Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa | Jornalista
UMA LIMINAR REMEXE A SUCESSÃO EM SERGIPE
30/01/2026
UMA LIMINAR REMEXE A SUCESSÃO EM SERGIPE

RÁPIDAS

 

-ENTRE FALAR E CALAR

-Existe aquele ditado: “em boca calada não entra mosca”.

Para quem faz política, seguir este dito popular seria o mesmo que condenar-se  a uma mudez fatal.

Falar é imprescindível, o problema é saber a hora.

O governador Mitidieri está vivendo esse dilema. Precisa avaliar a hora exata de dizer a André Moura que, para ele, não seria demérito esquecer o Senado, e tornar-se , com quase certeza, o deputado federal mais votado. Faria a filha Yandra trocar a Câmara pela Assembleia Legislativa. E continuaria sendo um político com projeção nacional. Como fez antes, André outra vez deputado federal poderia repetir a proeza de trazer bilhões de reais para Sergipe. Habilidade para isso não lhe faltaria, estando no Senado ou na Câmara.

 

- COMO ENCONTRAR UM PALANQUE

O  senador Rogério Carvalho é um senador em busca de um palanque. Mas não é só ele. Vem  à lembrança, como analogia, a peça de teatro Seis Personagens em Busca de um Autor. Foi escrita nos anos vinte pelo ganhador de um prêmio Nobel de Literatura, o italiano Luigi Pirandello.

Mas, no caso do cenário politico sergipano,  os personagens  são  numerosos, e o autor (palanque) já existe :é  aquele do governador Mitidieri.

O problema é acomodar PSD e PT, e mais outros. Rogério parece correr na frente,  é um personagem em busca de palanque. O PT sozinho é insuficiente. O  desunido e autofágico grupo bolsonarista de extrema direita , também estaria na mesma busca, desde  que o PL implodiu. Mas Mitidieri já os afastou, definindo-se por Lula, que aliás está a lhe pedir um palanque.

Com o novo cenário que se desenha após a liminar do TSE, o palanque precisa ter um largo espaço.

 

-  INSS A PEDRA NO SAPATO

Não poderia haver burrice maior do que a cometida pela direção do INPS,  fechando as portas das suas agencias por três dias. O argumento era a necessidade de realizar algumas obras, e não poderia assim atender ao público.

As pessoas chegavam, as vezes tendo percorrido grandes distancias, e batiam com a “cara no portão”. Se foi péssima a medida, pior ainda a explicação que deu o dirigente do sempre complicado órgão. “Nós mandamos para todo mundo um aviso pela Internet. “

Nesses dias de fechamento, Lula deve ter ficado com as

orelhas ardendo.

E botando as barbas de molho.

 

- JAKSON ARRUMANDO AS MALAS

O  ex-governador Jackson Barreto, está “ arrumando as malas” para ir morar em outra casa. Deixa a residência modesta onde vive há mais de trinta anos, para morar de frente à praia, num condomínio na Avenida Sarney. Aos 80 anos e uma energia de 40, ele gosta de caminhar tendo o mar bem ao lado. Na casa onde mora, na rua Gervásio de Araújo Souza , 613, mesmo sendo na Atalaia, os prédios já lhe taparam a vista.

A propósito da casa onde Jackson vive, e dela agora se despede, há um episódio que  pode ser valioso testemunho da sua vida pública.

Um vizinho dele, chegava de Uber , descuidado, não orientou o motorista ,e ele parou em frente à casa de Jackson. O passageiro pediu-lhe que avançasse mais um pouco, e disse: aí quem mora é Jackson.

O motorista : me desculpe perguntar, qual Jackson, o Barreto ?

O passageiro confirmou.

E o motorista concluiu:

“ Eu perguntei porque a casa é simples, não tem luxo , é pequena, e ele já foi governador, prefeito, e quase tudo na política.”

 

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UMA LIMINAR REMEXE A SUCESSÃO  EM  SERGIPE

 

O governador Mitidieri, já se preparando para enfrentar Francisquinho ou Eduardo Amorim.

       

Vamos tirar , do baú das antiguidades em desuso, uma palavra que soa mal aos ouvidos, para definir como andava, até hoje, a política sergipana.

A política estava sensaborona, e os políticos sensaborões.

Ou seja, a politica corria sem graça, repetitiva, perdida, atrasada e enferrujada em miúdos episódios, arrastados na mesmice, e os políticos, por sua vez , se tornavam sensaborões.

Então, aconteceu: um Ministro do  Tribunal  Eleitoral, lá em Brasília, concede  liminar revogando a decisão que suspendia os direitos políticos de Valmir de Francisquinho. Se mantida a liminar, ou outras instancias a confirmarem Valmir poderá concorrer ao governo de Sergipe

Surreal , ele não tem direitos políticos, mas é Prefeito de Itabaiana.  Registrou-se em partido político, registrou-se como candidato; concorreu; venceu; a Justiça Eleitoral reconheceu a vitória, o  diplomou, e deu-lhe posse. Ninguém contestou, e ele vai exercendo o seu mandato.

E há também aqueles episódios, anteriores, que nem vale a pena aqui registrá-los.

O fato real é que termina aquela “ era de gelo” na politica sergipana, e avizinha-se um tempo dos calorosos debates,  dos alinhamentos consistentes ,num panorama de onde se vão afastando as dúvidas , incertezas, inseguranças.

O governador Mitidieri, já admitia, ou mesmo insistia em dizer que não concorreria e venceria por WO, à falta de  competidores.

A eleição sergipana seria, este ano, muito parecida com aquelas “eleições”, dos anos de ditadura. Quando o nome era ungido e a Assembleia, fechada, abria para “ eleger” o nome ungido na cúpula militar.

Vivemos agora, felizmente, uma democracia plena, com todos os seus defeitos, sem dúvidas, mas, com o campo aberto inteiramente para quem quiser exercer a oposição, e possa vencer sem o risco de sofrer embargos.

Mas, tudo é apenas uma liminar, e como o nome deixa claro, algo provisório, ou sujeito a modificações. Liminares podem ser cassadas, e o embate nos tribunais continua.

A liminar poderia ser uma advertência para a exaustão que esses embates  nas clausuras , ou rendez-vous do poder podem causar no eleitor, crente de que o seu voto seria mesmo a expressão imexível de uma vontade.

O governador Mitidieri deveria até abster-se de fazer comentários sobre o fato jurídico, e não deixar desenhar-lhe na face o mais tênue sinal de satisfação.

Isso pode incomodar o eleitor, que ainda põe fé na supremacia da sua vontade revelada nas urnas.

O Mitidieri que vai concorrer à reeleição este ano, está bem distante daquele que disputou e venceu por pequena margem, e em meio a muitas manobras a eleição anterior.

Para o seu opositor, ou opositores, será muito difícil enfrenta-lo com boas perspectivas de sucesso.

Ele cresceu em todas as  camadas sociais. Tem resultados a mostrar, projetos em andamento a debater.

Sobretudo, adquiriu experiencia e maturidade para lidar com desenvoltura no sensível e escorregadio métier da busca pelo voto.

Terá que fazer e refazer alianças, manter muitas, acrescentar outras.

E já tomou a melhor e mais saudável das decisões neste momento de retrocesso político e ataque à democracia: alinhou-se ao lado progressista.

Receberá votos de todas as correntes de pensamento. Os empresários, que talvez na maioria ainda sejam bolsonaristas, votarão em Mitidieri, porque, como no caso especifico do turismo, estão a enxergar e viver resultados palpáveis.

O fato real e indesmentível, é que Sergipe tem avançado, e existe sempre aquela sensação de deixar correr o que vem dando certo.

Por outro lado,  a democracia sai vencedora, com pluralismo, debate, palanques animados, sem a sensação desoladora de uma falta de opções.

O melhor de tudo é que estaremos livres de uma campanha sensaborona, com candidatos que logo se tornariam  sensaborões.

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