Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa | Jornalista
FRACASSADO O “TAPETÃO” A “MÁQUINA” ENTRA EM CENA
23/07/2026

FRACASSADO O “TAPETÃO” A “MÁQUINA” ENTRA EM CENA

Valmir definitivamente candidato, escolheu Priscila para ser sua vice.

 

Realizada a convenção  dos partidos que apoiam Valmir de Francisquinho nessa segunda-feira, dia 20 de julho, ele agora torna-se, de fato e de direito candidato ao governo de Sergipe. A aposta do governador Fábio Mitidieri e do seu grupo era, mais uma vez,  a repetição do que aconteceu em 2022, quando ele venceu por larga margem no primeiro turno, mas foi impedido de disputar a segunda rodada, da qual Mitidieri estaria alijado, por ter ficado num bisonho terceiro lugar.

O “tapetão” mágico, no qual Mitidieri subiu e voou para alcançar o segundo lugar, foi a decisão judicial inédita, para não dizer exdrúxula, que considerou Valmir um vencedor inelegível; isso, de forma atemporal, por ocorrer após a eleição, e também absurda, porque Valmir renunciara ao mandato de Prefeito de Itabaiana para concorrer. Assim, tínhamos o quadro estranho de uma elegibilidade relativa e seletiva, válida para que Valmir fosse prefeito e inválida para que se tornasse governador.

Essa situação anômala colocava sob forte suspeição o tipo ide hermenêutica utilizada pela Justiça Eleitoral para interpretar a lei e aplicá-la de forma coerente.

Confiavam os governistas que o mesmo viria a suceder agora, e apostavam todas as fichas na possibilidade de vencer uma eleição sem ter um opositor com real capacidade de derrotá-los.

Não aconteceu a ansiosamente aguardada reedição do “milagre” da caneta afrontando a vontade popular. Valmir, agora com a candidatura registrada, vai para a campanha, percorrendo um clima popular que lhe é amplamente favorável. O tamanho enorme da Convenção realizada no Santa Maria, por sugestão da Prefeita Emília, que deu mais força a uma transformação social ali acontecendo, demonstrou que, de fato, Valmir tem uma incontestável capacidade de liderança popular. Acrescente-se a isso a aprovação de mais de setenta por cento dos aracajuanos à administração de Emília.

Valmir, quando Prefeito, interessado em expandir o empreendedorismo no seu município, que, aliás, nisso é recordista, conheceu o trabalho transformador que a advogada Priscila Chagas Felizola realizava no SEBRAE. Visitou a SEALBA, uma exposição dos avanços da agricultura em Sergipe, Alagoas e Bahia, que acontecia em Itabaiana pela terceira vez, e ali viu a força que ganhavam os pequenos negócios. Agora Priscila é a vice na chapa de Valmir. São poucos os municípios em Sergipe onde Priscila não deixou uma marca da sua administração.

Sem o “tapete” para  fazer, com facilidade, o caminho da continuidade no poder, o governismo acelera a “lubrificação da máquina”, ou seja, o uso acintoso do dinheiro público, com a esperança de reverter o clima que lhes é aparentemente desfavorável. Esse uso se processa de  diversas formas, e existem figuras conhecidíssimas no meio político, detentores da deplorável habilidade “mecânica” de por a “máquina” em movimento.  

A Justiça Eleitoral, o Ministério Público e o Tribunal de Contas estão sendo desafiados, para que, em respeito e em homenagem à Democracia, as eleições sejam processadas sem que delas desapareça aquele conceito inseparável de isonomia. Algo essencial para que uma sociedade possa ser definida como civilizada.

Desta vez há um grave sintoma: a evidente presença no governo de um ressuscitado ranço de coronelismo mandonista, que se revelou, sem disfarce e até ostensivamente, durante as eleições municipais, criando um clima de medo, perseguição, compra de votos e todas as formas deletérias de abusos do poder, inclusive com o emprego do organismo policial para coagir eleitores.

A esse coronelismo atemporal e ressuscitado Valmir de Francisquinho tanto assusta e, ao mesmo tempo, é visto com desprezo arrogante: “aquele tabaréu de Itabaiana”. Para “meter esse medo” aos detentores de poder, Valmir deve ter alguma habilidade, coragem, competência ou virtude. Ninguém sai do anonimato de menino pobre em Itabaiana para merecer a consagração na sua terra, depois a projeção  do seu nome por todo o estado, sendo avaliado como intérprete das aspirações do povo. Isso num momento desfavorável, onde a política é vista com reservas, ou até desprezo, e as tradicionais lideranças se liquefazem com surpreendente rapidez.

O ex-prefeito de Itabaiana, “aquele  tabaréu”, como é chamado por essa nova classe de usufrutuários vaidosos das benesses que a politica com o "p" bem miúdo proporciona, ao contrário destes, surge do meio do povo, misturado ao povo, e, coisa rara, se faz candidato ao governo sem frequentar a “panelinha” fervente, onde é preparado o cobiçado prato do poder.

Uma imagem, que pode também ser metáfora, seria uma espécie de biografia resumida desse político que “caiu nas graças do povo”.

Valmir tem o hábito de percorrer mercados e feiras, conversando com os feirantes, os fornecedores, as pessoas que, tal como ele, compram as verduras, as carnes. Para comprar a farinha (a sergipana é a melhor do país), ele aproxima-se dos sacos, escolhe e faz aquele gesto característico da gente humilde provando seu alimento inseparável: afasta a mão em frente ao rosto e lança o punhado de farinha à boca, sem perder um só grão.

Um dia desses, chegando às bancas onde se vendem carnes, os açougueiros queriam carregá-lo nos braços, ele então pediu e afiou uma faca. Disse que queria lembrar dos tempos em que começou a vida como açougueiro. Com rara habilidade desossou o quarto inteiro de uma rês. Detalhe: enquanto exercitava a  arte da primeira profissão, no dedo anelar da mão direita brilhava a pedra vermelha do anel de bacharel em direito.

Itabaiana tem duas orquestras sinfônicas, e o consagrado escritor Saracura inventou a Bienal do Livro. Samarone, médico e escritor, atendeu ao pedido de Valmir e foi ser, com muita energia, Secretário da Cultura na sua terra;  ele lembra que o menino Valmir de Francisquinho trocava às pressas a roupa que usava no trabalho, para ir correndo vestir orgulhoso a farda do Murilo Braga, que os itabaianenses entendem ser o melhor colégio de Sergipe. E acrescenta: Valmir era bom aluno e liderava sempre as movimentadas reivindicações dos estudantes.

Aqueles que se enxergam com “sangue azul” e não fazem a menor ideia de como vive o pobre dirão, torcendo o nariz em gesto de nojo: tudo isso é bobagem, ou demagogia.

E, assim, o “tabaréu de Itabaiana” avança.

 

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A ULTIMA PÁ DE TERRA NA COVA DE UM DESGRAÇADO

A Lotese, gerida pelo Banese, faz o contrário do que deveria ser feito por um banco de desenvolvimento. Suga dinheiro do infeliz viciado e prejudica toda economia do Estado. 

 

As Bets entraram no Brasil há uns seis anos. Hoje formam uma devastadora ferramenta de degradação humana e corrosão social, com efeitos calamitosos na estrutura econômica do país. Não se sabe ainda o número exato dos milhões de viciados naqueles aparentemente inocentes joguinhos, onde aparecem bichinhos coloridos, simpáticos, aplicando as técnicas mais eficientes para induzir as pessoas a gastarem o seu último centavo. As bets dominaram a mídia tradicional, as redes sociais, investiram pesado no futebol e transformaram o esporte preferido dos brasileiros num lamaçal de corrupção.

Como não poderia deixar de ser, entraram naqueles dois prédios, um côncavo, outro convexo, e lá multiplicaram adeptos.

Hoje existe uma convicção forte de que é preciso conter a liberdade de extorquir que detêm as bets e, nesse sentido, o governo federal e alguns parlamentares se juntam, buscando um consenso que resulte na criação de um freio na voracidade dessas empresas deletérias, transformando o Brasil todo numa gigantesca réplica de Las Vegas, naquilo de pior que existe na capital da jogatina planetária. Em Sergipe surgem reações, e um candidato ao Senado, o delegado André David, e outro à Câmara Federal, Heleno Silva, já afirmam que, se eleitos, tentarão criar instrumentos legais para regular, ou mesmo proibir, a atuação da bets.

Na Assembleia Legislativa de Sergipe, o deputado George Passos tem sido uma voz crítica à atuação das bets. Mas, no caso, ele se refere a uma bet estatal e sergipaníssima. É espantoso. Temos, de fato, em Sergipe uma bet de apostas, ou uma congênere à sombra protetora do poder público.

O propósito do governador Fábio Mtidieri era criar uma loteria; levada a ideia ao diretor-presidente do BANESE, surgiu a opção de criar algo no exato modelo das bets, talvez em parceria com uma delas, até mesmo para permissão de uso do know-how.

A LOTESE não surgiu com festas, nem o foguetório da publicidade ampla. Instalou-se, e funciona silenciosamente. Isso não quer dizer que esteja em hibernação. Muito pelo contrário, a bet sergipana, imitando as bets multinacionais, oferece tudo para ser igualzinha às outras, que fazem o gigantesco processo de extorsão criminosa do dinheirinho, principalmente dos pobres, que estão entre aqueles mais endividados e com o nome sujo no Serasa. Ou seja, gastam com as bets e não consomem no comércio, destroem a qualidade de vida das suas famílias, ficam inadimplentes e muitos estão chegando à fatalidade derradeira do suicídio.

É doloroso constatar que um banco idealizado e criado pelo Governador Luiz Garcia em 1962 e instalado em 1963 pelo governador Seixas Dória, com a finalidade especifica de fomentar o desenvolvimento de Sergipe, de fortalecer projetos que gerassem emprego e renda, esteja hoje gerindo a LOTESE e prestando o desserviço criminoso de corroer a economia popular.

O “tabaréu de Itabaiana” garantiu que um dos seus primeiros atos, se eleito, será extinguir a LOTESE e recolocar o BANESE no rumo para o qual foi criado e sempre seguiu.

Com a sua LOTESE, o atual governante de Sergipe está jogando a última pá de terra na cova dos desesperados, que quebraram, se mataram, por terem jogado nas bets, entre elas a estatal sergipana.

Deplorável.........

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