Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa | Jornalista
INTIMAÇÃO NO SINTESE E O ENDEREÇO ERRADO
11/09/2026
Professores protestam e fazem greves em defesa dos seus direitos. Policiais militares e civis que não podem fazer o mesmo, embora também fazendo um indispensável trabalho continuam com salários comprimidos.

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Um oficial de Justiça bateu à porta do SINTESE, e lá entregou uma notificação. Mas o endereço estava errado. O correto seria uma entrega feita no Palácio onde despacha o governador Mitidieri, ou, numa das suas residências,  à beira mar na Praia dos Artistas, outra, a beira rio no Mosqueiro, esta última facílima de encontrar, por ser um primor de moradia, bem vistosa.

O governador, ao contrário dos professores, não tem nenhuma preocupação com salário, muito menos pisos salariais.

A Justiça tem seus próprios ritos e obedece a parâmetros que, por vezes, destoam-se da realidade, por isso, talvez coubesse ao magistrado ir além da hermenêutica, para buscar na equidade, que quase pode ser sinônimo de Justiça a melhor , mais lógica e humana aplicação das leis.

Durante a chamada Revolução Cultural na China, subverteram-se todos os valores, romperam-se todas as tradições, e fizeram entre outras ações inusitadas, a experiencia de  alfabetizar pessoas, e logo transformá-las em Juizes locais, para julgarem casos da própria comunidade, sem subirem à instancias superiores, onde ficariam bloqueadas por muito tempo. A justiça naquele imenso país, onde Fm áreas montanhosas, desérticas, selvagens, e quase inacessíveis, tornou-se mais rápida. Todavia, surgiram as incoerências,  e, logo recivilizando-se, a China voltou ao modelo  de aplicação da Justiça , que é quase universal, isso, enquanto fuzilava os ativistas do tumulto criado pelas ideias da madame Mao, depois que se tornou poderosa e desastrada viúva.

Entre nós, diante do que ocorre na  Suprema Corte seria, talvez, o momento aprazado para que todo o nosso aparato judicial começasse a refletir sobre a necessidade de reaproximar-se de um simples conceito do que é justo e  Injusto, decente e indecente, ético e aético, moral e imoral, primoroso ou desprimoroso.

No livro Uma Teoria da Justiça, John Hawls filósofo inglês que, com maior  abrangência e propriedade tratou das questões  relativas ao Direito, exalta a intuição do magistrado, ou seja, sua capacidade de enxergar o bem e  o justo além da imóvel frieza da lei. E destaca algumas situações onde a intuição se faria necessária.

Diz Hawls : “ O intuicionismo,  em sua forma mais comum, adota o aspecto de um grupo de preceitos,  sendo que, a cada grupo  se aplica  um  problema particular da justiça. Há um grupo de  preceitos que se aplica às remunerações (o grifo é nosso) outro às taxações, outro ainda aos castigos,  e assim por diante. Quando estivermos considerando a noção de remuneração (outra vez o grifo é nosso) deveremos pesar, de alguma forma,   os vários critérios competitivos, como , por exemplo, as remunerações a serem atribuídas ao critério da inteligência, de aperfeiçoamento, de esforço, de responsabilidade e de periculosidade do trabalho. Assim como fazemos  alguma concessão ao critério  da necessidade do trabalho  da pessoa”

Caso viesse a ser adotado esse procedimento , que pode ser traduzido como respeito  as pessoas e  as atividades por elas exercidas, a Justiça,  aqui no nosso sergipaníssimo e lamentável caso, poderia entender que era necessário na demanda apresentada  decidir pela reconvenção, ou seja inverter os termos e mandar o oficial de justiça bater na porta certa que seria a do local onde estivesse o governador Fábio Mitidieri, o intimado, para cumprir o dever de assegurar salários decentes  aos professores, e assim manter as Escolas abertas, sem prejuízos para os alunos que as frequentam e precisam cumprir a risca as exigências do ano letivo.

Ainda que ele entenda que os professores são preguiçosos,  defeito bem maior seria a omissão , ou a fuga deliberada dos seus deveres de governante.

Por causa disso a sociedade sergipana paga o preço.

 

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EXEMPLO A SER IMITADO O INSTITUTO LOURIVAL FONTES

Lourival Fontes, controverso personagem, deu seu nome a um instituto exemplar.

 

Dona Hildete Falcão Baptista não podia ver criança abandonada pelas ruas de Aracaju, onde vivia. Descendente de uma família tradicional e rica de Feira de Santana, na Bahia, ela casou-se cedo com um jovem médico que conhecera em Salvador. O médico era Lourival Baptista, homem de classe média, e, tendo enfrentado dificuldade quando seu pai comerciante começou a enfrentar problemas financeiros, ele, tendo o diploma, imediatamente conseguiu trabalho.

Embora tivesse muito respeito, admiração e até afeto pelo sogro, o patriarca João Falcão, dono de muitas terras, muito gado, usinas de açúcar, comércio, um jornal e um banco, o jovem médico, nesse sentido um tanto orgulhoso, não quis depender do sogro, tornando-se mais um da família. Resolveu não morar na Bahia e decidiu vir para Sergipe. Atendeu a um convite do contemporâneo de Faculdade Augusto Franco.

Depois de formado, Augusto Franco montou um consultório de oftalmologia em Aracaju. Não completou-se um ano, foi convocado por Dona Adélia Franco, matriarca da rica família por ter enviuvado cedo e estar à frente de tudo, para ir morar em São Cristóvão e administrar uma Fábrica de Tecidos. A fábrica, com mais de quinhentos trabalhadores, precisava de um médico, e Augusto convidou Lourival a vir ser esse clínico geral.

Ali, Lourival cresceu politicamente: foi prefeito, depois deputado estadual, federal, governador, senador da República. Augusto Franco fez carreira dupla de grande empresário e político, sendo também deputado federal, senador e governador. Os dois eram amigos, duplamente compadres; houve arranhões na amizade, mas logo reparados, e Lourival, senador com muito prestígio em Brasília, apoiou a candidatura do colega e amigo a ser indicado para o governo de Sergipe. Os dois fizeram administrações exemplares e, por isso, sempre relembradas.

Mas, onde está nessa história o Instituto Lourival Fontes, Dona Hildete e Lourival?

Para atender Dona Hildete, que via compungida o grave problema do abandono de menores, o casal criou o Instituto Lourival Fontes. Lourival, o Baptista, admirava o homônimo Lourival Fontes, intelectual e um dos homens mais poderosos na ditadura de Getúlio Vargas. Nele, o Baptista enxergava qualidades humanas que iam além das convicções fascistas. De fato, o Fontes foi um homem muito culto, destituído de ambições materiais, e revelou-se, democraticamente, como eficiente senador, eleito com o apoio das duas principais correntes da política sergipana.

Dona Hildete não conseguiu, como desejava, fazer uma instituição para os dois sexos, devido aos custos com o rigor das separações àquele tempo exigidas.

Assim, só meninos eram atendidos. Nas amplas instalações havia as salas de aula, salas de música, área para esportes, uma clínica e oficinas onde os meninos aprendiam um ofício. Ficavam até os 18 anos; depois, saíam tendo a segurança de empregos que Dona Hildete para eles providenciava. Houve também os que preferiram cursar faculdades e, assim, o apoio se ampliava. Naquele tempo, não havia ensino superior para todos, como agora, na era de Lula e FHC.

Pelo Lourival Fontes, passaram engenheiros, militares, policiais, médicos, advogados, professores...

Com a morte de Dona Hildete, o Instituto permaneceu, mas, ao não ser reeleito para o Senado, Lourival perdeu a condição de esteio seguro da Instituição. O apoio das autoridades foi diminuindo; hoje, quase não mais existe. Mesmo assim, vai resistindo em pequena escala.

A filha mais nova do casal, a advogada Angelina Baptista Prudente, fez o que pôde, e enquanto pôde. Agora, parece que mudou a configuração administrativa, e o Instituto Lourival Fontes vai entrando numa fase irreversível de decadência.

Foi o melhor exemplo de acolhimento a jovens que não teriam futuro.

Agora, está esquecido..............

 

 

 

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