”, na aridez de um solo adusto, vai secando e morre.

Para comprovar, basta que meditemos sobre o que vai acontecendo hoje nos Estados Unidos, e a barbárie ousada que nos rodeia.

 

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UM PEZINHO DE ERVA PARA QUEM QUEIRA

A maconha de erva "maldita", a planta que cura.

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 A ANVISA chegou um pouco tarde, mas, enfim, a ciência brasileira reconhece o poder curativo daquilo que por muito tempo foi chamado de “ erva maldita”. Falamos da canabis sativa,  ou maconha.

Malsinada, criminalizada, demonizada até,( neste caso em alguns cultos religiosos,) a maconha, comprovadamente, tem propriedades curativas.       

Enquanto aqui a polícia está “ correndo atrás de maconheiro “, os Estados Unidos e outros países ricos, importam as folhas da planta e produzem o canabidiol. Com ele, fazem remédios usados para a cura de várias doenças, entre elas a epilepsia, as convulsões, dores recorrentes, demência, a lista é longa. O medicamento é caro e o importamos quando poderíamos ser facilmente o maior produtor da canabis, e de todos os medicamentos  dela extraídos.

Há uma atrasada concepção sobre o chamado uso recreativo da maconha, e isso remonta a séculos passados, quando escravos vindo da África traziam a semente, plantavam-na e tinham a satisfação e o consolo  de acenderem os seus cachimbos. Depois, vinha o “banzo “, que  poderia ser nostalgia pela terra e gente que deixaram do outro lado do Atlântico, ou os efeitos tranquilizantes da erva.

 Sendo coisa de negro e escravo, teria de ser enxergada com preconceito e objeto de castigos.

Já o tabaco, usado nas cortes europeias, era coisa fina, de branco, e não representava perigo. Embora o fumo seja comprovadamente devastador para a saúde de quem o consome, isso não era levado em conta.

Mas a maconha foi criminalizada e os usuários, os maconheiros, considerados marginais, gente perigosa que precisava ser afastada do convívio social.

A crônica policial de segunda categoria, costumava atrelar a violência ao uso da maconha. E eram populares as histórias de gente que fumou maconha, ficou brava, foi matar e roubar.

Isso assustava.

Mas, os bêbados ao volante causando acidentes, ou chegando em casa batendo e matando a mulher, eram coisas naturalizadas. Há musicas onde os “ídolos” cantores ou cantoras, estimulam o consumo da cachaça. “ Hoje eu vou beber cachaça até cair”.....

Músicas assim são comuns nos grandes shows e tocadas normalmente nas rádios.

E só há espanto e crime quando na  bebida é adicionado o metanol  em doses que matam. Nos alambiques clandestinos,  as vezes acontece “ errarem a mão.” Nesses ermos distantes do interior isso ocorre até com frequência, mas a bebida é barata,  quem a usa é gente muito pobre.

Quando um dia a maconha for tratada como uma droga de baixa letalidade, e os produtos dela derivados estiverem nas farmácias, terá chegado a hora de o combate às drogas tomar um outro rumo, voltado para aquelas pesadas, que efetivamente matam, que efetivamente  contribuem para o aumento da criminalidade, ou enchem as ruas das grandes cidades com a horda de infelizes zumbis, tangidos de um canto para outro como se fossem animais.

Em Sergipe houve um precursor no estudo cientifico da maconha. Até teve a coragem de revelar que a experimentou, para avaliar seus efeitos. E foi mais além, apontando as características medicinais do produto, ou seja, do canabidiol.

Foi o professor e psiquiatra João Baptista  Perez Garcia Moreno, o pioneiro nesses estudos, expostos numa tese defendida em concurso que fez para a cátedra de biologia no Atheneu Sergipense.

O professor e historiador Jorge Carvalho lembra que no começo do século passado, houve mais um sergipano a tratar, sem preconceitos, do tema maconha. E ele era governador de Sergipe. Rodrigues Dória, um médico que publicou em jornal  de Aracaju um artigo, espantando a elite conservadora. O título : Os fumadores de Maconha.

Se cada usuário plantar em sua casa um pezinho de maconha, ele satisfará seu hábito, e terá o produto para oferecer a alguns amigos, também adeptos, sem o perigo de recorrerem aos traficantes. E ainda mais: terá as sementes para o chazinho tranquilizador da vovó.

Por outro lado,  com a devida licença, deverão surgir extensas plantações. Com certeza logo estarão incluídas  como atividade importante do agronegócio.

Aqui, o clima é ideal, e os preços do produto podem gerar muita renda, e empregos.

 

Nos Estados Unidos empresas que lidam com o

canabidiol já têm seus papeis negociados em Bolsa.

Afinal, o Brasil é um país capitalista, e o capitalismo se move havendo produção, gerando lucros e também os empregos.

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