RÁPIDAS
-ENTRE FALAR E CALAR
-Existe aquele ditado: “em boca calada não entra mosca”.
Para quem faz política, seguir este dito popular seria o mesmo que condenar-se a uma mudez fatal.
Falar é imprescindível, o problema é saber a hora.
O governador Mitidieri está vivendo esse dilema. Precisa avaliar a hora exata de dizer a André Moura que, para ele, não seria demérito esquecer o Senado, e tornar-se , com quase certeza, o deputado federal mais votado. Faria a filha Yandra trocar a Câmara pela Assembleia Legislativa. E continuaria sendo um político com projeção nacional. Como fez antes, André outra vez deputado federal poderia repetir a proeza de trazer bilhões de reais para Sergipe. Habilidade para isso não lhe faltaria, estando no Senado ou na Câmara.
- COMO ENCONTRAR UM PALANQUE
O senador Rogério Carvalho é um senador em busca de um palanque. Mas não é só ele. Vem à lembrança, como analogia, a peça de teatro Seis Personagens em Busca de um Autor. Foi escrita nos anos vinte pelo ganhador de um prêmio Nobel de Literatura, o italiano Luigi Pirandello.
Mas, no caso do cenário politico sergipano, os personagens são numerosos, e o autor (palanque) já existe :é aquele do governador Mitidieri.
O problema é acomodar PSD e PT, e mais outros. Rogério parece correr na frente, é um personagem em busca de palanque. O PT sozinho é insuficiente. O desunido e autofágico grupo bolsonarista de extrema direita , também estaria na mesma busca, desde que o PL implodiu. Mas Mitidieri já os afastou, definindo-se por Lula, que aliás está a lhe pedir um palanque.
Com o novo cenário que se desenha após a liminar do TSE, o palanque precisa ter um largo espaço.
- INSS A PEDRA NO SAPATO
Não poderia haver burrice maior do que a cometida pela direção do INPS, fechando as portas das suas agencias por três dias. O argumento era a necessidade de realizar algumas obras, e não poderia assim atender ao público.
As pessoas chegavam, as vezes tendo percorrido grandes distancias, e batiam com a “cara no portão”. Se foi péssima a medida, pior ainda a explicação que deu o dirigente do sempre complicado órgão. “Nós mandamos para todo mundo um aviso pela Internet. “
Nesses dias de fechamento, Lula deve ter ficado com as
orelhas ardendo.
E botando as barbas de molho.
- JAKSON ARRUMANDO AS MALAS
O ex-governador Jackson Barreto, está “ arrumando as malas” para ir morar em outra casa. Deixa a residência modesta onde vive há mais de trinta anos, para morar de frente à praia, num condomínio na Avenida Sarney. Aos 80 anos e uma energia de 40, ele gosta de caminhar tendo o mar bem ao lado. Na casa onde mora, na rua Gervásio de Araújo Souza , 613, mesmo sendo na Atalaia, os prédios já lhe taparam a vista.
A propósito da casa onde Jackson vive, e dela agora se despede, há um episódio que pode ser valioso testemunho da sua vida pública.
Um vizinho dele, chegava de Uber , descuidado, não orientou o motorista ,e ele parou em frente à casa de Jackson. O passageiro pediu-lhe que avançasse mais um pouco, e disse: aí quem mora é Jackson.
O motorista : me desculpe perguntar, qual Jackson, o Barreto ?
O passageiro confirmou.
E o motorista concluiu:
“ Eu perguntei porque a casa é simples, não tem luxo , é pequena, e ele já foi governador, prefeito, e quase tudo na política.”
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UMA LIMINAR REMEXE A SUCESSÃO EM SERGIPE

O governador Mitidieri, já se preparando para enfrentar Francisquinho ou Eduardo Amorim.
Vamos tirar , do baú das antiguidades em desuso, uma palavra que soa mal aos ouvidos, para definir como andava, até hoje, a política sergipana.
A política estava sensaborona, e os políticos sensaborões.
Ou seja, a politica corria sem graça, repetitiva, perdida, atrasada e enferrujada em miúdos episódios, arrastados na mesmice, e os políticos, por sua vez , se tornavam sensaborões.
Então, aconteceu: um Ministro do Tribunal Eleitoral, lá em Brasília, concede liminar revogando a decisão que suspendia os direitos políticos de Valmir de Francisquinho. Se mantida a liminar, ou outras instancias a confirmarem Valmir poderá concorrer ao governo de Sergipe
Surreal , ele não tem direitos políticos, mas é Prefeito de Itabaiana. Registrou-se em partido político, registrou-se como candidato; concorreu; venceu; a Justiça Eleitoral reconheceu a vitória, o diplomou, e deu-lhe posse. Ninguém contestou, e ele vai exercendo o seu mandato.
E há também aqueles episódios, anteriores, que nem vale a pena aqui registrá-los.
O fato real é que termina aquela “ era de gelo” na politica sergipana, e avizinha-se um tempo dos calorosos debates, dos alinhamentos consistentes ,num panorama de onde se vão afastando as dúvidas , incertezas, inseguranças.
O governador Mitidieri, já admitia, ou mesmo insistia em dizer que não concorreria e venceria por WO, à falta de competidores.
A eleição sergipana seria, este ano, muito parecida com aquelas “eleições”, dos anos de ditadura. Quando o nome era ungido e a Assembleia, fechada, abria para “ eleger” o nome ungido na cúpula militar.
Vivemos agora, felizmente, uma democracia plena, com todos os seus defeitos, sem dúvidas, mas, com o campo aberto inteiramente para quem quiser exercer a oposição, e possa vencer sem o risco de sofrer embargos.
Mas, tudo é apenas uma liminar, e como o nome deixa claro, algo provisório, ou sujeito a modificações. Liminares podem ser cassadas, e o embate nos tribunais continua.
A liminar poderia ser uma advertência para a exaustão que esses embates nas clausuras , ou rendez-vous do poder podem causar no eleitor, crente de que o seu voto seria mesmo a expressão imexível de uma vontade.
O governador Mitidieri deveria até abster-se de fazer comentários sobre o fato jurídico, e não deixar desenhar-lhe na face o mais tênue sinal de satisfação.
Isso pode incomodar o eleitor, que ainda põe fé na supremacia da sua vontade revelada nas urnas.
O Mitidieri que vai concorrer à reeleição este ano, está bem distante daquele que disputou e venceu por pequena margem, e em meio a muitas manobras a eleição anterior.
Para o seu opositor, ou opositores, será muito difícil enfrenta-lo com boas perspectivas de sucesso.
Ele cresceu em todas as camadas sociais. Tem resultados a mostrar, projetos em andamento a debater.
Sobretudo, adquiriu experiencia e maturidade para lidar com desenvoltura no sensível e escorregadio métier da busca pelo voto.
Terá que fazer e refazer alianças, manter muitas, acrescentar outras.
E já tomou a melhor e mais saudável das decisões neste momento de retrocesso político e ataque à democracia: alinhou-se ao lado progressista.
Receberá votos de todas as correntes de pensamento. Os empresários, que talvez na maioria ainda sejam bolsonaristas, votarão em Mitidieri, porque, como no caso especifico do turismo, estão a enxergar e viver resultados palpáveis.
O fato real e indesmentível, é que Sergipe tem avançado, e existe sempre aquela sensação de deixar correr o que vem dando certo.
Por outro lado, a democracia sai vencedora, com pluralismo, debate, palanques animados, sem a sensação desoladora de uma falta de opções.
O melhor de tudo é que estaremos livres de uma campanha sensaborona, com candidatos que logo se tornariam sensaborões.

