O GENTE FINA MITIDIERI E O GENTE DO POVO VALMIR
(IA)
Marchantes unidos jamais serão vencidos
Um político que fosse inteligente, que houvesse construído a sua carreira sentindo o “ cheiro do povo “, caso estivesse numa eleição disputando o governo com um adversário que tivesse exercido uma profissão modesta, marchante ou açougueiro, por exemplo, na festa da sua convenção teria dito: “ O meu adversário que foi um marchante, e cresceu na política, representa a síntese do que desejo para Sergipe. Uma sociedade aberta, oferecendo condições para o pobre subir na vida, e isso não se faz sem uma Escola excelente, uma economia que gere empregos, e um cenário democrático, onde não existam preconceitos, e haja igualdade de oportunidades para todos. Este é o meu sonho, e é por isto que sou candidato à reeleição , para terminar de fazê-lo realidade “.
Não se poderia esperar um discurso desse saído da boca de Fábio Mitidieri, “ aquele burguezinho “, como já o apelidaram os dissidentes do PT, inconformados com a aliança construída pelo senador Rogério, que corre sério risco de afundar junto com o preconceituoso e incômodo aliado.
“ Burguezinho”, na definição dos petistas dissidentes que não são poucos, é o governante elitista, sem cheiro de povo, por isso , sem popularidade, e agora espantado, ou indignado, por ter um “ marchante, um “ simples cortador de carne”, a ameaçar a sua reeleição .
Mitidieri juntou sua pouca habilidade política à vaidade ferida , deu asas ao seu latente preconceito, e soltou em público: “ Eu luto, eu faço de tudo para que Sergipe não venha a ser governado por um marchante “.
Fez pouco caso de uma profissão digna, ofendeu às centenas dos que a exercem, e demonstrou ter uma mente fossilizada pela ideia de que pobre, será sempre pobre, sem direito a ascender na vida, tornar-se classe média, com o Estado trabalhando para que deixem a Senzala, sem querer a Casa Grande, mas, almejando e podendo conquistar uma moradia digna; um sistema de ensino que lhe ofereça alternativas de profissões. A de marchante poderia, sem deméritos, ser uma delas.
Depois desse absurdo, dessa forma insultuosa de tratar trabalhadores que lidam com a carne, o governador teria coragem de ir comprar alguns quilos de filé mignon nas feiras livres, no Mercado Central de Aracaju, ou nos Supermercados, em qualquer município sergipano?
Mitidieri diz querer livrar Sergipe de um “marchante”, por considera-lo incapaz, despreparado, mas, o “marchante” que o apavora e o faz dizer asneiras, tem mais qualificações do que o próprio Mitidieri. Valmir Santos da Costa foi marchante, açougueiro, desossava com grande habilidade. Ainda hoje faz isso , quando vai aos mercados e visita os velhos companheiros. Valmir, ainda menino trabalhava, e saía do açougue para ir estudar no Murilo Braga, uma escola pública de excelência. Fez vestibular, formou-se em direito, depois, formou-se em Administração Pública, formou-se também em Contabilidade. Tem larga experiencia política e administrativa, foi três vezes Prefeito de Itabaiana, o município que mais cresce em Sergipe. Entre tantas coisas que realizou inclui -se o fim de um gigantesco e antigo lixão que desafiava sucessivos gestores. Criou um centro de reciclagem que gera empregos , e reflorestou toda a área que acumulava a fedentina.
O “ marchante” do qual Mitidieri diz querer livrar Sergipe, tem ideias que fervilham na cabeça. Sendo uma figura popular, que se mistura com o povo, anda muito e ouve muito, estuda também, por isso, guarda na cabeça projetos criativos, ou ditados pela lógica, que ele elabora, enquanto faz da política o caminho único que tem para coloca-los em execução.
Alguns deles: criar pequenos frigoríficos onde foram fechados os Matadouros, por questões sanitárias, mas, nunca pensaram no destino dos que lá trabalhavam, nem o fato de que muitos açougues fecharam as portas, faliram, porque nem todos podem comprar caminhões frigoríficos, que trazem a carne de longe, e isso encarece o produto. Por outro lado, ressurgiu a prática do abate do boi “ na folhinha”, isto é, no meio do mato, sem fiscalização sanitária, e sem pagar impostos.
Este não é um problema a preocupar a “ gente fina”, mas o “ marchante” conhece tudo isso. E muito bem.
Uma outra ideia:
Suspender a construção da anunciada segunda ponte para a Barra. Um gasto enorme de mais de um bilhão. Valmir submeteu o assunto à analise de especialistas em trafego, e eles chegaram à conclusão de que é preciso evitar que cargas pesadas transitem por dentro das ruas de Aracaju e da Barra, e isso ocorrerá fatalmente quando for intensificada a exploração do óleo e gás em aguas profundas, e a utilização mais intensiva do porto. Assim, recomendam uma readequação das cabeceiras da ponte construída por João Alves, e melhoria da rede viária na Barra e Atalaia Nova. Ao tempo em que, poupando recursos da Ponte das Vaidades, seria duplicada a rodovia da BR-101 ao porto, chegando até a Atalaia Nova, passando pelas áreas mais densamente habitadas onde se multiplicam os condomínios de ato padrão. A área industrial ficará ao lado do porto, mais ao norte, para aonde convergirão as grandes carretas com cargas pesadas sem riscos de poluição ou transtornos para a população. Todas virão ou irão em direção à BR-101. Sem passar pela ponte de João Alves, ou da outra, que, insensatamente, se tenta construir para exibi – la como se fosse um monumento ao culto da personalidade.
O “ marchante” que segundo a fala fútil e desrespeitosa de Mitidieri, não tem competência para administrar o estado, mergulhou na realidade sergipana, com visão de desenvolvimento econômico e transformação social, daí porque pretende aproveitar nossas vantagens locacionais para convencer à Petrobras, que Sergipe é o melhor local para a instalação de uma refinaria de diesel, o combustível que importamos para veículos e navios. No meio do caminho marítimo onde nos encontramos, seria uma enorme economia para os navios se abastecerem aqui , com o diesel que usam, e é raro em outros locais. Para isso até já existe o Terminal da Atalaia.
O “ Marchante” agredido brutalmente pelo descontrole emocional do “ fidalgo ,“ não é arrogante, não se acha dono da verdade, e tem humildade necessária para ouvir, debater projetos, e não comete a grave infantilidade de se achar auto- suficiente , por isso ,pretende montar uma equipe permanente de assessoramento, e já delineia projetos, e burila ideias, tais como um Distrito Industrial para pequenas e micro empresas com a vantagem de que, sobre os empreendedores não pesarão as taxas da Iguá e da Energisa. Uma pequena usina fotovoltaica resolverá tudo.
O “ marchante” esteve recentemente em Santa Rosa do Ermírio, sentiu a decepção dos produtores do leite com um governador que tudo prometeu, e nada fez. Com eles Valmir trocou ideias, chegando à conclusão que a Adutora do Leite é urgente, urgentíssima, e não se pode perder tempo com firulas. Convenceu-se de que, além da água é preciso assegurar a alimentação para os rebanhos .
Saiu de lá com a ideia de que é preciso aproveitar as terras baixas do São Francisco para irriga-las, quase sem recalque, com sistemas de bombas funcionando também com energia fotovoltaica, - custo zero - e garantindo todo ano, a oferta de milho, milheto, soja, sorgo, palma, faça chuva ou haja seca.
O “ marchante” transita também pela grande questão dos nossos dias, que é o desafio para enfrentar os efeitos do aquecimento global. Ele pretende fazer de Sergipe um exemplo, ou vitrine de ações concretas. Coisas assim, não muito complexas: plantio intensivo de árvores, proteção das nascentes e rios intermitentes, preservação dos manguezais.
Uma coisa também é certa: Haverá festas, mas acabará o festim dos cachês, estupidamente altos, e terão prioridade os artistas sergipanos. Mas aquilo que é tradicional e já se inclui no calendário nacional como o São João, será mantido, ao lado da diversificação de eventos ao longo do ano, para assegurarem um fluxo regular de turistas, tais como o Festival de São Cristóvão e o de Laranjeiras, a Semana do Caminhoneiro , a Bienal do Livro, ambos em Itabaiana.
Festa para alegrar o povo, atrair turista , não pode se confundir com um festim para enriquecer uns poucos.
Valmir, sem se deixar abater por insultos, continua demonstrando nas feiras como se corta a carne com perfeição, mas, tem preocupações maiores, que passam pela economia de gastos , direcionamento das emendas parlamentares, e destinar recursos para a duplicação de estratégicas rodovias, como a Lourival Baptista, da BR-101 até Simão Dias, passando por Salgado e Lagarto, e uma outra, a Rota do Sertão, da BR-235 em Itabaiana, passando por Ribeirópolis, Aparecida, Monte Alegres, Poço Redondo e Canindé do São Franciso. Uma rota de grande importância para o turismo.
O ex-governador de Alagoas, senador Renan Filho, agora tentando voltar ao governo, duplicou a rodovia ligando Arapiraca ao sertão. Resultado: hoje, Piranhas, em frente a Canindé do São Francisco, é um polo turístico de primeira linha, e cresce constantemente. Enquanto, do nosso lado......... Ah, sim, fazem festas.
Valmir é pragmático e não alimenta a vaidade de dizer que nomeou um Reitor para uma nova Universidade criada pelo governo de Sergipe. Ele entende que é mais fácil, mais barato, mais seguro, criar novos cursos, principalmente de alta tecnologia, através de convênios com a Universidade Federal de Sergipe, que possui vários campi no interior do estado.
Valmir pensa, também, numa maneira de transformar o atual ensino da Matemática, tornando-o mais eficiente, e também atrativo.
Ele sabe que a Matemática é a porta para todas as ciências exatas, e quer Sergipe à frente desse processo. Sem precisar gastar muito com novas estruturas de ensino, apenas , economizando, em parcerias com as que já existem.
Com essa atitude de menosprezo às profissões e às pessoas “sem pedigree,” o fidalgo Mitidieri, como o chama o arguto jornalista Adilberto Souza, estaria também ofendendo a um Torneiro Mecânico que se chama Luiz Inácio Lula da Silva, não por acaso Presidente da República Federativa do Brasil.
O que mais atormenta a cabeça do “ fidalgo”, é saber que, além de ter qualificação intelectual, conhecimento da realidade sergipana , experiencia política e muita vontade de liderar um vigoroso processo de mudança com apoio popular, “ aquele marchante tabaréu de Itabaiana”, exibe exatamente aquilo que lhe falta: empatia com o povo.
