Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor, ambientalista, membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Além desse blog, é colunista do Portal F5 News.
TEXTOS ANTIVIRAIS (104)
02/08/2022
TEXTOS ANTIVIRAIS (104)

 

SERGIPE -  A PETROBRAS MADRINHA A PETROBRAS MADRASTA

A Petrobras em Sergipe - De "MADRINHA A MADRASTA".

 

Desde que descobriu e começou a explorar petróleo e gás no Campo de Carmópolis, a PETROBRAS sempre foi para Sergipe  uma espécie de madrinha, atenta e generosa.
Esse comportamento, equidoso e justo, atravessou mais de cinco décadas, até quando, no governo Temer e neste, que atravessamos em permanente tumulto, a “madrinha” azedou; em seu lugar surgiu a “madrasta” indiferente, omissa. Cruel, algumas vezes. Ao assumir a presidência da PETROBRAS, Pedro Parente, o destacado agente do cassino financeiro global iniciou o fatiamento da empresa, com o objetivo, depois, de leiloar o restante da petroleira, incluindo o estratégico filé dos campos marítimos. Sem dar quaisquer satisfações, a PETROBRAS fechou as duas fábricas de fertilizantes nitrogenados em Sergipe e Bahia. Entrou Bolsonaro em 2019, e somente em 2021, graças às ações conjuntas do ex-Ministro das Minas e Energia o almirante Bento Albuquerque, (mais um dos oficiais generais humilhados pelo capitão-presidente) e do governo do estado de Sergipe, realizou-se a transferência da FAFEN para a iniciativa privada. À frente da Secretaria de Indústria Comércio Ciência e Tecnologia, o engenheiro José Augusto Carvalho desenvolveu um bom trabalho técnico, juntamente com o Secretário da Fazenda Marco Antônio Queiroz, e o Procurador Geral do Estado, Vinicius Thiago Soares de Oliveira. No início do período Bolsonaro, o governador Belivaldo, sem resposta para uma solicitada audiência com o presidente da República, foi ao então Ministro  general Santos Cruz, que se mostrou simpático ao pleito de Sergipe, entendendo que as fábricas deveriam ser imediatamente reabertas pela PETROBRAS até que fossem vendidas, para evitar o imenso prejuízo causado a Sergipe e ao país. Mas, logo depois, ele seria mais um oficial general a sair, debaixo de ofensas dos filhos do chefe da Nação, que formam uma espécie de “dinastia” na tumultuada República.
O vice, general Mourão, recebeu, atenciosa e diligentemente o pleito sergipano, e até externou a sua opinião pessoal sobre a necessidade do reinício de operações das FAFENs, ressaltando a importância delas para o nosso pujante agronegócio.
Como se sabe, o general Mourão não pode ser defenestrado sendo o vice-presidente eleito. Ele atravessou, paciente e eticamente contido um período de isolamento, e sendo alvo dos ataques destemperados e agressivos do clã, atormentado pela psicótica suspeita de conspirações permanentes.
Assim, o protagonismo da União ficou exercido com muita eficiência pelo ministro Albuquerque. Em 2021 a indústria de fertilizantes passou ao comando do grupo UNIGEL. A produção ampliou-se, a competitividade avançou, mas, os prejuízos imensos causados a Sergipe, aos municípios e ao país, estes, não serão nunca ressarcidos.
O Polo de Fertilizantes sergipano foi pesadamente afetado pela interrupção no fornecimento da amônia e ureia, e isso  contribuiu, de alguma forma, para a subida de preços registrada nos fertilizantes e rações. 
Centenas de caminhoneiros ficaram de repente prejudicados pela perda de cargas.
O prefeito de um município da Cotinguiba dizia, na ocasião, que o empobrecimento geral fez o jogo do bicho e os cabarés fecharem as portas.
A PETROBRAS paralisou toda a atividade de produção em águas rasas de Sergipe. Aquelas plataformas abandonadas custaram muito dinheiro, agora, estão sendo corroídas pela maresia, e breve serão apenas sucatas.
Em terra, onde já paralisara quase todos os campos maduros, a PETROBRAS vendeu, aliás por uma portentosa soma, todos os equipamentos existentes em Sergipe. Mais de mil poços, oleodutos e gasodutos, uma planta de gás natural e as instalações de armazenamento e carregamento de petroleiros. O negócio foi sacramentado em dezembro do ano passado com a COBRA ENERGY, petroleira espanhola com larga experiência em operar e reativar campos maduros em vários países das Américas. Criou-se uma subsidiária para operar em Sergipe, a Carmo Energy. Tudo levava a crer, até pela lógica empresarial mais comezinha: a necessidade de produzir e comercializar, que seriam reativados os poços produtores e revitalizados outros,  parados há algum tempo. A Carmo Energy, com presteza,  mandou a Sergipe três diretores operacionais e alguns técnicos. Um desses diretores fez contatos com o governador do estado, prefeitos, e donos de propriedades onde existem poços de petróleo, informando que os campos voltariam a produzir, e os royalties seriam mantidos. 
Decorridos sete meses tudo está como antes. A PETROBRAS, que nada informa, estaria retardando a transferência do complexo de produção petroleira que foi vendido, e a CARMO–ENERGY, estaria, assim, impedida de assumir o comando efetivo daquilo que já lhe pertence.  
Confirma-se, agora, a suspeita de que a antiga “madrinha” tornou-se a “madrasta” insensível, indiferente a Sergipe, onde, desde 1963 ,em terra, pela segunda vez no Brasil, e no mar, em 1968 pela primeira vez, produziu fartamente óleo e gás, obtendo uma expressiva parte do seu faturamento.
Mas há uma boa notícia: o governo de Sergipe entrou na Justiça com ações contra a PETROBRAS.
O estado pretende compensar pelos danos ambientais, também, pelos prejuízos aos cofres públicos resultantes de ações, inações, e procedimentos diversos. É volume de alguns bilhões de reais.
Conhecendo-se as marchas e contramarchas do nosso sistema judicial, a coisa deve rolar através dos anos, mas, o direito de Sergipe, segundo especialistas que analisaram as peças produzidas pela Procuradoria do estado seria incontestável.  
 

LEIA MAIS

 

UM POUCO DE HISTÓRIA E ONDE FICA O BRASIL (3)

Ao longo da história, onde fica o Brasil?

 

No período tenso de pré-guerra, o mundo polarizou-se entre os países que cultivavam valores democráticos e os que entronizaram o autoritarismo, dando-lhes variadas denominações: comunismo, na União Soviética; fascismo, na Itália, e suas variantes. Na Alemanha o nazismo Hitlerista, em Portugal o corporativismo de Oliveira Salazar, na Espanha o falangismo do general Francisco Franco. Todos assumindo o poder na década de trinta, exceto o comunismo, que dominou a Rússia com a revolução bolchevista em 1918.
No Brasil, Getúlio Vargas chegou ao poder liderando a Revolução de 1930, a vitória, finalmente, do chamado “tenentismo”, com suas quarteladas que permearam a história, a partir do heroico 18 do Forte, episódio de coragem indômita e ideias confusas, que resultou, entre irmãos do Exército, no morticínio nas areias de Copacabana em 5 de julho de 1922. Depois, vieram as revoltas de 22, 24 e 26, e no meio delas a chamada Revolução Paulista, sem os “tenentes” já no poder, mas, com liberais e conservadores liderando, em 1932, uma guerra civil para exigir de Getúlio a Constituição que ele prometera, ao assumir o poder pela força das armas, dois anos antes. Getúlio tomara gosto em governar como era do seu feitio de caudilho pampeiro: sem regras escritas, e para serem obedecidas. A Constituição que os paulistas derrotados exigiram, saiu finalmente em 1934, mas durou apenas 3 anos, até ser substituída pela Carta de 37, quando Getúlio anunciou o Estado Novo, cópia quase exata do seu homólogo, já em prática entre os lusitanos.
Getúlio tornou-se então um ditador sui generis, quase um excêntrico, a diferenciar-se dos seus colegas ditadores que encarceravam, ou simplesmente eliminavam os adversários de um só lado, naquele maniqueísmo que caracteriza os totalitários: de um lado os bons, do outro os maus. Bolsonaro reedita, de certa forma, essa concepção, quando diz que a sua luta é a do “bem contra o mal”, e Michele, a esposa, acrescenta, qual Papisa surgida dos entornos brasilienses, que o marido tem o aval divino, por ter sido o escolhido de Deus. Todos os déspotas do mundo ocidental, eram sacramentados pelo Papa, como detentores legítimos do poder que lhes era conferido por Deus. Quando Luiz XVI e sua mulher Maria Antonieta tiveram sobre suas cabeças o machado do carrasco Sanson, (a guilhotina viria pouco depois) descobriu-se que não era bem assim. 
Antes, em 1688, os ingleses já haviam posto fim ao absolutismo, também decepando cabeças aristocráticas. Desde então o elemento povo, aquele, que confere o poder e em seu nome o faz exercido, passou a integrar prioritariamente o argumento liberal-democrático. 
Getúlio impôs o seu próprio modelo, ao mandar fascistas e comunistas mofarem nas mesmas masmorras. Com isso, e já reconhecido como o “pai dos pobres”, criou o Estado que não era Novo, mas, essencialmente Getulista.
Extremamente habilidoso, Getúlio, mesmo sem ter visão mais aprimorada do mundo, saiu a vender aos dois lados em confronto, o que a ainda Fazenda Brasil teria mais fartamente a oferecer-lhes: o Café, o Açúcar, a Borracha, o Algodão e os Couros. A Alemanha de Hitler tornou-se a maior compradora, e pagando bom preço pelos nossos produtos primários, aquilo, que continuamos de certa forma é quase um século depois, mantendo como principais produtos na nossa pauta de exportações, hoje exponenciais: as commodities. (Continua)

 

LEIA MAIS

 

UMA PALESTRA NA LOJA COTINGUIBA

A recepção ao palestrante e o Veneravel Orlando de Carvalho Mendonça.

 

A quase sesquicentenária Loja Maçônica Cotinguiba, cultiva o bom costume de ir além das suas colunas, ou quatro paredes, em busca de atualizar-se sempre com o que acontece,  a realidade que nos cerca, desde a nossa “aldeia”, que agora tornou-se global, e, por isso, está a exigir de todos uma busca ativa pela informação, o conhecimento. “Conhecer é poder”, tornou-se quase um mantra da modernidade virtual, o metaverso, o tempo anunciado da revolução do conhecimento, disseminado com a velocidade do tempo real, que elimina distâncias e escancara o universo.
Mas, enquanto caminhamos para o futuro quase já acontecendo, é de bom alvitre preservar a tradição da oralidade, quando se fala ou se ouve falar, e nisso se faz uma permuta de conhecimentos, uma troca de experiências.
É a sala de aula, onde na Grécia Antiga discorriam os filósofos, e que pode se fazer existir em qualquer local, desde a casa, ao ambiente de trabalho, aos espaços dos transportes coletivos, das fábricas, dos escritórios, dos quartéis, dos hospitais, além, claro, da sua origem: a Escola.
A Loja Cotinguiba mantém essa tradição, aliás um generalizado hábito maçônico,  aquele, de convidar pessoas, seja da sociedade civil ou da esfera institucional, para que transmitam conhecimentos quase sempre específicos, englobados na vivência de cada um, na faixa de atuação que lhes compete.
Na última quarta-feira dia 27 de julho, convidado pelo Venerável Orlando Carvalho de Mendonça, o Capitão de Fragata Luciano Maciel Rodrigues foi o palestrante. Quase todas as Lojas Maçônicas de Sergipe prestigiaram o evento, que teve a presença do Grão Mestre do Oriente de Sergipe Glairton de Santana.
O oficial da Marinha do Brasil, fez um retrospecto histórico da Força Naval, e uma prospecção pelo futuro, aliás próximo, ou quase atual, se assim é possível dizer.
Desenhou o cenário estratégico do Brasil, rodeado pela imensidão oceânica chamada Amazônia Azul, a faixa enorme sob a qual o Brasil tem soberania, onde estão os imensos campos em águas profundas já sendo explorados, ou em vias de tornarem-se produtivos, como no caso de Sergipe. As tratativas que faz o Brasil na área internacional, na ONU, principalmente, para ampliar sua soberania em alguns pontos, além das limitações atuais, uma delas avançando sobe o dorsal submarino desde a costa do Espírito Santo, até a ilha da Trindade, território brasileiro, quase a meio caminho da África. O comandante Luciano mostrou a importância econômica-estratégica do Atlântico, por onde circulam quase oitenta por cento das mercadorias que exportamos e importamos, e a necessidade de ampliar o nosso Poder Naval, que deve tornar-se o marco da presença brasileira, no Atlântico, e nos mares do mundo. E algo aqui, que nos diz respeito como país continental, e com a área da Amazônia Verde, onde, tanto como na Azul, e neste caso à “flor do chão”, “dormem”, no tempo geológico, incalculáveis riquezas minerais. Este país deve ser o único, onde se forma uma flotilha de dragas do garimpo, além de ilegal criminoso, sugando areia do leito de rios, e obtendo grandes quantidades de ouro.
Na Amazônia Verde, o Estado Brasileiro deverá estar integralmente presente, protegendo a terra, a floresta, as riquezas minerais, os povos indígenas, as fronteiras, e, para isso, é indispensável ampliar as forças armadas atuando na região. A Marinha Brasileira, revelou o comandante Luciano, desenvolve um projeto para instalar uma base naval no amplo estuário do Amazonas.

Voltar