Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa | Jornalista
MITIDIERI JÁ TEM  UM ADVERSÁRIO E CHAMA-SE VALMIR DE FRANCISQUINHO
02/03/2026
MITIDIERI JÁ TEM  UM ADVERSÁRIO E CHAMA-SE VALMIR DE FRANCISQUINHO

 

NESTE BLOG

1) MITIDIERI JÁ TEM  UM ADVERSÁRIO E CHAMA-SE VALMIR DE FRANCISQUINHO

2) TRUMP E NETANYAHU JÁ PERDERAM A GUERRA

3) PLATAFORMAS E O DESMONTEOU O DESCOMISSIONAMENTO

4) A IGUÁ OS GATOS E O JET SKY

5) UMA JUÍZA  EM  2026 USANDO UMA LITEIRA


MITIDIERI JÁ TEM  UM ADVERSÁRIO E CHAMA-SE VALMIR DE FRANCISQUINHO

Mitidieri terá um adversário, chama-se Valmir de Francisquinho

 

Valmir de Francisquinho prefeito de Itabaiana,  pede um mês de licença  e vai circular por Brasília. Mas, sua intenção é outra. Ele quer testar a capacidade administrativa do seu vice-prefeito, avaliar sua capacidade de tocar o município, enquanto ele, definitivamente afastado, estará empenhado totalmente em sua campanha ao governo do estado.

Já tem a certeza de que não haverá os empecilhos que enfrentou antes, quando ganhou um primeiro turno, e foi impedido de concorrer ao segundo. No primeiro turno Mitidieri já teria sido eliminado, foi Rogério Carvalho quem ficou no segundo lugar.

Hoje a situação é diferente, Mitidieri tem a máquina do governo na sua mão e sabe manejá-la. Mas ele tinha um horizonte quase desanuviado de uma eleição sem concorrentes de peso, acreditando na inelegibilidade eterna de Fracisquinho. Havia quem dissesse  que ele venceria por WO, situação não incomum no esporte, todavia rara na política.

Há um cenário onde predomina a lógica, que bate na cabeça do eleitor e inquieta a cabeça dos juízes: Francisquinho  viveria uma situação anômala, habilitado para ser prefeito, inabilitado para ser governador!

Nas circunstancias que vive a Justiça brasileira, “engolir mais um sapo” mesmo que seja um “sapo “pequeno lá de Sergipe, seria dar  motivo  para   uma desconfortável controvérsia, e aumentar o peso  da desconfiança.

Assim,  Francisquinho já se lança candidato, sem o risco de vencer nas urnas e perder naquele tapete, no caso,  muito escorregadio, onde antes já despencou. 

Isso muda radicalmente a cena que se projetava para os próximos e importantes capítulos de uma novela eleitoral que se arrasta com surpresas, suspenses, e estranhezas, há mais de cinco anos.

Vai acontecer uma eleição em cenário normal com os contendores seguros sobre a própria capacidade de serem candidatos. E o eleitor terá pela frente aquele horizonte ideal para a democracia: o direito de  fazer escolhas diante da pluralidade de chapas concorrentes.

Nos próximos dias o governador Mitidieri, candidato a reeleição desde o primeiro dia deste mandato, deverá realinhar suas estratégias, azeitar alianças, ampliar seu campo de apoio, resolver o imbróglio na chapa majoritária para o Senado, e testar as “ fidelidades “ em estado de fluidez.

 

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TRUMP E NETANYAHU JÁ PERDERAM A GUERRA

O dois guerreiros, Trump e Netanyahu podem ter pego o bonde errado. 

 

Vladmir Putin há exatos 4 anos começou um absurdo e criminoso ataque à Ucrânia, ao qual deu o nome de ‘’operação militar”, um eufemismo cínico para disfarçar a guerra de agressão que começava.

Biden, já revelando sinais de demência, caso interferisse a tempo e a hora poderia, conversando com o autocrata russo, negociado uma solução para evitar  o ataque. Isso não aconteceu, e o desfile de tanques que Putin imaginara em três dias rodando pelas ruas de Kiev, transformou-se numa carnificina, que nesse fevereiro completou quatro anos.  

Nesse período ficou exposta a inaptidão das  forças de terra russas para vencerem resistências e ocuparem terreno com rapidez.

A guerra na Ucrânia pouco afeta o mundo. A Rússia é uma potência militar sem maior expressão nos mercados.

Com os Estados Unidos a coisa é diferente. Um espirro na sua economia pode gripar o mundo. Mas a gripe trará sempre maiores consequências entre os americanos. 

Daí, o cuidado  que devem ter os presidentes americanos em dosar suas ações no campo internacional ,para evitar  que o “ feitiço vire contra o feiticeiro”. 

A guerra que Trump e Netanyahu iniciaram atacando o Irã, imaginando  subjugar o país dos horrorosos aiatolás em questão de horas,  revela-se um erro estratégico de proporções inimagináveis.

Trump não é um líder político sensato, aliás ,ele está muito mais para hóspede de um hospício do que da Casa Branca. Isso, associado à sua descomunal vaidade e arrogância; juntando-se à necessidade de fazer da guerra uma situação permanente que tem Netanyahu para manter-se no poder, desenha os contornos  de um gigantesco desastre.

Calcularam mal a capacidade de defesa iraniana, imaginaram que matando o aiatolá Khamenei, e chefes da inteligência e da Guarda Revolucionária, romperiam as cadeias de comando. Apenas vontade de assassinar, porque sabem que existe uma lista de nomes na hierarquia sucessória. Matam um, surge outro.

Talvez tenham confundido o Irã com a Venezuela, onde  Maduro, um estúpido títere ignorante foi entregue pelos  seus asseclas por uma boa soma de dólares. E todos continuaram no poder, desta vez, partilhando os lucros do saque ao próprio país com Donald Trump.

Caso esta guerra chegue a duas semanas, os americanos estarão nas ruas exigindo que Trump encontre uma maneira de escapar do beco sem saída.

Os mísseis iranianos atingiram todas as bases americanas nos Emirados Árabes,  e Arábia Saudita  ( os americanos têm mais de cento e cinquenta espalhadas pelo mundo) assim, interromperam o tráfico aéreo,  danificaram uma refinaria. Pela primeira vez o aeroporto de Dubai está paralisado, os hotéis esvaziados. As empresas aéreas os hotéis, toda a indústria do turismo  sendo pesadamente afetada.

 

O que fizeram esses países pacíficos ? Cometeram o erro de tolerarem as bases americanas nos seus territórios. Agora, pagam o preço que é enorme. Até quando irão aguentar essa situação?

 No Chipre, ilha - país no Mediterrâneo há uma base que foi atingida por  drones iranianos. Os europeus estão assustados. O mundo está assustado.

 Há um outro fator que não deve passar despercebido aos militares , à inteligência militar americana, que é sofisticadíssima: O Irã  recebe da Rússia e China informações estratégicas sensíveis, tanto assim que dispararam mísseis contra um porta-aviões no Oceano Índico. O Pentágono respondeu: “ Não chegaram nem perto do navio “.

A verdade é que chegaram, e o Irã não pensava em atingir a belonave americana, apenas demonstrar que sabia exatamente onde ela estava. Tinham as coordenadas exatas fornecidas por quem ?  A esquadra americana já se desloca para pontos mais distantes.

 A produção de óleo e gás está interrompida no Oriente Médio, poços paralisados, refinarias inativas.

De cada cinco navios petroleiros navegando pelo mundo, um, passa pelo estreito de Hormuz, nas praias iranianas. Caso o comando militar decida interromper o tráfego de navios espalhando minas marítimas pelo canal, o que seria relativamente fácil, o barril do petróleo vai ultrapassar a faixa dos cem dólares.

Os americanos vão pagar mais pela gasolina, o mundo também, haverá inflação, e organismos internacionais já preveem   recessão econômica.

Se dentro de três, quatro semanas,  a força aérea americana e israelense conseguirem destruir o sistema de defesa iraniano, e fique neutralizada a capacidade de disparar mísseis e drones, restará em terra a Guarda Revolucionaria, são mais de 300 mil homens, o regime estará intacto.

Mandarão tropas para invadirem o Irã?

 Os caixões cobertos com a bandeira começarão a chegar para que as famílias sepultem seus mortos.

Teria chegado aquele momento que horroriza os próprios generais americanos: “ Troops on the ground ‘’. A hora de muito sangue , o trabalho pesado e mortal da Infantaria.

O americano comum,  que não se perde em delírios ideológicos, indiferentes aos slogans, América First, Make América Great Again.

 poderão sair às ruas exigindo o internamento do louco.

O absurdo impensável: Aqui, em algumas cidades brasileiras, grupos de pessoas enroladas em bandeiras brasileiras, ou americanas e israelenses, portavam cartazes: SOS TRUMP.

Faziam parte de uma anunciada manifestação que reuniria milhões de pessoas  ( e reuniram apenas alguns milhares)  pela soltura de Bolsonaro, o impeachment de Lula e fechamento do STF.

No palanque estava o presumível herdeiro da capitania hereditária, Flávio Bolsonaro.

 

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PLATAFORMAS E O DESMONTEOU O DESCOMISSIONAMENTO

As plataformas vão sumir do horizonte, mas isso leva tempo. 

 

No litoral de Sergipe há mais de vinte enormes estruturas de ferro e aço, presas por poderosas “pernas,”e enfiadas no leito do mar, quase todas em profundidade que nunca ultrapassa os trinta metros. Da praia elas podem ser avistadas. Nenhuma  fica a mais de dez quilômetros.

Durante a noite, formavam uma linha curiosa de pontos iluminados dentro do mar.

Dessas plataformas,  jorravam,  nos anos setenta do século passado mais de 50 mil barris diários de petróleo,  também o gás. A logística era complexa. Oleodutos e gasodutos levavam a produção para o terminal na praia da Atalaia. O óleo retornava levado para petroleiros que ancoravam  ao largo. O gás, processado, era vendido em botijões ou transportados em caminhões -pipas.

Tudo isso acabou. 

Decorridos 50 anos os poços se tornaram antieconômicos. O Terminal foi vendido na ânsia que tinha o Paulo Guedes de entregar a PETROBRAS. 

Agora, as estruturas estão sendo “ descomissionadas”, ou seja, desmontadas para a reciclagem. Sergipe tornou-se o centro dessas operações abrangendo áreas de outros estados.

Um negócio de bilhões, que vai gerar empregos, inclusive, muitos de alta qualificação. Sergipe vai ter vantagens, e o governador Mitidieri comemora uma maior arrecadação ao longo de mais de cinco anos.

Mas, não se pode relacionar este processo de “ descomissionamento”, um simples episódio   do fim de uma etapa, com um outro mais complexo e impactante, que já deveria há cinco anos ter sido iniciado : a produção de óleo e gás em águas profundas, agora, postergado para os anos trinta.

 

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A IGUÁ OS GATOS E O JET SKY

A herença de desleixo que a Iguá recebe não é pequena.

 

Há uma barragem, como tantas outras espalhadas pelo semiárido sergipano, que, apesar da longa estiagem permaneceu com seu volume de água inalterado. Contrastava com outras que, antes das chuvas  fartas agora caindo, estavam mirradas,  com a desoladora imagem do leito de lama seca.

Essa barragem  fica nos arredores do povoado Capim Grosso, em Canindé do São Francisco. Ela foi “ descoberta” por um dos funcionários da Iguá, que andam esforçadamente a “ caçar gatos “. 

Como é sabido, gato que é gato mesmo detesta água, mas, há um outro felino seu parente  vistoso que adora nadar:  as onças pintadas restantes nos  pantanais mato-grossenses.

 No caso em foco, “gato”, é o nome que se dá ao furto de água ou energia elétrica. A DESO, uma  estatal que afundou nas águas mais lamacentas da  baixa política, não demonstrava interesse em eliminar “gatos.” Com eles displiscentemente convivia. Esse grau de indiferença, ou conveniência, em relação aos “gatos” variava de acordo com  cada diretoria, e a responsabilidade que tivesse com a coisa pública.   A Iguá, ao contrário, quer eliminá-los para reduzir a enorme perda de água  e alcançar maior faturamento,  depois de promover um forte reajustamento nas suas contas.

Livre de pedidos de vereadores, deputados, políticos em geral querendo voto, a Iguá pode, sem maiores obstáculos  “ cortar os gatos”.

Nos povoados pequenos e pobres existe o “ cano grosso ,“ de onde saem todos os “gatos”. Mas hoje, com a tarifa social, o “gato” pouco representa, e os moradores têm consciência de que, nas suas torneiras falta água quase sempre, porque, pelo caminho da adutora multiplicam-se os “gatos gordos”  que enchem barragens, como aquela que o funcionário da Iguá encontrou, fez o corte e proclamou nas redes sociais : no povoado de Capim Grosso não irá mais faltar água. Está cortado o “gato” que alimentava  a barragem, tão grande que nela  se poderia navegar de Jet-Sky.

O abastecimento melhorou  um pouco, mas   a agua ainda é escassa. Sinal de que  existem muitos “gatos” a serem eliminados.

Enquanto isso, cresce na população uma desconfiança em relação ao sucesso da aguadeira Iguá,  e isso não deixa de ter reflexos neste período sensível que antecede as eleições.

 

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UMA JUÍZA  EM  2026 USANDO UMA LITEIRA

A tal juíza vive em outro mundo. 

 

As  empavonadas matronas, ou senhorinhas,  acomodadas numa liteira carregadas aos ombros  por dois  musculosos escravos negros,  iam tomar o chá das cinco com amigas ou familiares  do mesmo estamento aristocrático. Aquele trajeto pelas ruas era um gesto significativo,  demonstrava  poder e importância social. No Rio de Janeiro, capital da colônia, depois Império,  onde conviviam as cortesãs, a liteira foi sendo substituída por um outro transporte: as carruagens.

Ao trocarem o meio de  transporte, não o fizeram por comiseração ou respeito humano ao humilhado escravo. Apenas, saiam as “bestas humanas”, entravam “outras” mais eficientes. Tinham quatro patas.

Da liteira à carruagem foram  substituídos os negros pelo palafreneiro. Uma coisa mais elegante, o negro bem vestido, rédeas às mãos e comandando  cavalos.

Caso alguns deles, tanto o maltrapilho como o bem fantasiado de gente, cometessem alguma falha, fossem menos submissos como deve ser o escravo, a correção à chibatadas aplicadas em público seria inevitável.

Havia um outro cenário, desta vez repugnante, estupidamente desumano.

 Uma senhorinha burguesa, bem educada, nos limites da educação possível às mulheres, assistia missa todos os dias,  e recebia, regularmente a hóstia sagrada. Era,  ou teria de ser, uma fervorosa cristã. Filha de pai abastado, comerciante ou  traficante de escravos. Da janela do sobrado onde vivia, no centro da capital do Império, ela podia assistir  diariamente um cortejo malcheiroso. Eram os negros escravos, carregando à cabeça tinas repleta de fezes dos seus patrões ou donos. Dirigiam-se à enseada de Botafogo, onde faziam os despejos, depois, lavavam os vasilhames nojentos, e banhavam-se retirando dos corpos os excrementos que por eles escorriam.

A sociedade conservadora, cristã, aristocrática, ou apenas burguesa, seus juízes, padres, professores, políticos, cortesãos, negociantes, nobres, barões e marqueses, todos, com poucas exceções, admitiam aquelas cenas ultrajantes. Eram  episódios naturais, no mundo que Deus criara e onde teria de haver,  bem distintos, nobres e plebeus, ricos abastados e pobres famintos, senhores, e escravos. No Parlamento, sisudos e respeitáveis senadores,  face austera e gestos de empáfia, alguns, egressos do curso de Direito da secular Universidade de Coimbra, defendiam, com “ardor cívico e patriótico senso de responsabilidade“ a permanência do sistema vigente, e que, conservadoramente, deveria vigir pelos séculos a fora.

Tiveram êxito no discurso obscurantista e destituído de sentimento humano.

 Hoje, aquele discurso ainda remanesce no “ conservadorismo “ que permeia uma considerável parcela da sociedade brasileira. Não se trata de uma visão política normal a respeito de valores morais, ou  de uma evolução social calibrada, para evitar solavancos e choques traumáticos; lamentavelmente ,não passa de uma  defesa de privilégios absurdos para uns poucos, também apelo a regime autoritário para contenção rigorosa de qualquer discordância, de qualquer ideia permeada de bom  senso e sentimento humano.  Enfim, o conservadorismo brasileiro preconizado ou vociferado agora pela extrema direita, contem um ranço  feudal, e o torturante saudosismo dos Inquisidores que atiçavam as fogueiras expiatórias

Aquela magistrada desfrutando de uma folgada aposentadoria , semana passada desceu de um vistoso carro preto, atravessou com ares solenes os amplos espaços de salas e corredores, chegou ao Plenário do STF, a nossa Suprema Corte.    No púlpito   que lhe foi reservado  fez a defesa  dos supersalários, dos privilégios,  da intocabilidade do que enxerga como uma casta especial de pessoas, a quem o Estado Brasileiro deve pagar salários sem limites, cento e cinquenta, duzentos, trezentos mil reais. Disse que não se pode viver com decência e dignidade com qualquer valor abaixo  da aposentadoria que hoje ela desfruta. Mais de cento e trinta mil reais.

E como viverão, professores, militares, policiais, médicos, engenheiros, cientistas, e aquela maioria imensa na faixa do salário mínimo ?

 Não seriam eles também brasileiros, humanos, que têm filhos a educar, remédio a comprar na farmácia, e necessitam diariamente de alimentos?

E resta a dúvida torturante: aquela magistrada, togada,  diplomada, talvez  mestrada, doutorada, saberia mesmo o que significa Justiça ?

Ou, mais simploriamente talvez: ela, a  magistrada, teria alguma noção do que vem a ser humanismo,  compostura, e bom senso?

Uma coisa é óbvia. Para uma magistrada desse nível o salário mínimo seria demasiado.

 

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