Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor, ambientalista, membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Além desse blog, é colunista do Portal F5 News.
TEXTOS ANTIVIRAIS (10)
24/04/2020
TEXTOS ANTIVIRAIS (10)

BOLSONARO E AS “MUNDIÇAS”

Para sujeira, porcaria, lixo, nojeira, indignidade, indecência, há uma palavra na língua portuguesa que dá significado completo a tudo isso. De uma forma suavizante, e talvez, por isso, quase condenada ao desuso. Ela já não mais aparece no linguajar corriqueiro, a não ser em Portugal, onde ainda dá sinais de estar viva. Imundícia, esta, é a tal palavra.

Alguém, sem muita convivência com o vernáculo, poderia até sentir-se lisonjeado, se alguém ofensivamente lhe dissesse: - Você é uma verdadeira imundícia.

Mas, ao invés de imundícia, se fossem utilizados sinônimos como porcaria, nojeira, lixo, já haveria motivo suficiente para que o ofendido fosse às vias de fato.

Uma sinhazinha qualquer, diariamente passando a vista pelas dependências da casa grande, incomodada com a desarrumação ou o acúmulo de sujeira, poderia ter repetido: “Isso aqui está uma imundície.”

De tanto ouvir aquela palavra estranha, os encarregados de fazer a limpeza fizeram a corruptela, e surgiu a palavra “mundiça”. Ao contrário da amenizada imundície, o seu formato vulgar foi recheada com outros sentidos. Ultrapassou a sua conotação restritamente higiênica, e incorporou um significado desprimoroso, pesadamente ofensivo.

Em algumas áreas do nordeste, a corruptela “mundiça” é, com frequência, utilizada para expressar desprezo, desapreço, às pessoas desqualificadas, ou marcando com o sinete da desaprovação os locais de má fama.

Aquilo ali é uma “mundiça”, só tem “mundiça”.

Nessa manhã, dia 24, deste espichado abril de isolamento social, nas caatingas quase despovoadas de Canindé do São Francisco, uma senhora idosa, que acabara até de receber o auxílio dos 600 reais, depois de ver numa televisão quase descolorida a fala do ex-Ministro da Justiça, Sérgio Moro, ficou algum tempo pensativa, silenciosa, depois, disse em tom de desanimo: “Esse presidente Bolsonaro é mesmo uma “mundiça”.

No entender mais simples de uma sertaneja humilde, a “mundiça” ocupara a República brasileira.

Essa “mundiça” aparece agora aos olhos do povo. Pode ser até que não sejam identificados como “mundiças”, ele próprio, o presidente, e os filhos, com os quais divide o poder, mas, as suas atitudes, num instante gravíssimo que atravessa o país, voltam-se, muito mais para “mundiças”, do que para os reais problemas do povo brasileiro.

Veio depois, à tarde, a fala do presidente, defendendo-se das gravíssimas acusações que lhe fez o ex-Ministro da Justiça. Deploravelmente, tratou mais de “mundiças”, do que se poderia esperar do Chefe da Nação, em momento tão conturbado da vida nacional. Referiu-se até a um cheque de 40 mil reais, que ele teria recebido daquele Queiroz, que anda desaparecido.

Ou seja, torna-se efetivamente real aquela constatação da velhinha sertaneja sobre a “mundiça” que assola a República.

Um fato estranho ou uma estupidez cavalar: grande parte do PT, parece ter saído em defesa de Bolsonaro, quando desfecha nas mídias uma inoportuna e virulenta campanha contra o ex-ministro. Sem dúvidas é uma retardada vingança, mas, parece uma defesa do presidente Bolsonaro. Para quem não gosta dos dois, essa surpreendente viagem num mesmo barco, poderia vir a ser um naufrágio de “mundiças”.

Enquanto isso, a desgraçada doença cada vez mais demonstra que não é só uma “gripezinha”. A crise econômica e social se amplia, e os brasileiros, ansiosos, esperando que o presidente efetivamente presida a Nação, e esqueça das coisas menores, como a insistência em conhecer investigações que a Polícia Federal faz contra os seus filhos, o seu entorno íntimo, palaciano.

Na fala, o presidente misturou o ato de governar com a economia doméstica, lembrando que desligou o aquecimento da piscina do Palácio da Alvorada.

Podemos não ter um presidente de verdade, mas os jardins do Palácio da Alvorada ganharam um zelador atento.

Bem que a velhinha enxergou “mundiças” no coração da República.

INFORME PUBLICITÁRIO

Responsabilidade Social: Deso envia remessas de copos de água ao "Restaurante Popular Padre Pedro"

Compartilhar. Esse é um dos principais objetivos, não somente diante da pandemia pela COVID-19 que a população mundial enfrenta, mas em todos os momentos. Com base nisso, a Companhia de Saneamento de Sergipe -Deso tem fortalecido a parceria com o "Restaurante Popular Padre Pedro", localizado no Centro da capital sergipana, através da Secretaria Estadual de Inclusão e Assistência Social, e tem enviado remessas de copos de água potável, destinados a população que procura o estabelecimento diariamente para fazerem suas refeições.

Ao constatar que o estabelecimento continuaria atendendo ao público (com as devidas precauções de saúde e higienização), a Companhia percebeu que poderia apoiar o estabelecimento com a entrega dos copos de água. A ação do "Restaurante Popular Padre Pedro" converge com um dos valores empresariais da Deso que é a responsabilidade social, então, os laços foram estreitados entre a Companhia e a Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social, para fornecer remessas de copos. A sugestão foi imediatamente aprovada pela diretoria que deu amplo apoio. Até agora foram três remessas e o intuito é ampliar ações como essa.

REFEIÇÕES DIÁRIAS

​Segundo a coordenação de Segurança Alimentar e Nutricional, vinculada a Secretaria Estadual de Inclusão e Assistência Social, são ofertadas cerca de 2.250 refeições por dia. No almoço 1.500 refeições em média e no jantar, em torno de 750 refeições, apesar de ter aumentado a demanda nos últimos dias. Foram enviados 800 copos d'água, distribuídos na refeição da noite compatível com o número de refeições que é oferecido no turno.

De acordo com a coordenação, ao passarmos por uma pandemia, a alimentação adequada e saudável é mais que necessária, além de ser um direito que deve ser garantido, e é um componente importante no fortalecimento do sistema imunológico. No "Restaurante Popular Padre Pedro" é fornecido um  cardápio nutricionalmente balanceado e todos os usuários tem acesso a água de maneira ininterrupta através do bebedouro localizado na área interna do restaurante, uma parceria como essa com a Deso, permite potencializar o acesso do  usuário a água, para que eles possam levar e se hidratar onde quer que estejam. A hidratação adequada é uma das principais aliadas nas infecções virais e fundamental para a vida do ser humano. É um momento de soma de esforços no combate ao COVID-19. 

 

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